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Paulo Toledo
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Telefonica começa fechar lojas e postos de serviços

Telefonica começa fechar lojas e postos de serviços

Texto: Paulo Toledo

A Telefonica, ex-Telesp Participações, iniciou um processo de fechamento de lojas e Postos de Serviços (PSs). Várias cidades da região de Bauru, Marília e Presidente Prudente já foram atingidas pela medida que, segundo o Sindicato dos Trabalhadores em Empresas de Telecomunicações e Operadores de Mesas Telefonicas no Estado de São Paulo

(Sintetel), deve ser ampliada com novos fechamentos.

Jorge Luiz Xavier, 39 anos, diretor da regional de Bauru do Sintetel, diz que o fechamento das lojas será prejudicial para a população das cidades atingidas que, em muitos casos, terá que se deslocar para cidades vizinhas para receberem o atendimento devido.

Até agora, a empresa espanhola já fechou, na área de Marília, as lojas e PSs de Santa Cruz do Rio Pardo, Pirajú e Garça, enquanto que, em Tupã, Ourinhos, Lins e Promissão foram fechados os postos de serviços. Na área de Presidente Prudente, as cidades de Assis, Cândido Mota, Presidente Epitácio e Presidente Venceslau tiveram lojas e PSs fechados.

Na área de Bauru, segundo Xavier, ainda não estão certas quais as cidades que vão ter lojas e postos de serviços fechados, porém cita a possibilidade de que isso ocorra em Barra Bonita, Jaú, Lençóis Paulista, São Manuel, Agudos e Avaré, entre outras.

Xavier disse que a Telefonica está remanejando os funcionários para outras cidades ou, quando possível, na mesma cidade.

"Como são cidades pequenas, ou serão remanejados para outras cidades ou serão demitidos", afirmou.

O diretor do Sintetel disse que, em Ourinhos, a população ficou revoltada com o fechamento do PS, pois não conseguia encontrar cartões telefônicos para comprar. Para Xavier, a Telefonica não está levando em consideração o lado social das cidades atingidas.

De acordo com ele, as pessoas que residem nessas cidades vão encontrar dificuldades para serem atendidas pela empresa. Destacou que, em vários casos, a pessoa terá que sair de sua cidade para apresentar ou assinar documentos em uma cidade vizinha, que ainda mantenha a loja. "O número 104 resolve a maioria dos problemas. Mas, existem alguns procedimentos em que é necessário pegar uma assinatura num formulário e a pessoa terá que se dirigir à loja mais próxima. Isso vai dificultar a vida das populações dessas cidades", afirmou.

Xavier diz que o Sintetel é contra o fechamento das lojas e PSs, pois, além da perda de empregos, a população acaba prejudicada. O sindicato está tentando mobilizar prefeitos e vereadores para reverter o quadro de fechamento, principalmente nas cidades que ainda não foram atingidas. As informações que circulam são de que esse fechamento ocorrerá em larga escala em todo o Estado. Sem prejuízo A Assessoria de Imprensa da Telefonica, na região de São José do Rio Preto, sede da regional que engloba as áreas acima, informou que, apesar da política de fechamento de lojas e PSs a população não será prejudicada, pois essas cidades terão um aumento da quantidade de telefones públicos, nas proximidades dos postos fechados. Além disso, a empresa pretende multiplicar o número de pontos de vendas de cartões, inclusive há uma negociação em curso com a Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos (ECT) para que suas agências vendam cartões e fichas por preços oficiais.

A assessoria disse que a empresa vai implantar, ainda neste mês, o atendimento 24 horas do serviço 104, que é utilizado para a solicitação de informações ou serviços (reclamação de conta, mudanças de endereço), e do 103 (reclamações de defeitos).

A empresa não quis comentar sobre a possibilidade de fechamento de lojas e PSs na área de Bauru.

A Assessoria de Imprensa diz que as pessoas não terão que se deslocar de cidade para resolver seus problemas junto à Telefonica. Informou que o atendimento será feito pelo telefone 104 e, se necessário, em casos de transferências, por exemplo, os documentos serão enviados pelo Correio. Porém, isso gera novo custo.

A assessoria diz que o impacto do fechamento será pequeno para os trabalhadores, pois muitos estão em fase de aposentadoria. Os que não entraram no Programa de Demissão Incentivada

(PDI) poderão ser transferidos para outras localidades.

"Rádio Peão" Os trabalhadores da estão vivendo um clima de incertezas com as informações que circulam pela "Rádio Peão" (a central de notícias informais dos trabalhadores da ex-estatal, que quase sempre se confirmam), de que todos os serviços de atendimento 103 e 104 podem ser transferidos para Campinas ou São José do Rio Preto, onde a Telefonica teria a intenção de criar um grande e único pólo de atendimento do Interior de São Paulo (o segundo seria na Capital), o "Call Center".

O "Call Center" existente atualmente em Bauru, que atende as áreas de Presidente Prudente e Marília, seria transferido para uma dessas cidades e, em consequência, os trabalhadores iriam junto. A previsão é de que muitos funcionário podem abrir mão do emprego em função da transferência.

Xavier disse que ainda não existem informações oficiais sobre tal mudança. Porém, não descarta o risco de que isso, realmente, possa ocorrer. O Sintetel vem trabalhando para tentar evitar.

A Assessoria de Imprensa da Telefonica disse que não existe nada de oficial sobre a centralização dos "Call Center" em apenas uma cidade do Interior. De acordo com a Assessoria, a centralização em Bauru, Rio Preto e Campinas é recente e uma maior centralização seria muito complexa e não há nada programado.

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