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Ciclo menstrual

Gustavo C6andido
| Tempo de leitura: 4 min

Há alguns anos atrás pensar na possibilidade de não menstruar era praticamente inútil, até que surgiram, na década de 70, os primeiros implantes de hormônio, que possibilitavam a interrupção do ciclo menstrual. A prática não ganhou muitas adeptas na época.

O tema voltou com força total ultimamente, depois que o ginecologista Elsimar Coutinho, chefe do Centro de Pesquisas e Assistência em Reprodução Humana de Salvador, saiu defendendo por todos os lugares que pôde, a sua teoria de que não menstruar só traz benefícios, no seu livro "Menstruação, Sangria Inútil", publicado pela Editora Gente.

A tese defendida pelo especialista baiano, precursor na aplicação de implantes de progesterona, é que a menstruação não faz nenhum bem para a saúde, porque pode causar anemia e tensão pré-menstrual, entre outros incômodos, como dores. Por isso ele recomenda o uso de medicamentos à base de hormônios (que podem ser desde simples pílulas anticoncepcionais usadas continuamente ou remédios mais modernos, como o Elmetrin) que eliminem, pelo tempo que a mulher quiser, o seu sangramento mensal.

Apesar do estardalhaço causado pelo médico, que apareceu exaustivamente na televisão, jornais e revistas recentemente e da declaração de atrizes famosas, como Mylla Christie e Ana Paula Arósio em favor do uso de implantes contra a menstruação a idéia, como na década de 70, ainda não foi bem aceita por grande parte das mulheres (veja a pesquisa feita nas ruas de Bauru). O mesmo acontece com os demais especialistas da área médica de Coutinho.

O ginecologista e obstetra bauruense José Osmar Guerini

é um dos que acredita que não há vantagens de se interromper o processo natural da menstruação. Segundo o especialista, o grande "marketing" de Coutinho tem feito com que mulheres decidam por não mais menstruar por razões fúteis, como por exemplo, para passar as férias na praia sem nenhum incômodo. "O que elas esquecem", explica o médico, "é que adiar a menstruação causa uma irregularidade no organismo que só vai voltar ao normal depois de seis meses".

Casos específicos

De acordo com Guerini, a interrupção da menstruação só é justificável se a mulher tiver algum outro problema fisiológico relacionado ao sangramento, como uma cólica menstrual muito intensa que a deixe sem condições de realizar qualquer tarefa em casa ou no trabalho. "Nesse caso seria uma boa indicação passar um período sem menstruar", diz. Outro caso aceitável seria o de uma hemorragia que levasse a mulher a uma anemia, com a necessidade de algum tempo para recuperação. O que não pode existir é a decisão de não menstruar só por modismo. "A mulher não pode pensar só no agora, os ovários são glândulas que produzem óvulos mensalmente e que um dia vão ser responsáveis pela gravidez, ela não pode ficar brincando com eles assim", afirma o ginecologista.

O papel da menstruação

Menstruar não só eliminar o endométrio todos os meses. Guerini explica que a menstruação também tem um papel de vascularização do organismo e uma importância muito grande na umidade vaginal e na quantidade dos hormônios estrógeno e progesterona no corpo da mulher. "O processo de interrupção no ciclo menstrual não é inócuo, como dizem, ele bloqueia duas glândulas importantes", alerta o médico. Segundo ele quando esse bloqueio é feito por pílulas anti-concepcionais a ciclicidade artificial é mantida porque os hormônios do remédio continuam agindo e há sangramento. Quando não há menstruação e o bloqueio é completo não há ciclicidade.

Métodos de inibição do ciclo menstrual

* Medicamentos que podem tomados, implantados ou injetados (Pílulas, Depoprovera, Elmetrin, etc.) e que provocam o fim do sangramento por até seis meses. A mulher pode voltar a menstruar com o término do efeito do remédio.

* Ablação do endométrio, que é a retirada do endométrio por um tratamento feito por esteroscopia logo após o início da menstruação.

* Exercícios físicos. Quando feitos na adolescência adiam o início da menstruação. Em outras faixas etárias, pode reduzir a quantidade do fluxo menstrual e até interromperem o ciclo, se forem feitos diariamente, com orientação médica. Os mais indicados são: natação, ginástica, musculação e tênis.

Os hormônios e a menstruação

1- Após a menstruação a mulher inicia um ciclo de, aproximadamente, 28 dias. A hipófise, determina o crescimento da produção do hormônio estrógeno. Ele é o responsável pelo aumento do endométrio, a camada que reveste o útero e serve para abrigar o óvulo fecundado (embrião).

2 - No 15º dia, a hipófise produz outro hormônio, o LH, que estimula a ruptura do folículo ovariano, liberando o óvulo, que vai para a trompa, onde é fertilizado. O embrião "caminha"pela trompa e, no 5º dia de vida chega ao útero.

3 - Simultaneamente, a hipófise regula o começo da produção de progesterona no ovário. Esse hormônio é responsável pela modificação do útero e a sua preparação para receber o embrião.

4 - Quando a concentração de estrógeno e progesterona fica muito alta, a hipófise é avisada e então "corta" a produção. Se a mulher foi fertilizada e está grávida, essa ordem

é desobedecida pelo hormônio da gravidez, o HCG, que mantém o estímulo para a fabricação dos dois hormônios.

5 - Quando não acontece a gravidez, o HCG não existe e vale a ordem da hipófise que manda parar a produção de estrógeno e da progesterona. A interrupção do estrógeno, que mantinha o crescimento da camada interna no útero, o endométrio, faz com que essa cobertura interna descame. Essa descamação é chamada de menstruação.

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