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Depilação

Sabrina Magalhães
| Tempo de leitura: 8 min

Pele limpa é exigência social para mulher

Pele limpa é exigência social para a mulher

Texto: Sabrina Magalhães

Para quem sofre com pêlos encravados e infecções de repetição, os métodos de depilação prolongada funcionam como tratamentos

Manter a pele lisa e limpa, livre de pêlos, é uma exigência social para as mulheres. Há muitas décadas, para enquadrarem-se no conceito padrão de beleza, elas precisam, entre outras coisas, estar sempre com a depilação em dia. O método não importa, sejam lâminas ou laser. Só é preciso estar totalmente livre daquela característica tipicamente masculina: os pêlos.

Para eliminá-los, as mulheres contam hoje com uma infinidade de aparelhos e cosméticos. Cada um oferece certo número de vantagens e desvantagens, como a maior ou menor intensidade da dor, a agressão à pele, o custo do tratamento e a durabilidade do efeito.

Todos estes incontáveis produtos, porém, se dividem em apenas três categorias: os que cortam o pêlo, os que arrancam e os que queimam o fio. Entre as alternativas cortantes estão as lâminas e os cremes abrasivos. Indolores e práticos, têm a desvantagem de permitir o crescimento do pêlo de um dia para o outro, exigindo depilação mais freqüente.

No conjunto dos arrancadores estão as ceras fria, morna e quente, produtos que "colam" à pele e que, quando retirados rapidamente, puxam os fios. Também pertencem a esta categoria os aparelhos depilatórios elétricos, que dispõem de um sistema de metal que prende e puxa os pêlos, imitando o trabalho das pinças, que também funcionam como arrancadoras. A principal vantagem destes métodos

é que eles promovem um trauma à raiz, de forma que uma nova depilação só será necessária num intervalo médio de 15 dias e os pêlos vão ficando cada vez mais finos. O ponto negativo é a dor, já que cada fio será brutalmente arrancado pela raiz, o que pode acarretar irritação e ardência prolongadas.

Por último está a queima dos pêlos, que pode ser promovida por choque elétrico ou por radiação. Neste caso, o procedimento é médico, ou seja, só

é feito em clínicas especializadas, porque um erro de aplicação pode causar queimaduras sérias e até deixar cicatrizes. A grande vantagem destes métodos

é que conforma os pêlos vão sendo queimados, a raiz vai enfraquecento, até morrer e deixar de produzir novos fios. Isso quer dizer que depois de algumas sessões os pêlos desaparecem, o que dá a esta categoria de aparelhos o título de depilação definitiva.

Só que esses tratamentos são caros e demorados, levam muitos meses, dependendo do tipo de pele da pessoa. Além disso, existe o problema da demora da aplicação: o choque elétrico, por exemplo, tem que ser dado fio por fio, com uma agulha. Por isso, depilar uma região como a parte de baixo da perna, pode demorar mais de uma hora, isso para apenas uma meia perna.

Escolha

A opção por este ou aquele método vai depender de uma série de fatores, boa parte deles de cunho subjetivo, ou seja, vai do interesse de cada um. Porém, há alguns detalhes que devem ser observados, entre eles as características raciais: pessoas de pele morena a negra submetidas à depilação a laser (radiativa) podem ficar com manchas na pele por vários meses, então, este método só seria recomendado para casos patológicos, quando os pêlos inflamam com muita freqüência.

Depois, a escolha é individual: quem não quer sentir dor alguma fica com as lâminas e cremes abrasivos; quem prefere suportar a dor e ficar livre da depilação por mais tempo, adota as ceras e pinçamentos; e quem não quer se preocupar com os pêlos nunca mais e tem dinheiro e paciência, faz o tratamento de choque ou radiação.

Pêlo é defesa do organismo

Tudo na natureza tem uma razão de ser. Neste sentido, os pêlos funcionam como defesa do corpo, barrando a sujeira e mantendo a temperatura da pele. "Imagine os cílios: sem eles qualquer coisinha entraria em seu olho. Mas geralmente os ciscos batem primeiro nos cílios e a gente tem o reflexo de piscar, impedindo a entrada deles", explicou a dermatologista Eliana Disarz.

Ela explicou que os pêlos nascem de poros, onde também existe uma glândula de suor e outra de gordura, importantes mecanismos que impedem a invasão das bactérias. O fio cresce e chega à superfície da pele através de um canal por onde essas glândulas são drenadas.

Então eliminar os pêlos é prejudicial? Segundo a médica, não: mesmo depois de arrancado o pêlo grosso, o canal de drenagem das glândulas não se fecha. Com o tempo, o próprio organismo se encarrega de produzir uma penugem bem fina, que vai proteger a pele, sem atrapalhar a estética. "Então, é importante as pessoas saberem que mesmo depois das chamadas depilações definitivas, sempre haverá uma penugem, que cobre o corpo todo. Ela é a nossa defesa."

