Chuva causa estragos em Pederneiras
Chuva causa estragos em Pederneiras
Texto: Fábio Grellet
Entre a noite de anteontem e tarde de ontem, choveu 151 mm. Diante dos estragos, a Prefeitura estuda decretar estado de calamidade pública
A chuva que caiu entre o início da noite de terça-feira e a manhã de ontem, quarta-feira, causou grandes prejuízos em Pederneiras e fez a Prefeitura daquela cidade estudar a possibilidade de decretar estado de calamidade pública no município. Casas invadidas pela água, muros e pontes derrubadas e asfalto destruído foram alguns dos efeitos da chuva, que fizeram o prefeito Rubens Cury, seu vice Berto Frascarelli e outros funcionários da Prefeitura passar várias horas, entre a noite de anteontem e a tarde de ontem, visitando os locais atingidos. Não houve registro de vítimas ou desabrigados, porém.
Iniciada, com grande intensidade, por volta das 18 horas de anteontem, a chuva se estendeu, ainda que em menor intensidade, até a tarde de ontem. Segundo o diretor de serviços urbanos da Prefeitura, José Carlos Fabri, foram 151 milímetros de precipitação, volume exagerado inclusive para esta época do ano, quando é natural o aumento das chuvas. Ele afirmou que existem pelo menos vinte pontos críticos, nos quais as consequências da chuva foram mais acentuadas.
Um deles fica na rua Nove de Julho, que em certa altura é cortada por um córrego. Como é uma baixada, durante as chuvas, a área recebe água proveniente de bairros próximos, como a Vila Ruiz e alguns núcleos habitacionais que ficam em regiões mais altas. Um muro bastante extenso, que circunda uma cerâmica desativada, faz a água correr junto a ele e se depositar no final da baixada. A água acompanha a rua e passa sobre o córrego, acumulando-se entre as casas. Segundo alguns moradores, ontem, presa entre paredes que impediam seu escoamento, a água atingiu mais de um metro de altura. Mas a água não ficou apenas na rua: invadiu algumas casas, como a de José Geraldo Boneti, e o escritório de advocacia de Jair Arismar Brumati, deixando muita lama e sujeira. Segundo Boneti, a Prefeitura autorizou a permanência de um trator, no quintal de sua casa, para derrubar as paredes da cerâmica - algumas daquelas que impedem o escoamento da água -, caso a enchente se repita.
A área onde fica o Terminal Rodoviário é outro ponto crítico. Também situada numa baixada, a região recebe a água do núcleo Michel Neme, do Jardim do Ipê e do Jardim das Palmeiras I e II.
Os moradores da região próxima à Rodoviária alegam que esses bairros não dispõem de galerias suficientes para absorver grandes quantias de chuva, e por isso a água se acumula nas ruas da área e em suas casas.
(leia mais no boxe)
Na rua Duque de Caxias, o asfalto sobre o mesmo córrego que corta a rua Nove de Julho cedeu e a via foi interditada.
Segundo o diretor de serviços urbanos, no distrito de Santelmo, três pontes caíram.
Estado de calamidade
A Prefeitura tem 48 horas, após a ocorrência de problemas como a chuva de ontem, para avaliar os estragos e decretar estado de calamidade pública. Mas a decretação tem de ser justificada através de um relatório, produzido em conjunto por funcionários da Prefeitura e policiais da Defesa Civil, que demonstre a gravidade dos problemas.
Sendo decretado estado de calamidade pública, o município passa a dispor de uma verba que é especificamente destinada a esses casos, para socorrer eventuais desabrigados e realizar obras necessárias.
Durante a tarde de ontem, policiais estiveram reunidos com o prefeito, para discutir a produção do relatório, que deve ser concluído hoje.
Falta de galerias causa problema
A chuva de ontem foi a segunda a causar estragos graves perto da Rodoviária. No dia 16 de outubro último, uma outra precipitação já provocara sérias consequências.
Guilherme Henrique Prestes, por exemplo, mora na rua Eugênio Maccioca desde 13 de dezembro de 1993 e até aquele 16 de outubro não havia sofrido problemas com a chuva. Mas nesse período estava sendo finalizada a infra-estrutura do loteamento Jardim das Palmeiras II, onde, até então, havia curvas de nível responsáveis por dispersar a água da chuva antes que ela se concentrasse na área da Rodoviária. Com o asfaltamento, as curvas de nível foram destruídas, e então toda a água que se acumula desde o núcleo Michel Neme, situado no extremo mais alto da área, têm se acumulado na parte baixa. No dia 16 de outubro, uma chuva mais forte já causara estragos nessa área, que assustaram Prestes. Na noite de anteontem, ainda mais apavorado, ele gravou em vídeo as imagens da enxurrada, responsável por destruir o asfalto de uma rua próxima, derrubar muros e levar objetos de moradores da região.
Um muro da casa vizinha à de Prestes caiu durante a chuva de 16 de outubro, e o morador mudou-se de lá antes de presenciar a de ontem.
Maria Antônia Godói Faria também mora na mesma região, na rua Padre Ernesto Cangueiro, e ao lado da sua há uma casa em construção. Como um corredor entre muros impede a passagem da água nesta obra, a água acumulada durante a chuva de 16 de outubro pressionou o muro que separa a casa em construção da sua, e este caiu sobre o muro de sua cozinha, causando danos também neste.
Outro prejudicado pelas chuvas é Eli Biazin. Proprietário de uma loja de materiais de construção, ele afirma que já é a terceira vez que sua firma é alagada pelas chuvas. E destaca que duas delas foram neste ano, que teve início há apenas sete dias: além da chuva de ontem, também na última segunda-feira, quando abriu a loja, encontrou-a tomada pela lama habitualmente deixadas por enxurradas.
Segundo Antônio Carlos Valineti, 51 anos, diretor de obras da Prefeitura, os loteamentos recém-construídos
(Altos do Alvorada e Jardim das Palmeiras II), ao contrário do que alegam os moradores da área próxima à Rodoviária, dispõem de galerias para escoar a água das chuvas. Mas o tamanho delas é suficiente, apenas, para absorver a água recolhida na área dos loteamentos, e não toda a água que atinge os bairros vizinhos
(Núcleo Michel Neme, Jardim do Ipê e Jardim das Palmeiras I), que passam pelo novo loteamente em direção à parte baixa, próxima à Rodoviária. Por isso,
é necessário construir galerias também nesses bairros. Para isso, há um projeto, orçado em R$ 1,4 milhão, verba solicitada ao governo federal já há algum tempo. As verbas, porém, não foram liberadas, e o prefeito Rubens Cury admite a possibilidade da quantia não ser enviada ao município. Por isso, Cury afirma que a Prefeitura está tentando solucionar o problema gradativamente, conforme a disponibilidade de verbas permite. Segundo ele, já foram construídas duas galerias, de 141 e 120 metros, mas o problema exige várias outras obras. Cury afirmou que o problema deve ser solucionado, integralmente, até o próximo verão.