Geral

Plano de saúde

Paulo Toledo
| Tempo de leitura: 6 min

AHB lançará plano de Saúde em 120 dias

AHB lançará plano de Saúde em 120 dias

Texto: Paulo Toledo

A Associação Hospitalar de Bauru (AHB) vai lançar em, no máximo, 120 dias, um plano de saúde popular. Reinaldo Silvestre Rocha, 42 anos, administrador hospitalar da entidade, afirma que a intenção é proporcionar um bom atendimento à população e buscar recursos para sanear as dívidas dos hospitais mantidos (Hospital de Base, Maternidade Santa Izabel e Hospital Manoel de Abreu).

Joseph Saab, 52 anos, presidente da AHB, afirma que será feita uma parceria para o plano. A prioridade é para a Cooperativa de Trabalho Médico (Unimed), sendo que conversações já estão se desenrolando. Porém, caso seja inviável, existem três outros interessados, que têm

"know-how" na área, em trabalhar com a AHB para implantação do plano de saúde.

A entidade já está fazendo os estudos necessários, inclusive de custos, para o lançamento do Plano, que deverá sair já adaptado às novas regras e com um custo 40% menor do que os planos existentes atualmente no mercado. Isso porque a AHB trabalha com custos SUS, que representa 70% de seu movimento de internações e 90% do atendimento ambulatorial.

A previsão do Plano AHB é para atendimento de um universo de 30 mil usuários, que é o número considerado dentro da capacidade de atendimento dos três hospitais da entidade, que possuem 551 leitos, dos quais 470 em atividade (os fechados estão no Manoel de Abreu). A entidade possui 1.155 funcionários, uma média de 2,5 funcionários por leito em funcionamento, um número considerado bem enxuto. A folha de pagamento bruta correspondeu, em novembro, a 36% do faturamento, considerada uma relação boa.

Porém, a ajuda do Estado, proprietário dos prédios dos hospitais, é considerada fundamental para que a mantenedora possa respirar. Para isso, diz Rocha, será pleiteado junto ao Governo do Estado o estabelecimento de diretrizes e metas a serem atingidas pelas unidades de atendimento da AHB e, em contrapartida, a definição de uma ajuda mensal aos hospitais.

O administrador diz que o ideal seria que o Estado pudesse ajudar a AHB com, pelo menos, metade do auxílio dado aos hospitais universitários, como de Botucatu e Marília, que produzem menos do que a Associação Hospitalar, mas têm ajuda em relação a insumos e na quitação da folha de pagamentos. "A idéia do presidente Joseph Saab é, tão logo o governador Mário Covas assuma o seu segundo mandato, fazer gestões com a interferência do deputado federal Tuga Angerami (PSDB) e do deputado estadual Pedro Tobias (PDT), no sentido de obter uma manutenção e uma regularidade de recursos para mantermos o nível de atendimento", afirmou.

Para Rocha, com o lançamento do Plano de Saúde AHB e a ajuda do Governo do Estado, será possível sanear as dívidas da entidade em 36 meses.

Nos últimos dois meses, afirma Rocha, houve um equilíbrio entre o faturamento e a despesa dos hospitais administrados pela AHB. Porém, a dívida da entidade, apesar de estável, ainda é considerada alta, atingindo R$ 6,2 milhões, divididos entre fornecedores, bancos e honorários médicos. Desse total, cerca de R$ 2,7 milhões já estão renegociados para pagamento a longo prazo, com quitação entre 18 e 30 meses.

Saab destaca que, desde o período de preparação da implantação do Plano Real, quando valia a URV e os hospitais tiveram grande defasagem entre o que pagavam reajustado pelo índice e o que recebiam do governo, em cruzeiros, os hospitais com mesmo porte dos da AHB entraram em colapso. Outras medidas adotadas por governos anteriores, também prejudicaram os hospitais como um todo.

