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Bomba-relógio

Redação
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polícia já sabe quem fabricou a bomba-relógio da Vila Giunta

Polícia já sabe quem fabricou a bomba-relógio da Vila Giunta

A Delegacia de Investigações Gerais/Grupo Armado de Repressão ao Roubo e Assalto (DIG/Garra) de Bauru aguarda o laudo da Polícia Técnica para comprovar que o material apreendido na casa de um suspeito é o mesmo que foi utilizado na confecção de uma bomba caseira detonada pela polícia no último dia 3, na Vila Giunta. Caso a comprovação seja positivada, o suspeito será indiciado em inquérito policial e poderá ter sua prisão preventiva decretada.

As investigações em andamento poderão desvendar outros crimes. O titular da DIG/Garra descarta a possibilidade desse caso estar ligado aos atentados políticos. O nome do suspeito e das vítimas não foram revelados pelo titular da DIG/Garra, delegado J.J. Cardia, para não atrapalhar as investigações. Cardia acredita que com o laudo em mãos e com a conclusão das investigações vários crimes poderão ser esclarecidos, inclusive um homicídio ocorrido em 97.

A bomba-relógio que deu início às investigações foi colocada em uma residência da rua Antônio Espírito Santo e estava programada para explodir às 7 horas. Felizmente, foi descoberta pelo morador, um empresário da construção civil. A polícia detonou a bomba antes que o artefato explodisse.

Já no início das investigações, a polícia descobriu que a irmã do empresário, uma funcionária pública municipal, também já havia sofrido vários atentados, assim como seus dois filhos. "A mulher teve um envolvimento amoroso com um companheiro de trabalho. Após o rompimento do namoro, sua família passou a ser alvo de atentados", explicou Cardia.

O delegado lembra que a família da funcionária pública teve vários carros danificados. "O veículo da funcionária pública foi furtado e queimado. O Fusca do empresário foi incendiado duas vezes. Na primeira delas, as vítimas conseguiram debelar o fogo. Na segunda, houve perda total. O Gol do mesmo empresário foi danificado com ácido", disse.

O veículo Ka, de propriedade da filha da mulher, quase foi incendiado com um coquetel molotov e o veículo Pampa do filho da funcionária foi danificado próximo do Tiro de Guerra. Diante da suspeita, o delegado requisitou autorização judicial e foi até a residência de um ex-funcionário da Prefeitura.

Em seu quarto a polícia encontrou um exemplar do JC com a manchete sobre a bomba-relógio. "Achei estranho porque não havia mais nenhum exemplar na casa. Ele confessou que não lê jornal diariamente e que aquele ele havia ganho e guardou porque é um curioso em artefatos", disse.

Além do jornal, a polícia encontrou um verdadeiro arsenal em sua casa. Dentre os materiais apreendidos, há relógio despertador semelhante ao usado na bomba, pedaços de madeira, como os utilizados na bomba, pistola de brinquedo, projéteis de calibre 12, controle remoto, algema, fios e inúmeros objetos próprios para confecção de bombas.

Suspeito tinha arma potente que seria para caçar tatu

Em uma engenhoca encontrada na residência do suspeito há inscrição do modelo "AI-base normal-made in Novo Horizonte". O artefato tem capacidade para disparar projéteis de calibre 12 a longas distâncias. "É uma arma artesanal que pode ser detonada há 60 metros de distância", explicou o titular da DIG/Garra, J. J. Cardia.

O suspeito declarou para a polícia que construiu o artefato para caçar tatu. Porém, o delegado alerta que um disparo de calibre 12 destruiria até o casco do tatu. "Não sobra nada do animal", disse o delegado.

O controle remoto encontrado na casa é, na verdade, o controle de automodelismo que, segundo o suspeito, foi adquirido porque ele pretendia praticar o esporte e estava se equipando para isso. A explicação dada por ele para a existência de uma pistola de brinquedo foi de que não podia adquirir uma verdadeira e optou por uma em material plástico.

Racismo

O rompimento do caso amoroso entre a funcionária pública e o suspeito aconteceu após ele ter descoberto que cinco anos antes deles se conhecerem, ela havia tido um envolvimento amoroso com um homem negro.

"Como ele não suporta negros, largou dela. Meses depois, o ex-namorado da mulher apareceu morto no rio Tietê, na cidade de Itapuí. O crime não foi esclarecido até hoje", explicou Cardia. O carro da vítima foi queimado e encontrado na cidade de Salto Grande.

Homicídio não esclarecido

O homicídio do ex-namorado da funcionária pública, um homem negro, cujo nome não foi revelado, pode estar ligado ao ódio nutrido pelo suspeito contra pessoas da raça negra. Coincidentemente, na época do crime, o acusado tinha um revólver Taurus 38 que ele confessou ter adquirido de uma pessoa no Parque Jaraguá. A arma teria sido vendida, posteriormente, na feira do rolo, a um desconhecido.

A algema, suspeita a polícia, pode ter sido usada para imobilizar a vítima e foi adquirida em uma loja de caça e pesca de Bauru. O suspeito disse para a polícia que a adquiriu por curiosidade.

O mais intrigante, segundo o delegado J.J. Cardia, é que o número da placa do Monza da vítima ainda é lembrada pelo suspeito. "Ele confessou o número da placa e disse que, certa vez, consultou a mãe Dinah para saber seus números de sorte para os jogos. A partir de então, começou a gravar número de placas para tentar ficar rico. Ele diz que não conhecia a vítima, que só havia visto uma foto 3x4 dela na casa da ex- namorada", disse o delegado.

Outra coincidência encontrada pela polícia é que em todos os atentados as testemunha viam uma moto vermelha com um rapaz passando pelo local. "Ele tinha uma moto com as mesmas características das descritas pelas testemunhas, de acordo com o delegado.

Cardia acredita que em pouco tempo poderá concluir as investigações e encaminhar o caso para o 1.º Distrito Policial, área em que a bomba-relógio foi encontrada. "Se comprovado, o suspeito será indiciado em inquérito por vários crimes e poderá ser preso, por força da prisão preventiva", explicou Cardia.

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