Técnica Russa combate a flacidez e modela o corpo
Técnica Russa combate a flacidez e modela o corpo
Texto: Gustavo Cândido
Método de estímulo elétrico que pode ser modulado em várias freqüências surgiu depois de exames em cosmonautas
Surgida na década de 80, a estimulação russa, ou corrente russa, como também é conhecida, foi desenvolvida para resolver os problemas de fadiga, flacidez e perda da massa muscular dos cosmonautas russos que ficaram oito meses em órbita na estação espacial Mir. A ausência de gravidade e conseqüente falta de exercício, prejudicou tanto a musculatura dos operadores da estação que ao voltarem à Terra, mal conseguiam ficar em pé. Hoje, a corrente russa é usada, entre outras coisas, para combater a flacidez de mulheres que acabaram de ter filhos, modelar o corpo e enrijecer os músculos.
Para devolver aos cosmonautas, recordistas de permanência no espaço na época, a sua mobilidade, os cientistas russos pesquisaram intensivamente para desenvolver um aparelho capaz de atuar com eficiência e rapidez na recuperação dos músculos.
A solução veio do professor de medicina desportiva da Academia do Estado em Moscou, Yakov Kots, que criou um aparelho que modula freqüências de eletroestimulação, assim, ao entrar no corpo o aparelho é sintonizado em baixa freqüência. Logo em seguida, coloca-se uma freqüência mais alta, que penetra mais na pele, atingindo o músculo, sem causar dor ou incômodo. Aparelhos de baixa freqüência já existiam, mas não conseguiam atingir a fibras brancas dos músculos, responsáveis pela perda da massa muscular. Os aparelhos de alta freqüência eram muito doloridos.
Segundo o cirurgião plástico Agnaldo Elon Disarz, com a eletro-estimulação os resultados na recuperação e molde dos músculos e combate à flacidez são muito mais rápidos. Disarz afirma que o aparelho também pode ser usado para a reabilitação de pessoas que ficam muito tempo sem se movimentar (como no caso de alguém que quebra a bacia e não pode sair da cama) e também no combate à osteoporose, uma doença caracterizada pela perda de cálcio do organismo que geralmente atinge os idosos. "Os testes com o aparelho comprovaram que o estímulo dos músculos aumenta a capacidade do corpo de absorver o cálcio", diz o cirurgião, que utiliza o aparelho de corrente russa há mais de um ano.
Tratamento e aparelho
Embora a tecnologia que tenha criado o aparelho seja russa, o equipamento foi aprimorado na Holanda e se resume a um gerador de estímulos elétricos, controlado por computador que, através de cabos com placas na pontas (que são colocadas em contato com a pele) conduzem os estímulos elétricos.
Na hora do uso, o paciente, deitado, tem as placas colocadas, com uma camada de gel, sobre o músculo que vai seu trabalhado e fixadas com uma cinta de nylon, para que não se desloquem, o que desligaria automaticamente o aparelho. Depois de ligado o paciente começa a sentir um "formigamento" no músculo e deve flexioná-lo levemente, retornando
à posição inicial após o término do estímulo que é de aproximadamente de 5 segundos. Após um intervalo de 10 segundos, um novo estímulo
é produzido e o paciente repete o processo.
A corrente russa não tem contra-indicações e também não oferece riscos ao paciente. Em aparelhos antigos a corrente elétrica gerada por eles saia em um polo positivo e um polo negativo, que ficavam em contato com o corpo. Se um dos pólos se soltasse, inevitavelmente a pessoa tomaria um choque. No aparelho desenvolvido pelo Dr. Kots, as placas que ficam em contato com a pele são despolarizadas, ou seja, alteram de polo positivo para negativo a cada momento, impossibilitando o choque elétrico.
Cada sessão com o aparelho pode durar até 40 minutos, normalmente, basta uma série de 20 aplicações, de duas a três vezes por semana para readquirir a forma física.