Primeiro assinante ainda lê JC todos os dias
Primeiro assinante ainda lê JC todos os dias
Texto: Renata Raposo
Depois dos primeiros bocejos matinais, a caminho do trabalho ou na mesa do café da manhã, o leitor é fiel a seus interesses e muitas vezes estabelece relações estreitas com seu jornal. As manias são as mais variadas e cada leitor parece estabelecer um ritual diferente.
Alguns gostam de ser a primeira pessoa a desdobrar o exemplar, outros, só lêem o jornal se os cadernos estiverem organizados. Há aqueles que espalham o jornal por toda a sala e também quem não saia de casa sem primeiro ler as notícias.
Os mais chiques têm criados que passam folha a folha a ferro quente, para que a tinta não suje suas mãos. Os mais pobres, dificilmente lêem uma linha, mas usam o material para esquentar as frias noites de inverno.
Existem aqueles que todos os dias cedinho estão na banca buscando seu exemplar, e outros que só lêem o jornal do dia anterior.
Fundado em 1967, o Jornal da Cidade ainda tem o privilégio de ser lido todos os dias pelo seu primeiro assinante, Antônio de Campos Fraga, que à beira de seus 93 anos, ainda recebe diariamente sua publicação favorita. Hoje, no Dia do Leitor, ele pode conferir sua própria história no jornal que lê diariamente.
O silêncio é fundamental para que sua leitura seja feita e os óculos ajudam a suprir as dificuldades de sua visão. "Com um pouco de dificuldade, leio perfeitamente", afirma.
Em quase 32 anos de publicação, Antônio conta que só ficou sem ler o jornal quando não tinha edição no dia. Em todos esses anos, ele não lembra de ter falhado uma vez.
As matérias de desgraça não atraem sua atenção:
"lógico que ninguém gosta de desgraça", comenta. Depois de tantos anos de leitura, sabe exatamente onde encontrar o que procura, "com o costume a gente já sabe onde está a leitura", diz.
Desde os primeiros tempos, Antônio conta que foi um dos formadores do jornal, quando na época era muito amigo de Nilson Costa e de Alcides Franciscato. De lá para cá, as mudanças foram muitas, diagramação moderna, impressão colorida, "o jornal cresceu com a cidade".
Depois de 32 anos, o assinante que já não paga mais pelos seus exemplares, conta orgulhoso que recomenda a todos os amigos. "O meu jornal é esse, da Cidade. É o jornal da minha pessoa" - Antônio de Campos Fraga.