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Falta de salário

Renata Raposo
| Tempo de leitura: 2 min

Servidor aposentado vende bens para pagar contas

Servidor aposentado vende bens para pagar contas

Texto: Renata Raposo

O servidor aposentado Lúcio de Oliveira, 64 anos, teve que vender seu telefone e aparelho de som para pagar as contas, por causa do atraso do pagamento do 13.º e do salário. A recusa dos vales-compra em todos os supermercados da cidade

é um grande agravante para o problema.

Lúcio foi motorista por mais de 17 anos no pronto-socorro, além de trabalhar em muitos outros setores da Prefeitura.

"Não seu onde por a cara e a moral com tanta humilhação que estou passado", comenta.

O servidor começou a atrasar o pagamento da conta do telefone, por causa da falta do pagamento de seu salário, e a conta foi crescendo mês a mês, até que teve que vender sua linha para pagar a dívida com a Telesp. A conta de luz já atrasou várias vezes, e chegou até a ser cortada, segundo conta Lúcio.

Sem poder comprar alimentos, o servidor vendeu o aparelho de som para poder comprar comida para ele e a esposa, que também está sofrendo com a situação. "Com arroz e feijão a gente pode até dar um jeito", comenta Antônia Corrêia, já com a dispensa vazia. No almoço de ontem, Lúcio e Antônia comeram almeirão, polenta e ovo frito.

"Sempre ajudei meus filhos e hoje estou dependendo deles para me ajudar", conta Lúcio, indignado com a situação.

De acordo com o servidor, ele já está com o nome no Serviço de Proteção ao Crédito

(SPC), não tem mais credibilidade na praça e sofre a humilhação de não ter a quem recorrer.

"Não posso comprar um chinelo ou remédios", conta. "Deito de noite com minha mulher e choro."

O sofá que havia comprado em 12 vezes, conseguiu pagar apenas metade das parcelas e está esperando o caminhão da loja ir até sua casa buscar o móvel, já que não vê perspectivas de pagar as parcelas atrasadas.

"Prefiro devolver enquanto é novo e não posso pagar por ele", comenta. O móvel foi um presente para sua esposa, que também está muito desapontada com a situação.

Trabalhando para a Prefeitura desde 1950, Lúcio diz que nunca viu "uma sacanagem com esta que estão fazendo". Por causa da falta de dinheiro, Lúcio conta que até o relacionamento com a mulher está sendo abalado, "porque não tenho como dar conforto a ela".

A sorte do casal, segundo ele conta, é morar numa casa própria, "é velha, mas é da gente".

"Agora a gente come polenta frita no lugar do arroz e feijão."

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