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Greve na internet

Eva Rodrigues
| Tempo de leitura: 3 min

"Greve não tem fundamento", afirmam provedores

"Greve não tem fundamento", afirmam provedores

Texto: Eva Rodrigues

As milhares de indefinições acerca do veículo Internet e suas especificidades têm gerado discussões sem fim e, na dúvida, a tribo de internautas espalhada pelo mundo acaba adotando as mesmas atitudes. Com isso, movimentos deflagrados na Europa de greve de internautas devem ter seus ecos, no próximo dia 13, aqui no Brasil.

O dia foi escolhido pela ciber-comunidade brasileira para fazer uma paralisação em protesto aos altos preços cobrados pelos provedores de acesso à rede. Não muito coeso, o movimento peca ao não expor com clareza outro fator, além dos abusos de provedores, responsável pelos preços praticados: os altos custos da tarifação telefônica no Brasil.

O gerente comercial da Travelnet, Luiz Eduardo Bertolacini, observa que na Europa houve uma reivindicação de redução junto às empresas que fomentam os provedores de acesso.

"Aqui, a manifestação seria válida se fosse dirigida à Embratel e à Telefonica. Para se ter uma idéia, nos Estados Unidos há incentivo do Governo às empresas que provêm acesso à rede

- empresas comuns pagam mais pelos serviços telefônicos que os provedores. Hoje, os provedores brasileiros praticam preços compatíveis com os custos operacionais que têm."

Contextos diferentes

Para o proprietário da Bauru Online, Arnaldo Turtelli, antes de avaliar o preço cobrado por um provedor brasileiro e um americano é preciso analisar todos os elementos que entram na formulação do preço de um provedor:

"O que compõe o preço é o link com a Embratel (que tem um custo cerca de 40% a mais que nos Estados Unidos) e o preço das linhas telefônicas - o feixe E1 (digital), por exemplo, é muito caro aqui. Além disso, tem os equipamentos - um bloco de conexão como o Total Control, da US Robotics, custa nos Estados Unidos cerca de US$ 15 mil e o dobro aqui. Então, ao somar todos os itens, é claro que os Estados Unidos vão conseguir um preço melhor".

Turtelli também reclama da falta de estrutura da concessionária telefônica: "A gente faz um pedido e tem que esperar de 3 a 4 meses até ser atendido". Outro fator relevante, lembra o proprietário de provedor, é o baixo número de usuários de Internet no Brasil, principalmente se comparado aos Estados Unidos.

Entretanto, Turtelli acredita que a manifestação dos internautas seja válida, "pois há no mercado grandes provedores que realmente exploram os usuários".

A reportagem do Infonews entrou em contato com a Telefonica para obter informações sobre os preços praticados, mas até o fechamento desta edição não obteve retorno.

Movimento fraco

Depois de tentar encontrar pró-grevistas em três salas de bate-papo (faixa etária de 15-20 anos e 20-30 anos), o Infonews conseguiu apenas um contato com "Rambo"

(nick name), de 19 anos, que disse ser a favor da greve - os demais integrantes das salas nem sabiam de que se tratava a manifestação do dia 13.

O paulistano Rambo afirmou gastar mensalmente R$ 59,00 com o provedor de acesso (ele navega pelo menos três horas diárias) e mais R$ 289,00 de conta telefônica. "Para que os preços baixem as empresas têm que deixar de lado a mania do lucro absurdo por poucos serviços prestados. E isso sem levar em consideração as falhas que todas vêm apresentando."

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