Cursos de requalificação perdem 36% de verbas em 98
Cursos de requalificação perdem 36% de verbas em 98
Texto: Márcia Buzalaf
O Fundo de Amparo ao Trabalhador (FAT) liberou, em 98, verbas para cinco cursos de qualificação e requalificação profissional em Bauru, parte dos R$ 32 milhões destinados ao Estado no ano passado. Para efeito de comparação, a verba pode ser comparada com a quantia liberada em 97, de R$ 50 milhões.
No ano passado, o Sindicato dos Comerciários realizou o curso técnico e prático de vendas; o Sindicato da Saúde ofereceu o curso de auxiliar de enfermagem; o Sindicato dos Metalúrgicos, ofereceu o supletivo aos trabalhadores; o Sindicato de Processamento de Dados, curso básico, curso de Excel e Word; e no Senac, com o projeto "Educação para o trabalho".
Funcionamento
Os cursos de qualificação e requalificação profissional são projetos apresentados pelos sindicatos de categorias conforme rígidas metodologias para conseguir verbas para o desenvolvimento do projeto, que resultaram até em escritórios de assessorias para a metodologia necessária para a apresentação do projeto. Todas as informações referentes ao curso devem estar detalhadas, como o local, período, professores e todas as informações relevantes.
Depois deste trabalho, o sindicato deve enviar o projeto à Comissão Municipal de Empregos, que checa todas as informações antes de encaminhá-la para a Comissão Estadual de Empregos, que designa a verba.
A grande crítica, no entanto, ao FAT, é que algumas verbas vem sendo liberadas em nível estadual para grandes centrais sindicais, como a Central Única dos Trabalhadores
(CUT), a Força Sindical e a Central Geral dos Trabalhadores
(CGT). Isto quer dizer que, às vezes, chegam algumas verbas na cidade para mão de obra que não existe. Esta
é a afirmação do presidente da Comissão Municipal de Empregos de Bauru, Domingos Malandrino, 40 anos.
"A verba vem e o sindicato tem que correr atrás dos trabalhadores", completa Malandrino.
Na opinião dele, as verbas para cursos na cidade devem chegar através da Comissão Municipal, para que seja mais dirigida aos projetos e sindicatos da cidade.
As verbas, segundo Malandrino, são emitidas diretamente para quem emitiu a nota fiscal. Portanto, todos os gastos para o curso são pagos diretamente a quem forneceu o serviço.
Um órgão foi criado especialmente pela Comissão Estadual para acompanhar os gastos e emissão de verbas, chamado de UniTrabalho.
O convênio com a Universidade Estadual Paulista (Unesp) e com a Universidade de São Paulo (USP) é de aferição e acompanhamento dos projetos, afirma Malandrino.
98
Malandrino afirma que o interesse pelos recursos do FAT cresceu no ano passado, efeito contrário da queda na liberação de verbas para os cursos.
Duas constatações de Malandrino são que aumentaram significativamente o número de projetos negados (em Bauru, o sindicato dos eletricitários teve o projeto, enviado através do sindicato de Campinas, filiado à CUT) e que existem a quantidade de projetos é muito maior do que a liberação de verbas.
Alguns sindicatos - como o dos Trabalhadores em Empresas Ferroviárias de Bauru, Mato Grosso e Mato Grosso do Sul
- acreditam que estes cursos não são capaz de requalificar o trabalhador e que apenas gera sentimento de culpa e frustração.