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Segurança

Renata Raposo
| Tempo de leitura: 5 min

Emdurb reduz acidentes de trabalho

Emdurb reduz acidentes de trabalho

Texto: Renata Raposo

O número de acidentes de trabalho teve uma redução drástica depois que a Empresa Municipal de Desenvolvimento Urbano e Rural de Bauru (Emdurb) adotou com mais rigor os procedimentos de segurança para o trabalhador, seguindo as normas de segurança exigidas pelo Ministério do Trabalho.

No ano de 1995 ocorreram 115 acidentes de trabalho na Emdurb, segundo o técnico de Segurança do Trabalho, Orlando Pascoal Risse. O ano de 1996 teve uma redução de 42,61% no número de acidentes, mesmo assim mantendo um número elevado de 66 acidentados.

Já em 1997, a redução foi de 51,52% em relação ao ano anterior, quando foram registrados 32 acidentes de trabalho. E a redução em 1998 atingiu o número de 26 acidentes no ano, o que representa uma redução de 18,75% do número de acidentes ocorridos no ano anterior e de 77,4% em relação aos acidentes ocorridos em 1995.

Essa redução crescente, segundo Risse, se deve principalmente

à implantação do programa de segurança no trabalho, que teve início em 1997.

O objetivo, segundo ele, é chegar o mais próximo possível do zero neste ano, para que o trabalhador tenha o máximo de segurança. Esse patamar nulo de acidentes foi registrado em apenas três meses nesses últimos quatro anos: em março de 1998 e em maio e julho de 1997.

De acordo com Risse, a Emdurb fornece todos os equipamentos de segurança exigidos pelo Ministério do Trabalho, chamados Equipamentos de Proteção Individual (EPI), que são as luvas emborrachadas, o tênis de segurança, uniforme laranja e colete refletor para a noite.

Além de oferecer todos os equipamentos, a Emdurb também tem se preocupado com o conforto e a adequação desses equipamentos para que melhor atendam as necessidades dos trabalhadores da coleta de lixo, segundo Risse.

As luvas, que anteriormente eram inteiramente emborrachadas, passaram a ter uma ventilação no região do dorso da mão, para que o coletor sentisse menos calor e reduzisse o mau cheiro causado pelo suor. Os calçados, que apresentavam saliências na região do calcanhar, foram trocados por outros com sola linear, antiderrapante e resistente.

De acordo com Risse, a Emdurb está sempre em contato com os coletores, ouvindo as reclamações e se preocupando com o conforto e segurança dos trabalhadores, fazendo as alterações possíveis para melhorar as condições de trabalho.

Procedimentos de segurança

Além dos equipamentos de segurança, a Emdurb se preocupa com a fiscalização do uso desses equipamentos e com o treinamento de todos os coletores de lixo. A empresa possui atualmente mais de 300 coletores e consome 360 pares de luvas por mês.

Cada novo coletor que é admitido, passa por um treinamento, onde é explicado como usar o equipamento e o principal motivo para fezê-lo. Existe também uma equipe responsável pela fiscalização dos funcionários, que são advertidos ou suspensos sempre que cometem alguma irregularidade.

A Emdurb ainda orienta para que a população comunique a empresa caso constate que algum funcionário está trabalhando sem as condições de segurança ou tenha outras reclamações, pelo telefone 232-3256, ramal 267. O ideal é que o reclamante tenha disponível o local e o horário em que observou o funcionário trabalhando irregularmente.

O corpo de segurança, composto por três técnicos, um engenheiro e um médico do trabalho, conta também com um ambulatório, que além do médico que atende 4 horas por dia, tem uma enfermeira de plantão durante todo o dia. A cada seis meses os coletores são submetidos ao exame médico para avaliação clínica.

População pode reduzir 95% dos acidentes

O maior problema que os coletores de lixo enfrentam são os objetos cortantes ou perfurantes que são embalados de maneira inadequada pela população. Cerca de 95% dos acidentes são causados por esses objetos, o que poderia ser evitado caso a população fizesse a embalagem correta para que os coletores não se ferissem.

De acordo com o técnico de Segurança do Trabalho da Emdurb, Orlando Pascoal Risse, as pessoas embalam o lixo com descaso ou desconhecimento do procedimento que devem adotar e acabam causando acidentes.

Objetos cortantes, como vidros, lâmpadas, copos quebrados, garrafas, entre outros, devem ser embrulhados em jornal ou colocados em caixas. Uma idéia seria colocar esses objetos dentro de caixinhas de leite vazias, que protegem as mãos dos coletores do vidro.

Os objetos perfurantes, como espetos, garfos, palitos e outros, devem ter suas extremidades protegidas com jornal e fita adesiva, ou também ser embalados em caixas, quando possível.

Só em dezembro, 10 coletores sofreram acidentes no trabalho, e a maioria foi causada por esses objetos.

Em um dos casos, o coletor foi pegar um saco de lixo que estava em cima do muro, acabou deixando cair o saco em cima dele por causa do peso excessivo, e um pedaço de vidro perfurou seu rosto bem próximo ao olho. Se tivesse pego a vista, o coletor poderia ter ficado cego só porque a dona de casa não perdeu alguns minutinhos embalando corretamente o vidro.

Outro coletor se feriu ao pisar numa taça de cristal, que foi deixada ao lado do lixo, sem embalagem alguma. A taça perfurou a borracha da sola do sapato e cortou o pé do coletor, que teve que ficar afastado até curar o ferimento.

Esses cuidados básicos com o lixo doméstico, segundo Risse, podem representar um benefício não somente aos coletores, que sofrerão menos acidentes, mas à população, que terá mais coletores executando cada vez melhor o serviço.

Os moradores que possuem cachorros também devem prestar atenção no local onde deixam o lixo para os coletores. Sacos pendurados no portão ou em locais onde os cachorros podem alcançar os coletores devem ser evitados.

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