Cera morna: arrancamento menos agressivo

Texto: Sabrina Magalhães

Puxar os pêlos a frio ou usar produtos quentes demais pode irritar a pele. Poros devem ser levemente dilatados

Entre os métodos de arrancamento do pêlo, o menos agressivo, segundo a dermatologista Eliana Disarz, são os de cera morna, como o "roll on": um aplicador com termostato, que aquece a cera de um refil a 37 graus, um a mais que a temperatura corporal. "Estando morna, a cera provoca uma leve dilatação dos poros, sem estar quente ao ponto de queimar, arder ou irritar a pele."

A médica explicou que o que difere ceras frias de quentes

é apenas a temperatura mesmo, porque a agressão vai existir. Segundo ela, as ceras frias agridem por puxar os fios sem qualquer tipo de amortecimento, então a dor é intensa. Já as ceras quentes ajudam a abrir os poros, facilitando o arrancamento. "Só que o excesso de calor local estimula também a vasodilatação, ou seja, ela pode provocar o aparecimento de vasinhos superficiais, danificando a pele." Sem contar os casos de má aplicação, em que a cera é espalhada na região a ser depilada numa temperatura muito alta. As conseqüências podem variar desde uma vermelhidão prolongada até queimaduras sérias no local.

"O único cuidado que eu recomendo deve ser observado

é para as ceras feitas em casa, com mel e limão. Muitas pessoas adotam este produto no verão, quando as depilações são mais freqüentes. O problema

é que se depois a pele não for bem limpa e bem protegida do sol por um ou dois dias, pode manchar, porque a pele com limão exposta ao sol tende a manchar, inclusive com aparecimento de bolhas. Daí este á uma ressalva importantíssima."

"Já os aparelhos elétricos também têm uma ação de arrancamento. Eles puxam os pêlos mesmo, como pinças. Independente do método, a cada arrancamento, você promove um trauma na raiz. É por isso que depilar, ao longo dos anos, afina os fios, diminui a quantidade dos pêlos: é porque a raiz vai enfraquecendo. Mas isso é um trabalho a longuíssimo prazo."

Cuidados

O primeiro passo antes de se iniciar uma depilação

é limpar bem a área, para eliminar resíduos de gordura, suor e poluição. Pode-se usar água e sabonete ou um pano com álcool (depois tem que esperar secar totalmente). No caso dos depiladores elétricos e cera fria, deixar a região sob água quente vai ajudar a dilatar os poros, tornando o procedimento mais fácil e menos doloroso.

Então é a vez de testar o produto (se for usar pela primeira vez). Supondo que a região a ser depilada seja a perna, pode-se escolher um local mais escondido dela, uma pequena

área, e aplicar o produto, seja uma cera ou creme abrasivo. Se, passados alguns minutos, não houver qualquer tipo de reação alérgica, pode-se iniciar o trabalho, lembrando que as ceras devem ser puxadas sempre no sentido contrário ao do crescimento dos pêlos. Usando papel celofane, quanto mais rápida é a puxada, mais eficiente a depilação.

Terminado todo o arrancamento, as ceras devem ser removidas, usando-se

água ou álcool, conforme a indicação de cada produto. "Então, pode-se passar um hidratante, porque a camada de células mortas que cobria a pele também foi eliminada, deixando exposta uma pele nova. Então, é bom dar uma engorduradinha nela, para proteger. Só não se deve usar cremes à base de ácidos, emolientes ou álcool, porque vai arder muito. Estes produtos só poderão ser usados depois de três ou quatro dias, após um período de repitalização. As melhores opções são os produtos à base de silicone, colágeno e elastina."

Outra recomendação, segundo Eliana, é de não se tomar sol em seguida à depilação, principalmente se foi usada cera com limão. Neste caso, a pele pode manchar. De qualquer forma, independentemente do método, a pele fica muito sensível depois de uma depilação, então a exposição solar pode agredi-la, fazendo surgir aqueles pontos vermelhos, em volta dos poros.

Pêlos encravados e lâminas

"O problema do pêlo encravado é que ele é um fio grosso e fraco, ou seja, ele é espesso mas não tem força para romper a pele. Então, ele cresce por dentro, enrolado, e acaba inflamando, vira ferida, vai manchando a pele. Quem tem esse problema não deve, por exemplo, usar lâminas."

Eliana comentou que a gilete é o método mais usado pelas mulheres, principalmente por ser mais barato, prático e por não doer. Neste procedimento, o pêlo é simplesmente cortado rente à pele, sem afetar a raiz, de forma que o fio vai voltar a crescer, cada vez mais forte e grosso.

A vantagem, segundo a dermatologista, é que a pele não sofre agressão: "A lâmina só passa pela camada de células mortas, que acaba ficando um pouco esfoliada, mas não tem problema, porque esse tecido ia sair mesmo. Claro que a pessoa tem que saber usar a lâmina, para não se cortar toda, mas não agride, porque não arranca o pêlo, não traumatiza a raiz, não usa temperatura alta. Então, é o método menos agressivo, sem dúvida". Porém, exige que a depilação seja feita mais freqüentemente.

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