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Mudança cambial

Márcia Buzalaf
| Tempo de leitura: 5 min

Mudança no câmbio pode favorecer indústria

Mudança no câmbio pode favorecer indústria

Texto: Márcia Buzalaf

A mudança na política cambial anunciada na quarta-feira pode alterar positivamente o setor industrial, afirmou o diretor estadual do Centro das Indústrias do Estado de São Paulo (Ciesp) em Bauru, Ricardo Marques Coube, 45 anos. Segundo ele, se o governo mantiver o que sinaliza atualmente - uma política mais desenvolvimentista - o sucesso das medidas poderão beneficiar o setor produtivo.

As medidas, se analisadas tecnicamente, atendem aos anseios da classe industrial, afirma Coube. O grande problema que Coube vê nas medidas é o momento em que elas foram tomadas. "O Brasil perdeu grande chances de alterar câmbio no passado em condições muito melhores do que as atuais - e não o fez", diz Coube.

Ele afirma que o presidente Fernando Henrique protelou a promoção de uma política mais desenvolvimentista, que vem sendo o anseio de toda a sociedade e, principalmente, da camada produtiva da economia. "Infelizmente, isso tudo está acontecendo em uma hora difícil", alega Coube.

A situação dos estados brasileiros e o compromisso firmado com o Fundo Monetário Internacional (FMI) são dois agravadores do momento econômica, afirma Coube. "Isso tudo, vindo em um momento deste, é fácil questionar se, o que seria bom, vai dar certo nos prazos e no timming estabelecidos", completa Coube.

"Brazil"

Mesmo o momento não sendo propício para o alargamento da banda cambial, Coube afirma que as medidas melhora bastante o equilíbrio da balança comercial e pode favorecer a exportação.

A situação "criada" pelo governo federal no meio da semana, segundo Coube, abre perspectivas favoráveis para a queda das taxas de juros. "O fator câmbio pode ser contrabalanceado por quedas de juros que vão, também,

`amortizar' as medidas do ajuste fiscal aprovadas de aumento de tributação", alega Coube.

Câmbio

A mudança no câmbio, segundo Coube, encarece a importação e favorece a exportação. As consequências desta constatação podem ser positivas para parte da produção industrial brasileira, mas pode, também, trazer problemas para a indústria.

O ponto negativo da dificuldade de importação é quanto à falta de matérias primas que fazem parte de produtos nacionais. A variação de preço dos insumos importados poderá ocasionar elevação de custo de produtos produzidos no Brasil, segundo Coube. "Isso pode gerar uma pequena pressão inflacionária, mas que seria normal", analisa.

O efeito de crescimento mínimo na inflação, Coube alega, tem como causa a demanda de consumo retraída.

"Por isso, haverá um esforço muito grande das empresas em não repassar isso para os preços", completa.

O aumento da tributação pode ser amenizada no preço pela queda nas taxas de juros a médio prazo, a não ser na empresa que não está com situação financeira ajustada.

Investidor deve manter as aplicações

Texto: Márcia Buzalaf

O poupador deve manter o capital investido na aplicação financeira em que está, afirma o gerente de mercado da Caixa Econômica Federal (CEF), Paulo Lima, 37 anos.

Entre as alterações, está a saída momentânea da Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira (CPMF) e a entrada do Imposto sobre Movimentação Financeira (IOF), de 0,38% a partir de 24 de janeiro. Estes dois fatores devem alterar os rendimentos das aplicações.

Os fundos de renda fixa que são indexados em DI (Depósito Interbancário), que acompanham as taxas do Banco Central, são as aplicações mais aconselhadas para o investidor, afirma Lima. Segundo ele, os fundos são baseados nos papéis de vários bancos e, por isso, também são seguros. "Um fundo é composto por papel de outros bancos, letra de câmbio, papéis do governo.

Em termos de ganho, o fundo DI é o que mais se aproxima hoje do mercado", afirma Lima quando diz que ele também

é flutuante, e varia conforme a variação do depósito interbancário.

Lima também lembra que os fundos de renda fixa não terá a incidência de IOF toda vez que for reaplicado.

"Só quando você tira da conta corrente e manda para o fundo, você, hoje, paga uma vez a CPMF", explica.

A caderneta de poupança, entretanto, tem taxas mensais menores. Mesmo assim, é uma aplicação segura, já que possui um fundo garantidor. Vale lembrar que a caderneta de poupança tem isenção do Imposto de Renda e, sobre esta aplicação, a partir de 24 de janeiro, não será cobrado nem o IOF nem a CPMF.

Os CDBs geralmente vencem de 35 em 35 dias, o que acarreta a reaplicação do capital. Consequentemente, o IOF vai incidir sobre o capital cada vez que os recursos forem reaplicados. Sobre os CDBs, incidem 20% de IR e 0,38% de IOF sobre a renda investida. "Toda vez que o dinheiro voltar para a conta corrente, você reaplica e vai pagar 0,38% em cima do valor", alega Lima. Atualmente, o CDBs de 35 dias rendem cerca de 2,5%.

Os fundos de ações, a partir de 24 de janeiro, terão apenas a incidência de 10% de IR. A tendência destes fundos, atualmente, são negativas, disse Lima. Segundo ele, a pessoa que aplicou na segunda-feira já perdeu bastante.

Quem tem empréstimo ou qualquer tipo de financiamento vinculado ao dólar, Lima diz, já está pagando 8,96% mais caro. "Quem comprou pacotes internacionais, cartão de crédito, ou tudo aquilo que se esteja comprando em dólar está mais caro", afirma Lima. "Quem está devendo em dólar, disse, está devendo quase 9% a mais", completou.

As taxas de juros nas aplicações e nos empréstimos tendem a subir, afirma Lima. Um exemplo disso foi o aumento assistido pelos CDBs pré-fixados.

Se os juros subirem, os empréstimos também devem acompanhar a elevação, diz Lima. "A tendência neste curto prazo e de aumentar os empréstimos tanto de pessoa física quanto de jurídica", completa.

As perspectivas dos bancos, segundo Lima, é que os juros do mercado bancário caia, até o final do ano, a 15% ao ano.

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