Além disso, ao longo governo Fernando Henrique Cardoso, ou seja, nos últimos quatro anos, os trabalhadores da AHB tiveram um reajuste de 80%, enquanto que os hospitais tiveram um reajuste de remuneração de 25%. Só neste ano, os medicamentos subiram 10%, enquanto que os hospitais não tiveram reajustes. Além disso, há custos com pacientes que o SUS não cobre, como a alimentação parenteral, causando déficits que, às vezes, chegam a milhares de reais por paciente. "Somando aumento dos funcionários e dos remédios, veja a defasagem que o hospital tem", afirma Saab.

A UTI Pediátrica dá um prejuízo de aproximadamente R$ 20 mil mensais. Rocha afirma que, se não houver uma reversão do quadro financeiro, com a ajuda do Estado e, mesmo, a implantação do Plano de Saúde, essa unidade poderá, até, ter que ser fechada. "Estamos fazendo tudo para mantê-la, pois a consideramos muito importante. Inclusive, estamos tentando que empresários adotem um leito da UTI Pediátrica cada um, para que permaneça atendendo", afirmou.

Reformas

Rocha destacou que, em 98, foi possível realizar diversas reformas nos hospitais, com o objetivo de torná-los mais atrativos aos pacientes de convênios, em termos de infra-estrutura e de equipamentos. O Hospital de Base (HB) e a Maternidade Santa Izabel estão reformados. Agora, todos os apartamentos desses dois hospitais serão equipados com TV, ar-condicionado e frigobar, no sentido de melhorar a acomodação dos pacientes. Todos os equipamentos são doações de fornecedores e já estão sendo instalados.

As reformas estão sendo feitas com recursos da AHB e com a ajuda de clubes de serviços, maçonaria e dos médicos-parceiros de alguns serviços. A Loja Maçônica Primeiro de Agosto, por exemplo, pagou um pintor durante dois anos para prestar serviços à AHB.

A ampliação do setor de quimioterapia do Manoel de Abreu foi bancada pelo médico-parceiro. Além disso, no HB houve a instalação da ressonância magnética, que deve ser credenciada no Sistema Único de Saúde (SUS), para fazer o atendimento de uma cota de pacientes, para que os doentes carentes internados também possam ter acesso a essa tecnologia.

Os médicos do serviço de Oftalmologia vão investir cerca de R$ 130 mil para construção de um novo ambulatório no HB para a especialidade. O prédio ficará pertencendo à associação. O banco de Sangue também será ampliado em 1999, em parceria com as médicas do serviço. Em janeiro, será transferido para dentro do HB o serviço de ultrassonografia. A hemodiálise, financiada pelo Governo do Estado, Lions Clube de Bauru, Lions Clube Internacional e AHB deve ser entregue no primeiro bimestre.

Hospitais atendem mais de uma Bauru

Os atendimentos ambulatorias da AHB correspondem a mais de uma população de Bauru por ano. De acordo com levantamentos da entidade, cerca de 30 mil pessoas são atendidas por mês pelos hospitais Manoel de Abreu, Maternidade Santa Izabel e Hospital de Base (HB), o que significa cerca de 360 mil pessoas a cada 12 meses, ou seja, quase 60 mil atendimentos mais do que a população estimada de Bauru, de 300 mil habitantes.

Para se ter uma idéia, a lavanderia da entidade lava cerca de 100 mil quilos de roupas por mês, ou seja, 1,2 milhão de tonelada/ano. Ao todo, são servidas cerca de 52,26 mil refeições por mês, o que significa cerca de 627 mil por ano.

Os números da AHB são sempre gigantes. Para se ter uma idéia, até novembro os hospitais da entidade realizaram 8,84 mil cirurgias pelo SUS, o que significa uma média mensal de 804.

As internações pelo SUS, até novembro de 98, chegaram a 17,76 mil, ou seja, uma média de 1.615 por mês. (PT)

Comentários

Comentários