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Renata Raposo
| Tempo de leitura: 3 min

Trabalhadora do Piauí passa dificuldades em Bauru

Trabalhadora do Piauí passa dificuldades em Bauru

Texto: Renata Raposo

O velho sonho de ganhar a vida no Estado de São Paulo, característico da década de 70, quando os trabalhadores do Norte e Nordeste migraram em massa à procura de emprego, ainda acontece, mesmo no final dos anos 90.

Maria dos Prazeres de Almeida, que morava em Altos do Piauí, PI, veio para São Paulo por intermédio de uma amiga paulistana, já com emprego garantido na cidade.

No dia 21 de janeiro de 98, Maria embarcou num ônibus em Itabira e chegou na capital do Estado depois de três dias e três noites de viagem. Depois de alguns meses trabalhando na cidade grande, Maria conseguiu emprego numa residência em Bauru, onde ficou durante seis meses, recebendo um salário mínimo, com descontos de ligações interurbanas que, segundo ela, algumas nem eram suas.

Perto de completar 21 anos, sua patroa a demitiu, sem pagar o que lhe é de direito, segundo Maria, "e ainda ficou falando mal de mim, para eu não conseguir emprego",

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Maria conta que tentou voltar para a casa de sua amiga em São Paulo, mas a patroa já havia entrado em contato com ela, dizendo "mentiras", o que fez a amiga impedir que Maria fosse para lá.

Em Bauru, Maria não tinha para onde ir e foi acolhida pelos vizinhos, que já conheciam a história da moça e tentaram ajudar.

O universitário e professor estadual Plácido Gan, que acolheu Maria em sua casa, mora com mais dois rapazes e ofereceu um quarto com cama e armário para Maria ficar hospedada até conseguir outro emprego e se regulamentar.

A moça veio para São Paulo somente com a certidão de nascimento e Plácido, junto com os outros companheiros, se movimentaram e conseguiram tirar uma cédula de identidade, Carteira de Trabalho e Título de Eleitor para Maria.

Agora, tudo o que deseja é um novo emprego e "receber os meus direitos".

As ligações interurbanas que eram descontadas do salário de Maria, segundo ela conta, não eram todas suas, mas também de sua patroa, que também tinha parentes no Piauí.

"Vim para trabalhar e me jogaram na rua", reclama Maria, inconformada com as acusações que sua patroa fez sobre sua pessoa. Em Boletim de Ocorrência registrado contra a patroa na Delegacia de Defesa da Mulher, em Bauru, Maria conta que era acusada de seduzir o patrão, de mentir e de não cuidar direito da criança e da casa, que eram suas tarefas. As acusações também envolvem um antigo namorado de Maria, que segundo ela conta, a patroa o julgava maconheiro e acusava que a empregada também consumia a droga.

Maria nega todas as acusações e diz que é apoiada pelos vizinhos, que segundo Plácido, estão até dispostos a testemunhar a favor dela.

Plácido conta que só não fica com Maria para trabalhar em sua casa, porque não tem como paga-la, ainda mais por ganharem pouco e não terem condições de oferecer um salário.

"Vim para tentar melhorar de vida e ajudar minha mãe, e é o que eu quero fazer", afirma Maria.

A principal necessidade de Maria no momento é um emprego e um apoio judicial, para que consiga reaver seus direitos de trabalhadora.

Um advogado amigo de Plácido está dando um apoio e a ajuda médica vem por parte de uma dentista, que está realizando um tratamento em Maria, cobrando apenas o material que está sendo usado.

Plácido conta que está entrando em contato com uma escola, para ver se consegue um curso para Maria, para que possa aprender um oficio rápido e encontrar logo um emprego.

As pessoas que puderem ajudar Maria podem entrar em contato com Plácido, através do Bip 223-0303 código: B47, ou pelo telefone de recados 234-6414. Maria está hospedada na casa de Plácido que fica na rua Benedito Ribeiro dos Santos, 16-102, no Geisel.

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