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Ciclismo

Marcos Zibordi
| Tempo de leitura: 8 min

Cicloturistas vão pedalar 2 mil Km até o Paraguai

Cicloturistas vão pedalar 2 mil km até o Paraguai

Texto: Marcos Zibordi

Em mais um projeto "Pedal na Estrada", ciclistas vão atravessar o Paraná, Argentina e Paraguai durante 1 mês

Esporte Regional - Nos últimos meses, os "pedais" de Luiz André Chella, 30 anos, e Edenilson Rogério Veríssimo, 26 anos, estão levando os ciclistas para várias cidades da região. Um dia eles saem de Bauru

à tarde e pedalam até a cachoeira da Zillo, para voltar no começo da noite. Outro vez eles saem pela manhã, pedalam até Arealva e voltam. Outras vezes, uma pedalada até Botucatu. Essas curtas viagens, cujo trajeto varia de cinquenta a cem quilômetros, sempre em pontos turísticos, fazem parte da preparação para uma viagem muito mais longa e ousada: os dois ciclistas vão pedalar durante um mês por 15 cidades, de Jacarezinho, divisa dos estados de São Paulo e Paraná, até Ciudad del Leste, no Paraguai.

O percurso cicloturístico prevê a passagem por 6 cidades do Paraná, mais 5 na Argentina e 4 no Paraguai. Serão 2 mil quilômetros pedalados durante quase 1 mês.

Este é o maior desafio do projeto "Pedal na Estrada", que já realizou, através dos seus ciclistas, viagens de travessia do estado de São Paulo, do estado do Mato Grosso, indo até a Bolívia, entre outras.

Segundo Chella, o projeto "Pedal na Estrada" é uma iniciativa que une esporte e turismo (cicloturismo). "É uma proposta séria ligada à ecologia e saúde. Nós não somos malucos que estamos saindo por aí de bicicleta. Existe um projeto, que é o Pedal na Estrada. Eu tenho certeza que quando a gente encontrar uma empresa que queira entrar junto com a gente para lutar pela ecologia, dentro dessa filosofia, que esteja disposta a fazer uma campanha, não

é só para reverter em publicidade. É chegar num lugar, ver, voltar e contar a experiência. É uma nova visão de mundo, o dinheiro perde a importância.

É viver, fazer e trabalhar em cima disso".

Como prova, os ciclistas voltam dessas viagens com novas histórias de lugares descobertos, com as quais estão montandos "books" para divulgação do trabalho. O objetivo é usar o material para divulgação educativa do cicloturismo, principalmente com crianças e jovens nas escolas. "É para a pessoa ver que bike não é um negócio. Você tem que descobrir que pode ir, e de bike", completa Veríssimo.

Preparação

Segundo os ciclistas, a preparação para a viagem são os percursos que eles fazem constantemente, como cicloturistas, em praticamente todos os pontos da região. Uma viagem acaba sendo a preparação para a próxima, projetando novos desafios, percursos mais ousados e muitas surpresas. Fazer cicloturismo é sempre querer fazê-lo de novo.

Os ciclistas já tem experiência em viagens de longa distância. Em 97, a mesma dupla atravessou o Mato Grosso do Sul até a Bolívia, em treze dias, completando 1.119 quilômetros pedalados. "Agora a gente sabe o que levou e não usou e o que não levou e faltou", resume Veríssimo.

Montados em suas bikes profissionais "Trek 930", que pesam exatos 13 quilos, eles levarão ainda o peso adicional do equipamento. Ele não pode pesar mais que trinta quilos, entre a barraca, ferramentas e alimentação (leia quadro sobre equipamentos de viagem).

A dupla espera fazer uma média de 20 quilômetros horários, sem contar com os imprevistos. "Você se vira na hora, é imprevisível. Chove, cai barreira, acidentes", diz Chella.

Os cicloturistas saem para viajar com o nascer do sol. Durante o dia, pedalando, eles chegam a tomar até 8 litros de água. Fazem uma parada para almoço e outra para jantar, mas durante o percurso tomam refrigerantes, comem frutas, coca-cola, doce e sucos, para manter o corpo hidratado e alimentado.

Viagem Brasil-Argentina-Paraguai

O primeiro trecho da viagem começa em Jacarezinho, no dia 1 º de fevereiro. As 8 cidades que serão percorridas no estado do Paraná dão um percurso total de 672 quilômetros. Eles esperam completar a travessia em um pouco mais que 8 dias.

Os cicloturistas imaginam que no Paraná o percurso não deverá ser solitário, porque existem cidades a cada 30 quilômetros. Ele encontrarão um clima um pouco mais frio, com serras e plantações de soja e trigo.

A segunda etapa na Argentina, percurso quase desconhecido por eles, começa na cidade de San Ignácio e termina em Formosa. A previsão é de atravessar os 640 quilômetros em 8 dias, com clima frio, apesar do percurso ser quase todo no norte do país.

Depois de atravessarem 2 fronteiras internacionais, Chella e Veríssimo passarão a terceira, que os levará para o Paraguai,

última etapa do percurso. Neste país eles imaginam ficar 6 dias, para atravessarem de Assumpção à Ciudad del Leste, passando por 4 cidades, no trecho final de 400 quilômetros.

Pedalar em dupla é o idel para este tipo de viagem. "Você sabe que é a pessoa com quem você vai passar o dia", diz Veríssimo.

