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Pesca

Roberta Mathias
| Tempo de leitura: 6 min

Fly ainda tem poucos adeptos na região

Fly ainda tem poucos adeptos na região

Texto: Roberta Mathias

Apesar da pesca com moscas ser considerada a modalidade mais esportiva, a dificuldade em manipular o equipamento e o número reduzido de praticantes limita a pesca com fly na região.

Há vários tipos de pescadores, aqueles que só pescam eventualmente, quando um amigo convida para visitar o seu rancho à beira do rio; outros são pescadores frenéticos, que precisam estar constantemente com a vara em punho, em busca de um peixe, de qualquer espécie; há também quem procure quantidade, chamados de peixeiros, que quanto mais pesca mais quer pescar; existem os pescadores esportivos, que se preocupam mais com o ritual do que com o peixe no samburá. O pescador adepto a pesca com mosca é, aparentemente, o mais esportivo de todos.

A pesca com fly pode parecer difícil, a princípio, mas segundo Sílvio Martinello, 50 anos, instrutor de fly em Ibitinga, é uma pescaria tão leve que pode ser considerada uma "modalidade de vida". Ele explica: "É preciso que o pescador tenha o equipamento correto, aprenda os movimentos, seja calmo e caprichoso". Quando a pessoa pega o "jeito" do fly, começa a se interessar pela modalidade, até a limpeza da linha, o cuidado com o material torna-se um ritual.

"O que normalmente acontece é que as pessoas compram o equipamento sem conhecer o esporte, fazem algumas tentativas, se decepcionam e desistem." Martinello conta que o prazer da pesca com fly é fascinante. "O flyzeiro mesmo é aquele que aprendeu, começou a fazer suas próprias iscas e consegue colocar uma isquinha daquela com tanta leveza exatamente onde está o peixe. Com arremessos de 20 a 25 metros."

Analisar que tipo de isca deve ser usada para determinado peixe também faz parte do prazer de pesca com mosca. O pescador sempre tem uma grande variedade de iscas para cada situação, como moscas secas, ninfas, streamers, poppers e bugs. Para quem pretende começar é bom saber que a pesca com fly exige muito treinamento. Antes de partir para a pescaria, dias e dias treinando em um gramado é fundamental, e é importante ser orientado sobre quais os movimentos corretos para facilitar o arremesso, pois a pesca não exige força.

"Qualquer pessoa pode ser adepto do fly, desde que esteja com o equipamento e seja calmo. Não é preciso fazer força. Há pescadores que exageram muito", conta o pescador. Uma informação interessante é que o pescador de fly é mais conscientizado quando o assunto

é preservação, e também mais calmo. Martinello tem algumas regras na pescaria que sempre procura seguir.

"Eu não mato o peixe pequeno, nem o peixe grande e só levo os peixes que vou comer. Não gosto de encher o refrigerador de peixes. Outro detalhe: gosto de pescar com as iscas que eu faço e depois preparar o peixe que vou comer."

Martinello começou a ter interesse pela pesca com moscas há sete anos, quando conheceu a modalidade em uma revista americana. Primeiro, como muitos, comprou o equipamento, tentou, tentou e abandonou. "Meu filho até quebrou a minha vara com seus arremessos!" Depois, em São Paulo, encontrou Gregório, especialista em fly, que lhe estimulou a retornar ao esporte e lhe ensinou a pescar. Desde então, Martinello não abandonou a modalidade, pelo contrário, hoje ele dá cursos de fly em várias partes do País

(já formou muitos flyzeiros em Bauru) pesca sempre, é fabricante de iscas e proprietário da Esporte Pesca, em Ibitinga.

Em Bauru, conversando com alguns empresários da área de pesca, é possível notar que a procura por equipamentos nessa modalidade é ainda muito pequena. Segundo Osni Pizarro, proprietário da Boapesca, apenas 1% a 2% dos pescadores em Bauru são adeptos ao fly. "Apesar de ser a modalidade mais esportiva, são poucos os que a praticam." Ele lembra que a mentalidade dos pescadores está mudando, mas muito lentamente. "Antes, a pesca era mais predatória, hoje está mais esportiva, porém ainda há pouca divulgação da pesca com moscas. Muitos pescadores procuram as iscas fabricadas pelo Gregório, que nós comercializamos aqui."

Pizarro acredita também que uma das dificuldades para uma maior adesão à pesca de fly é a falta de tempo. "Quem procura o fly precisa de um tempo maior para se dedicar à pesca, precisa treinar. O pescador de final de semana não tem tempo."

Para Antônio Gervásio de Oliveira, da Mabel, "Bauru não decolou muito bem no fly. Falta divulgação da modalidade, pessoas especializadas para ensinar a praticar a pesca de fly". Oliveira lembra que o fly pode ser usado em qualquer lugar, mar, rio, represa, mas é preciso ter o equipamento correto. "Tudo balanceado. É possível que o preço do equipamento também influencie no número reduzido de pescadores."

Ambos foram unânimes em dizer que pretendem divulgar a prática da pesca com moscas na região e devem trazer especialistas na modalidade para ensinar a pesca de fly aos interessados.

Serviço

Boapesca, em Bauru, (014) 232-3813

Esporte Pesca, em Ibitinga, (016) 242-4125

Mabel, em Bauru, (014) 234-7999

Um pouquinho da História da pesca com moscas (fly fishing)

As primeiras menções da pesca com moscas, citadas em artículos orientais escritos, remontam a 2000 a.C., durante o período da Dinastia Shang, onde se mencionam o uso de moscas artificiais para capturar peixes.

Sem embargo, parece que se tem universalmente aceitado que as origens se situam na Macedônia, no século II a.C., onde um escritor de nome Claudios Aalian, que viveu entre os anos 230 e 170, nos narra: "É interessante a forma em que na Macedonia se pesca, é a seguinte: Entre Baroca e Tesalónica corre um rio com o nome de "Astractus" e nele existem peixes de pele prateada, estes peixes se alimentam de certas moscas que são peculiares do lugar que revoam sobre o rio.

Não se parecem com as moscas que se encontram em outros lugares e não têm a aparência de uma vespa e nem de uma abelha e nem nada parecido com as duas. Os nativos as chamam de "Hipporus". Dado que estas moscas pegam seus alimentos na superfície da água e não querem ser notadas pelos peixes que se encontram abaixo, quando um destes peixes nota a presença de um inseto, nadam rapidamente

à superfície e o ataca como que um lobo ataca uma ovelha.

Os pescadores não usavam estas moscas como isca, pois quando mortas elas perdem a coloração e as asas, deixando de ser um atrativo como alimento. Envolvem, então, em um anzol, lã vermelha e adicionam plumas brancas de galo. Com uma vara de dois metros de comprimento e a linha com o mesmo comprimento, lançam este artifício e o peixe, atraído pela cor, o cerca e ataca quando seduzido..."

(Livre tradução por Vinicius Victor Gongora)

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