Sindtran pede mesa-redonda na Procuradoria do Trabalho
Sindtran pede mesa-redonda na Procuradoria do Trabalho
Texto: Fabio Turci
O presidente do Sindicato dos Trabalhadores em Transporte Rodoviário em Geral de Bauru (Sindtran), Elias Pinheiro da Silva, protocolou anteontem, na Procuradoria Geral do Ministério Público do Trabalho da 15ª região, em Campinas, pedido de convocação de mesa-redonda com representantes da ECCB, Viação Terra Branca (VTB), TUA, Kuba, Emdurb e do Ministério Público de Bauru, além do próprio sindicato.
"Nós vamos procurar, pelas vias legais, tomar todas as providências que garantam o mínimo possível para o nosso representado. Na empresa (ECCB), na Emdurb e no Poder Público, nós não temos condição de confiar", disse Silva, que voltou a questionar a posição oficial da ECCB segundo a qual não foi feita qualquer negociação.
"Nós não somos idiotas, nem somos tão otários assim", afirmou, reiterando a existência de guichês individuais para a ECCB e para a Viação Terra Branca (VTB) para o acerto das viagens pelos cobradores. A VTB é a empresa de Baltazar José de Souza, suposto comprador da ECCB. "Existe uma outra empresa operando dentro da ECCB", avalia.
No pedido protocolado em Campinas, o Sindtran explica a atual situação da empresa e dos trabalhadores e pede,
"para a tranqüilidade dos trabalhadores e na tentativa de um esclarecimento sobre a real situação da empresa", a convocação da reunião. Na discussão com os envolvidos no setor de transporte coletivo em Bauru, o sindicalista espera buscar respostas para questionamentos que têm conseguido vulto diante das incoerências entre as declarações oficiais e a constatação dos funcionários da ECCB. O sindicalista considera, por exemplo, que é intrigante o possível interesse de um empresário na compra de uma empresa que, segundo ele, tem dívida equivalente a quatro vezes seu valor de mercado e cuja concessão para exploração do transporte público em Bauru só vai até o ano que vem.
"A menos que haja outras negociações e uma simples canetada possa adiar essa concorrência para oito, dez ou doze anos depois. Agora, isso não é muito fácil. Seria essa a intenção desses envolvidos?
(...) Alguém estaria fazendo algum tipo de retratação?", questiona, contando que, no último dia 25, foi instruído pela empresa de que seria o momento de recuar nas divergências com o Poder Público, tratando-se de um "recuo estratégico" para, no devido momento, retomar as denúncias.
Silva também admite a hipótese de estar sendo criada a VTB dentro da ECCB, diante da constatação de que a empresa bauruense já não seria mais recuperável, para dar a esta condições de manter a concorrência até 2000. Com o fim da concessão, conforme o raciocínio de Silva, seria provocada a falência da ECCB e a VTB participaria da nova concessão.
Silva também teme que a VTB, assumindo o espaço de atuação da ECCB, proponha acordos irregulares para aproveitar os trabalhadores. "Nas dificuldades em que os trabalhadores se encontram, para garantirem o novo emprego, acabam aceitando".
Ontem, conforme o sindicalista, a ECCB fez o pagamento dos vencimentos de dezembro, conforme acordo pré-estabelecido.