Banespa não recua na negociação salarial
Banespa não recua na negociação salarial
Texto: Márcia Buzalaf
A negociação salarial dos funcionários do Banespa está barrada por um impasse. De um lado, o banco, que apresentou proposta de revisão de 34 cláusulas contratuais, reajuste salarial de 0,5% a partir de janeiro e fim da estabilidade de emprego para os funcionários que participam dos conselhos representativos. De outro, os sindicatos, que não aceitam o reajuste nem alteração nos direitos já adquiridos da categoria.
No dia 30 de dezembro, o banco apresentou a proposta de reajuste salarial zero, abono salarial de R$ 1 mil e revisão de 34 cláusulas contratuais, sendo que o Banespa exige a extinção de 11 delas e alteração de 23.
De acordo com o diretor de imprensa do Sindicato dos Bancários e Financiários de Bauru e Região, Marco Aurélio Silvestre, 32 anos, que participou da negociação em São Paulo, a única alteração da proposta inicial do banco foi de aumentar o reajuste salarial para 0,5% a partir de janeiro, não tendo o efeito retroativo para abranger o período desde a data-base da categoria, que foi em setembro.
Entre as 34 cláusulas que o Banespa está propondo para alteração, Silvestre destaca uma que termina com a obrigatoriedade de aprovação dos funcionários para qualquer mudança no regulamento de pessoal do banco.
"Hoje, uma cláusula que faça parte do acordo coletivo e que conste no regulamento de pessoal, para haver qualquer mudança, o representante de pessoal tem que concordar com isso", completa Silvestre.
"Desestatização"
Além disso, o banco está propondo o fim da estabilidade de emprego para os representantes da associação de funcionários têm. "Eles querem acabar com isso justamente na fase de privatização do banco. Eles querem acabar com a estabilidade para nos demitir e, assim, acabar com a resistência ao processo de privatização", completa.
Silvestre acredita que a proposta do banco visa facilitar a privatização do Banespa. Além disso, os termos desta proposta são evasivos.
De acordo com Silvestre, o que o banco quer fazer é barrar qualquer tipo de manifestação contra a privatização do Banespa. De acordo com as informações que o sindicato dispõe, o Banespa deve ser privatizado por volta de maio deste ano.
Na próxima quinta-feira, os dirigentes sindicais e os conselhos de funcionários do Banespa vão organizar uma reunião para discutir a proposta. Em seguida, Silvestre afirma, serão realizadas assembléias para a elaboração de um calendário de protesto e comunicar ao banco o a posição decidida.