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Projeto Genoma

Viviane Maia especial para o JC
| Tempo de leitura: 4 min

Fapesp vai investir no Genoma da cana e da bactéria do cancro

Fapesp vai investir no Genoma da cana e da bactéria do cancro

Texto: Viviane Maia especial para o Jornal da Cidade

A segunda fase do projeto Genoma estava prevista, anteriormente, para ser concluída em maio do ano 2000; agora deve ser concluída em abril desse ano

A Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp) vai investir em novos projetos Genoma. Desta vez, a instituição deve investir US$ 10 milhões no projeto Genoma da cana-de-açúcar, que tem previsão de ser lançado em março desse ano. Outro projeto

é o Genoma da bactéria causadora do cancro-cítrico, Xantomonas axonopodis pv. citri, que tem previsão de ser lançado em abril. A informação é do diretor científico da Fapesp, José Fernando Perez, relatada, nesta semana, em Araraquara, durante a divulgação do início da segunda fase do Projeto Genoma, que estuda desde setembro de 97, os genes da Xylella fastidiosa, bactéria causadora da CVC (amarelinho).

No entanto, Perez não revelou o investimento da instituição sobre o projeto Genoma da bactéria do cancro. Além desses novos projetos, a Fapesp em conjunto com instituições de pesquisas internacionais, em especial o Instituto Ludwig, vai estudar o gene dos tumores de câncer.

"O Genoma humano é a grande novidade desse ano. Deve ser lançado em março e a Fapesp vai investir US$ 10 milhões. Vamos gerar um grande instituto virtual especializado em estudar o Genoma", disse Perez.

O Projeto Genoma humano terá uma forma semelhante a cana-de-açúcar de ser estudado. "Serão estudados os genes expressos da cana, o CDNA, que é uma parte da cadeia de DNAs. Esse método também será utilizado no Genoma humano.

É uma nova tendência dentro da genética molecular", ressaltou.

Com esses novos projetos e com a segunda fase do Projeto Genoma do amarelinho, o diretor científico da Fapesp disse que deve haver uma maior oportunidade para novos pesquisadores. O projeto conta hoje com a participação de 200 pesquisadores, divididos em 35 laboratórios.

"Queremos gerar esse conhecimento aos novos pesquisadores. Pois, já mostramos competência nessa área e devemos continuar assim", ressaltou.

O coordenador do Projeto Genoma, Andrew Simpson, acredita que esses novos projetos devem gerar, pelo menos, um acréscimo de 50% do número de pesquisadores que desenvolvem a pesquisa atual.

Simpson disse que esses tipos de projetos fazem com que o pesquisador se torne mais interado com a comunidade. "O pesquisador é um servidor da comunidade. A ciência deve ficar menos isolada e fazer muito mais parte da realidade do país", afirmou.

Segunda fase

O Projeto Genoma da Xylella fastigiosa, bactéria causadora da CVC (amarelinho) entra em sua segunda fase mesmo com a primeira ainda em fase de conclusão. A primeira fase destinou-se a identificar todos os tipos de genes existentes no DNA da bactéria e descobrir de que forma estão organizados. O investimento da Fapesp em relação a primeira fase desse projeto ficou em torno de R$ 14 milhões, enquanto que o Fundecitrus fornece apoio logístico.

Perez revela que o cronograma de conclusão da primeira fase do projeto vai ser antecipado em função do grupo estar dominando as técnicas específicas do estudo. "O cronograma para a primeira fase era maio do ano 2000, agora, nós certamente esperamos até o meio desse ano para concluí-la", disse.

A segunda fase do projeto é o Genoma funcional, destinado a identificar a função biológica de cada gene identificado, tentando estudar qual é o papel biológico que esse gene desempenha no organismo. "Saber o porquê que a Xylella ataca a laranja, qual é o mecanismo biológico", ressaltou Perez.

Para essa segunda etapa, a Fapesp está investindo R$ 5 milhões. Perez acredita que as duas fases são diferentes entre si, pelo fato da primeira ter um cronomograma mais severo e a segunda, o cronomograma vai depender das descobertas. "Na primeira, os passos são previamente conhecidos, na segunda fase, vai depender da análise, da avaliação do trabalho de pesquisa e conta com um grau de previsibilidade menor", ressaltou.

Em decorrência da primeira fase, deverão ser patenteados nove genes da Xylella pois podem ser relevantes sobre o ponto de vista comercial e industrial no setor de alimentos. "Isso ainda está sendo estudado. Esses genes podem ser de extrema importância para outros setores", disse.

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