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Segurança no trabalho

Renata Raposo
| Tempo de leitura: 5 min

Segurança é prioridade nos trabalhos de risco

Segurança é prioridade nos trabalhos de risco

Texto: Renata Raposo

Ficar suspenso em grandes alturas, desafiar fatores da natureza como os fortes ventos, encarar fios de alta tensão e correr risco de vida já se tornaram coisas comuns para os trabalhadores que arriscam a própria vida e superam medos, tudo para conquistar um salário maior ou o prestígio profissional. Entretanto, algumas tragédias alertam para a necessidade de cumprir as exigências de segurança, ao mesmo tempo que valorizam o trabalho dessas pessoas.

O pintor Jairo Rodrigues, proprietário da JR Pinturas, de Bauru, que realiza o trabalho em interiores e exteriores de prédios e residências, conta que possui uma preocupação muito grande com os equipamento de segurança exigidos por lei e com a seriedade de seus funcionários.

Os pintores descem de prédios altíssimos, amarrados numa corda com um cinto de segurança, e em outra com uma cadeirinha de ferro. A tecnologia dos equipamentos é alemã e as cordas são trocadas a cada serviço, para garantir a segurança dos pintores. Com resistência para até 2 toneladas, formada com 3 tramas, as cordas não correm o risco de se partir com algum objeto cortante, e mesmo que seja obstruída uma de suas tramas, as outras garantem a segurança.

Sílvio Carlos Barduco, 38 anos, e Clodoaldo Luciano, 27 anos, estavam realizando a pintura externa de um prédio de 13 andares nesta semana, próximo ao Aeroporto, e contaram que já não têm mais medo de descer pela corda.

Os sustos acontecem apenas quando o vento é muito forte e acaba levando os pintores de um lado para o outro, presos apenas pelas cordas, conforme contam. Em condições normais de trabalho, eles garantem que não sentem nem mais aquele friozinho na barriga, na hora de descer do prédio pela corda.

Jairo conta que o trabalho do exterior dos prédios é muito mais atrativo, já que é melhor remunerado, não tem como o proprietário ficar fiscalizando e se prendendo em detalhes, o resultado é percebido por todos

(principalmente quando muda a cor) e ainda é elogiado pelo trabalho de risco.

Um pintor de exteriores ganha um salário fixo de R$ 440,00 e mais a empreitada. Para o serviço de oito dias nesse prédio de 13 andares, cada um dos pintores deve receber cerca de R$ 500,00.

A preocupação com o pagamento dos seguros de vida também tem relevância. Além do seguro do INSS, Jairo ainda paga o seguro Unibanco, que oferece R$ 40 mil à esposa, caso o marido morra no serviço, e R$ 300 mil a favor de terceiros.

Jairo comenta que os construtores de prédios raramente se preocupam em deixar pontos de arranque para que os pintores possam realizar seus trabalhos. Segundo ele, a única preocupação

é com a estética do prédio e não com os serviços que mais cedo ou mais tarde teriam que ser feitos.

O mais curioso, segundo conta Jairo, é que um "cordeiro", como é chamado o pintor de exteriores, nunca desce numa corda que tenha sido amarrada por outra pessoa, mesmo que seja seu irmão, "sempre dá uma apertadinha", comenta. O que não ocorre com pintores que descem em cabos de aço, que se sentem mais seguros e não checam toda vez o material, conta.

A maior dificuldade de encontrar pintores que façam esse tipo de serviço com segurança é o efeito da bebida e das drogas, que muitos utilizam para amortizar o medo do perigo, segundo conta Jairo. A segurança é a sua principal preocupação.

Homem eletrocutado continua trabalhando com alta tensão

Aodécio Sardinha, que desde menino trabalha com eletricidade e instalação elétrica, sofreu um acidente, perdeu os dois braços e ainda continua trabalhando no ramo.

O caso de Sardinha é o exemplo vivo de que os equipamentos de segurança e a realização dos procedimentos sempre com muita atenção são fundamentais para evitar acidentes.

Em 1970, Sardinha estava trabalhando em cima de um poste em Sertãozinho, quando o bastão de linha viva (ligada) escapou e deu uma descarga de 13,2 mil volts. Na ocasião, Sardinha conta que não estava trabalhando com a vara de manobra, o que foi a causa do acidente.

Depois de passar três dias em coma e 90 dias internado, Sardinha se viu sem o braço direito, e sem a maior parte do braço esquerdo.

Com o toquinho que restou, Sardinha voltou a trabalhar no ramo, orientando um aprendiz e fazendo algumas atividades quando não há mais ninguém para fazer.

Sardinha atende o telefone, opera o guindaste e até dirige caminhonete com o que sobrou de seu braço. "Quando a água vai subindo, tem que aprender a nadar", comenta.

Hoje, ele e o filho trabalham na eletrificação rural, telefonia rural e industrial e em loteamentos, em toda a região.

Sardinha ficou um tempo sem trabalhar depois do acidente, mas como precisava sustentar a família e dar educação aos filhos, retomou a atividade e continua até hoje.

Ana Cláudia, a filha mais velha, estuda Psicologia, Denise, de 24 anos, já se formou e é professora de Inglês e Português, Vanessa, de 20 anos, está no segundo ano de Administração e o filho Júnior, de 22 anos, o acompanha nos serviços.

Sardinha conta que gosta do serviço que faz e que continuaria fazendo a mesma coisa se pudesse voltar no tempo, mesmo porque foi o ofício que aprendeu.

Os acidentes, segundo ele, ocorrem quando há falta de algum equipamento, falta de cuidado do profissional e de treinamento. A atenção e precaução são fundamentais.

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