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Produção de leite

Márcia Buzalaf
| Tempo de leitura: 8 min

Projeto beneficia produtores de leite

Projeto beneficia produtores de leite

Texto: Márcia Buzalaf

Leite tratado para o mini, micro e pequeno produtor: este é o objetivo principal do projeto "Leite saudável na leiteira". O elaborador do projeto, Marcos Venício Pereira Ramos, 37 anos, pretende levar a idéia para todos os municípios do Estado. Antes, porém, o projeto deve ser apresentado na Secretaria da Agricultura do Estado de São Paulo, através do o vice-presidente da Federação da Agricultura do Estado de São Paulo e presidente do Sindicato Rural de Bauru, Maurício Lima Verde Guimarães, 60 anos.

O mini, micro e pequeno produtor de leite no Brasil pode seguir dois caminhos: ou vender sua produção diretamente para o consumidor, ou vender para os laticínios, que pagam cerca de R$ 0,14 por litro e vendem o produto por R$ 0,48.

Quando o produtor opta por vender a produção diretamente para o consumidor, os custos ficam bem mais altos, já que ele tem que arcar com transporte, embalagem, funcionários entre outros. Além disso, considerando que este leite não

é beneficiado, os riscos junto aos órgãos de fiscalização e em relação à saúde são significativos, já que, muitas vezes, o leite é fornecido em embalagens do tipo PET.

As doenças mais graves causadas pelo leite não-tratado, segundo Ramos, são a tuberculose e a leptospirose. "São doenças que podem ser transmitidas pelo leite não-beneficiado", completa.

No segundo caso, quando o laticínio compra toda a produção de leite, o preço do litro quase não dá para cobrir os custos da produção.

Por estes motivos, o programa "Leite saudável na leiteira" pode trazer benefícios para várias áreas, de acordo com o elaborador, Ramos. A forma para que isso aconteça

é a construção de uma usina beneficiadora de leite municipal, que fizesse o tratamento do produto em troca de 10% da produção. Esta quantidade deve ser canalizada para as merendas escolares e programas municipais.

Parceria

Esta parceria entre o pequeno produtor, o município e o Estado, de acordo com Ramos, funcionaria da seguinte forma: o governo estadual entraria com recursos para a compra dos equipamentos necessários para o beneficiamento do leite, com o prédio

(que pode ser adequado em algum prédio da administração) e veículos de transporte.

Para ter o leite beneficiado e embalado, o produtor teria que fornecer 10% da produção total para o município, como forma de pagamento pelo serviço prestado.

Embora esteja estabelecido uma porcentagem de 10% da produção em troca do beneficiamento, Ramos afirma que esta quantidade pode ser estudada conforme as disposições e demanda de cada município. "Esta quantidade, vai ser estudada em cada caso, de acordo com a demanda e produção", afirma.

Se o pequeno produtor fosse beneficiar o leite em um laticínio, de acordo com Ramos, ele perderia cerca de 75% da produção nos custos. "Com o programa, ele deixa de ganhar 10%, mas ganha o leite beneficiado", completa.

A usina beneficiadora de leite poderia fornecer o produto dentro das normas do Serviço de Inspeção Federal

(Sife) e do Serviço de Inspeção do Estado de São Paulo (Sisp).

Governos

A quantidade da produção que as prefeituras municipais teriam para beneficiar o leite poderiam ser revertidas para a merenda escolar, asilos, creches, hospitais e programas municipais.

O projeto deve ser encaminhado, primeiramente, para o governo estadual e, depois, para os prefeitos municipais.

O grande motivo para a aprovação do projeto em nível estadual, segundo Ramos, é a geração de empregos que a usina beneficiadora de leite poderá trazer. "A Secretaria de Agricultura tem interesse neste tipo de projeto", alega Ramos.

De acordo com ele, serão gerados cerca de 20 empregos diretos na usina beneficiadora, sem contar os empregos indiretos, que abrangem desde o setor de material de análise do leite até a indústria que comercializa os equipamentos.

Confirma a mesma posição Guimarães, do Sindicato Rural de Bauru. Ele afirma que o projeto vai ser encaminhado para a Federação da Agricultura do Estado de São Paulo, que é formada por 18 comissões. Uma das comissões, a de leite, tem representantes dos 500 municípios do estado e poderá ter interesse no programa.

Guimarães afirma que deve encaminhar uma cópia do projeto no começo de fevereiro, quando a Federação volta às atividades. Depois, ele diz, a comissão deve chamar Ramos para fazer uma apresentação dos pontos principais do programa, que tem o nome provisório de "Leite Saudável na Leiteira".

O município, a partir de uma apresentação do projeto, pode resolver instalar a usina sem mesmo a confirmação de adesão do Estado. Neste caso, o projeto terá que ser apresentado na Câmara Municipal para votação.

Usina

Para uma produção de 10 a 12 mil litros por dia, a usina demandaria R$ 50 mil em equipamentos, que devem ser somados ao custo de obras e instalações, de R$ 60 mil. O custo mensal de manutenção do programa para esta quantidade de produção, segundo Ramos, é de R$ 9,5 mil a R$ 11 mil, dependendo da região. "Na região de Araraquara, o custo é mais baixo; nas cidades perto de São Paulo, o custo aumenta", completa.