Apesar do cronograma estabelecido, algumas pequenas mudanças no percurso e na duração da viagem podem acontecer.

"Cada um vai fazer seu pedal, sua viagem, mas tem um pronto para ajudar o outro. Então o cara vai sossegado. Tem dia que a gente nem conversa", diz Chella. "Mas não anda 3 horas sem ver o cara", completa Veríssimo.

Depois que cumprirem o percurso, eles voltarão de ônibus com a missão cumprida e muitas histórias para contar, paisagens na cabeça, lugares descobertos e muitas fotos de mais um "Pedal na Estrada". A sensação que fica de um circuito cicloturístico como este é resumida por Veríssimo: "É você poder falar: fui lá e fui de bike".

Serviço

As empresas que se interessarem em participar do "Pedal na Estrada" nesta viagem, podem entrar em contato pelo telefone

(014) 230 4162.

30 quilos de equipamento indispensável

Suporte de garupa da bicicleta

Alforges (bolsas laterais)

Em cima do alforge, mais uma bolsa pequena, uma barraca, saco de dormir com cobertor enrrolado.

Dentro da bolsa vai a roupa: uma bermuda de lycra, uma calça de moleton, um abrigo, 2 pares de meia, 2 cuecas, 2 shorts e 1 chinelo.

O alforge carrega estojo de primeiros socorros, uma câmara de ar e um pneu de reserva, uma chave de raio, alicatinho, chave de corrente, uns raios, 1 câmbio traseiro, sapatas de freio, aranha, farol e água.

Cicloturismo permite descobrir o mundo em 2 rodas

Texto: Marcos Zibordi

"Ao invés de ir de carro, de moto ou de balão, você vai de bicicleta"

"Para curtir um lugar bonito, se você vai de moto, você passa pela paisagem a milhão. De carro tem uma capota e também passa muito rápido pela paisagem. De bicicleta, se passa um passarinho você vê, ouve, faz um barulhino no mato ao lado e você escuta, não assusta os bixos porque a bicicleta não faz barulho e a vista da paisagem é total". Esta frase de Veríssimo resume a idéia do que é fazer cicloturismo, uma das modalidades mais acessíveis dentro dos esportes ecologicamente corretos.

Segundo os ciclistas do "Pedal na Estrada", qualquer pessoa pode fazer turismo de bike, até percursos de longa distância. Segundo eles, o ritmo é definido através do rendimento do próprio atleta. Ele mesmo descobre seu ritmo e se descobre com a bike.

Segundo Chella, "bicicleta mudou a minha vida, tornou-se filosofia. Meu maior sonho é poder viver de bike, não só pedalar, mas divulgar o cicloturismo". Veríssimo

é da mesma opinião: "Bicicleta é uma forma de vida. Eu não tenho carro, nem moto. A bicicleta são as minhas pernas. Vou para qualquer lugar de bike".

O conhecimento profundo da natureza também é outro aprendizado vivido pelos cicloturistas. "A gente vê, sabe onde tem queimada, o que foi desmatado, o que não foi, bixo atropelado. Você vê e vive a natureza", explicam.

Lembranças de Bonito

A cidade de Bonito, no Mato Grosso, foi um dos lugares visitados pelos cicloturistas do "Pedal na Estrada". Tido como um dos pontos turísticos mais belos do Brasil, a dupla chegou até ele de bike, na viagem que fizeram até a Bolívia, cruzando o estado do Mato Grosso, em outubro de 97.

Veríssimo conta que Chella "não estava muito a fim de ir para Bonito. Ele queria cumprir o percurso, atravessar o estado. Mas fomos. Pegamos uma quebrada de cem quilômetros na terra, trilha linda".

Faltando vinte quilômetros para chegarem, eles descobriram uma espécie de Robson Crusué perdido no meio do nada, que cuida de um bar onde só se vende cerveja e mortadela.

"O bar do seu Oto era no meio do nada, cheio de araras e um monte de borboletas".

Segundo Chella, "é o lugar mais bonito do Brasil,

é magico". Eles dizem que a consciência da população local é totalmente voltada para a preservação. Eles estão totalmente integrados com a natureza.

A cidade é totalmente limpa. Os rios, corredeiras e cachoeiras são as mais belas que os ciclistas visitaram. Existem árvores centenárias, jequitibás, mata virgem com toda a fauna e flora em perfeito estado. Os pássaros, macacos e outros bixos convivem pacificamente com os habitantes, como se nenhum interferisse na vida do outro. Os ciclistas avaliam como um dos mais belos locais de Bonito a Gruta do Lago Azul. Segundo eles, é preciso descer trezentos metros até chegar ao lago no fundo da gruta. Certa hora do dia, o sol ilumina a entrada e o lago fica totalmente azul. Neste momento, dá para ver um fóssil de Tigre Dente de Sabri, encrustrado no fundo do lago.

A ilha do Padre é outro ponto indicado pela dupla. Para chegar até ela, é preciso descer 7 quilômetros de corredeira, o que se constituiu numa aventura à parte.

"Alí em Bonito, chegando de bike, você vê que dinheiro não é nada. O que é que você vai fazer com ele em Bonito? Naquele momento ele não é nada. O que você quer já tem, que é chão para pedalar, bicicletinha e a natureza do Brasil, que é a mais linda do mundo".

A opinião deve ser levada à serio. Eles fizeram o percurso.

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