Atualmente, os municípios compram leite em sua maioria das padarias, deixando de lado os pequenos produtores. "Poucos laticínios vendem para a Prefeitura; as padarias é que entram na concorrência", afirma Ramos. A única exceção fica com o leite em pó, que tem a concorrência feita através do Governo do Estado.

Ramos afirma que o projeto deve ser apresentado, em breve, para a apreciação da Coordenadoria de Assistência Técnica Integral (CATI).

De acordo com Ramos, o programa não desclassifica o produtor clandestino. Muito pelo contrário: faz com que ele troque parte da produção - 10% - pelo tratamento de toda a produção, que poderá ser comercializada por um preço muito mais competitivo e poderá, inclusive, ter o nome do produtor na embalagem.

Projeto: "Leite saudável na leiteira"

Primeira etapa - viabilidade do projeto:

- estudos preliminares

- pesquisas

- parecer técnico

- reunião com produtores de leite

Segunda etapa - fechamento das parcerias:

- encaminhamento do projeto ao órgão estadual

- acordo das parcerias entre governos e produtores de leite

- assinatura do convênio

- agenciamento e encaminhamento para liberação de recursos

- liberação de recursos

Terceira etapa - assessoria das instalações físicas:

- lay-out do prédio da usina beneficiadora

- lay-out das instalações industriais

- supervisão com acompanhamento técnico da construção e das instalações industriais

- supervisão e vistoria da qualidade dos materiais empregados e da mão-de-obra dispensada

Quarta etapa - implantação do programa:

- controles

- teste de produção

- teste de distribuição

- análise de eficiência e resultados finais baseados nas metas planejadas pelo projeto

Quinta etapa - acompanhamento:

- custo-benefício que o programa está atingindo nas áreas sociais, políticas, econômicas e humanitárias.

Agendinha

De acordo com o informe mensal realizado pela Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe), relativo a dezembro

último, a produção da safra mundial 98/99 deste mês em comparação com novembro apresentou queda na produção dos seguintes produtos: trigo, grãos forrageiros (milho, cevada, centeio, aveia e sorgo) e milho. Mantiveram-se em pequena elevação o arroz beneficiado, a soja, o farelo de soja, o óleo de soja e o algodão.

Leilão

- Será realizado no Recinto Boi Bravo, neste sábado, 16 de janeiro, às 15 horas, o leilão de gado de corte. Durante o leilão, cerca de mil animais serão ofertados, entre machos e fêmeas dos melhores criadores de gado de corte. Mais informações na Sampaio Ferraz Leilões: (014) 238-2215, em Marília.

Saúvas

- O controle integrado de saúvas é o tema do curso organizado pela livraria e editora AgroEcológica, de Botucatu. O curso deve abranger desde as falhas no controle tradicional de saúvas até o controle integrado. O curso terá a duração de dois dias, 30 e 31 de janeiro, no Primar Plaza Hotel de Botucatu. Mais informações: (014) 821-1866 ou 821-4991.

Minhoca e húmus

- Itapecerica da Serra será sede do curso de produção de minhoca e húmus no próximo domingo, dia 17. Mais informações: (011) 6956-5614.

Turismo

- Um curso de turismo rural será realizado em São Paulo neste final de semana. O curso é dirigido para o turismo rural e para proprietários rurais. Mais informações:

(011) 216-4956.

Florestamento

- Nos dias 23 e 24 deste mês, será realizado, em Botucatu, o curso de implantação de florestas com espécies nativas. Informações podem ser obtidas pelo fone: (014) 821-1866.

Água, vida

- A Fundação Cargill está lançando o livro "Água, Vida", parte integrante de um acervo de 200 obras com temas relativos à ecologia e à preservação da natureza. O livro aborda todas os temas relativos à água, com 111 páginas de fotos de 22 profissionais retratando a água em vários ambientes.

É lançado o calendário da

"Paint Horse"

O calendário de 99 da Paint Horse está sendo lançado em todo o Brasil. Disponível para ser adquirido na sede nacional da Associação Brasileira dos Criadores do Cavalo Paint (ABC Paint), em Bauru, o calendário traz imagens de garanhões importados dos Estados Unidos feitas pelos maiores fotógrafos de cavalo do País.

De acordo com Lucas Machado, 27 anos, assessor de imprensa da ABC Paint, entre os fotógrafos que têm seus trabalhos registrados no calendário anual, estão Álvaro Maya, Fernando Megali, Marcelo Pernice e o bauruense Celso Melani.

O calendário é todo feito em papel couchê e formato americano.

Machado afirma que uma das fotos do calendário é do cavalo bauruense, Eternal Doctor, que é o protagonista da novela Estrela de Fogo.

Serviço

Mais informações podem ser adquiridas na sede da ACB Paint, avenida Comendador José Silva Marta, quadra 36. O telefone da sede da associação é : 236-3000. A ABC Paint pode ser encontrada na Internet através do site: www.banet.com.br/painthorse. O e-mail da associação

é: paint@blv.com.br.

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