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L.E.R.

Sabrina Magalhães
| Tempo de leitura: 4 min

L.E.R. é a grande preocupação do usuário

L.E.R é a grande preocupação do usuário

Texto: Sabrina Magalhães

Os limites do corpo têm que ser respeitados. Qualquer sintoma suspeito deve ser logo investigado pelo médico

As Lesões por Esforços Repetitivos (LER), também chamadas de Distúrbios Osteomusculares Relacionados ao Trabalho (Dort), têm sido, nas últimas décadas, a grande preocupação dos usuários de computador quando o assunto é saúde. A LER é caracterizada por dores nos braços, ombros, pulsos e mãos, que vão, lentamente, diminuindo a agilidade do trabalho. Se observadas e tratadas a tempo, podem ser controladas e revertidas. Se não, acabam levando a lesões propriamente ditas, com conseqüente incapacitação profissional.

Mas segundo a autora do livro "Computador e Saúde: Manual do Usuário", Joanna Bawa, as LER não são novas. Os primeiros registros delas são do ano de 1700, pelo médico italiano Bernardini Ramazzini, que ganhou o título de Pai da Medicina do Trabalho.

Segundo Bawa, naquela época, o médico já observava o desenvolvimento de processos de adormecimento em trabalhadores que precisavam manter determinada postura dos membros ou realizar

"movimentos não naturais do corpo" enquanto desempenhavam suas funções. Ramazzini também descrevia as rotinas diárias de escribas e notários, explicando e explicava as "enfermidades", que eram resultado de

"contínuo e sempre mesmo movimento da mão; atenção mental, em razão do esforço para não manchar os livros nem se prejudicar ao somar, subtrair ou realizar outras operações aritméticas e também uma contínua vida sedentária".

A autora lembra que tais problemas se multiplicariam drasticamente no século XVIII, depois da revolução industrial na Inglaterra. A LER, no entanto, não atinge unicamente os usuários de computador, mas todos aqueles que desempenham funções com movimentos repetitivos, como costureiras, tenistas, músicos, cortadores de cana, operários de linha de montagem, entre outros.

O que é

De acordo com o fisiatra e neuro... José Antônio Garbino, a LER não é uma doença, mas uma síndrome, ou seja, um conjunto de distúrbios que atingem o pescoço, ombros, braços, mãos e punhos. "É um estado de adoecimento definido ou não, no qual fatores do trabalho podem participar de sua causa. E é exatamente isso que dificulta o diagnóstico, porque o médico tem que considerar os fatores do trabalho e o conjunto de causas que possam estar por trás disso. Por exemplo, as mulheres têm uma tendência maior a ter essa fadiga muscular, porque as fibras musculares femininas são mais frágeis. Distúrbios hormonais, diabetes e outras doenças também podem causar as dores musculares, sem a influência do trabalho, não sendo, portanto, chamadas de LER."

Garbino salientou que os primeiros sintomas da síndrome são as dores musculares, formigamento de braços e mãos, queimação, sensação de peso, principalmente na região dos ombros e pescoço, desconforto, incômodos que não melhoram. Outra observação importante é que quando a dor é causada por movimentos repetitivos, ela desaparece pouco tempo depois que o indivíduo interrompe a atividade. "Então, pela manhã ele não sente nada, o problema vai surgindo no decorrer do dia, aumentando mais e mais até o final da tarde. Daí ele sai do trabalho, vai para casa e algumas horas depois não sente mais nada. Ele passa os finais de semana bem e volta a sentir o mal-estar na segunda-feira. A LER é progressiva, a intensidade dos sintomas aumenta, até que a dor fica contínua, mesmo enquanto ela dorme."

Respeitar o limite é essencial

A questão que muitas pessoas levantam é por que nem todo mundo que desenvolve funções repetitivas desenvolve a LER. Segundo os especialistas, existe uma série de fatores que tornam um indivíduo mais ou menos propenso ao problema. As mulheres, por exemplo, são mais suscetíveis que os homens, por terem estrutura física mais frágil. Pessoas que têm doenças de base ou tendência genética a problemas reumáticos, diabetes, entre outras, também têm mais chances de apresentar as lesões. Mas o que determina mesmo o desenvolvimento dos sintomas é o respeito de cada um aos próprios limites. Neste sentido, manter uma postura correta e confortável e fazer intervalos regularmente é indispensável. Ergonomistas recomendam micropausas de trinta segundos a cada dez ou quinze minutos trabalhados, fazendo-se uma parada de dez minutos a cada 50 de atividades.

Nas micropausas, desviar os olhos da tela e esticar e flexionar os braços, fazer uma pequena rotação de cabeça, esticar e curvar coluna, espreguiçar-se é o suficiente. No intervalo maior, levantar e ir ao banheiro, à cozinha ou simplesmente para guardar um papel. O importante é relaxar os músculos e se "desligar" do computador por alguns instantes. "As evidências mostram que as micropausas, desde que com hora certa e praticadas com regularidade, mantêm os usuários de computador mais felizes, mais saudáveis e mais produtivos a longo e curto prazos", comenta Bawa.

Sintomas mais comuns:

* Sensação de peso e fadiga

* Dor

*Inchaço ou enrijecimento muscular

* Sensação de choque

* Dormência ou formigamento

* Cãibras

* Dificuldade de segurar pequenos objetos

* Limitação dos movimentos, perda de agilidade

* Dificuldade para escrever ou mudança na caligrafia, etc.

Persistindo esses sinais, deve-se procurar um médico. A LER é reversível no início, mas sem tratamento adequado, pode afetar drasticamente os tendões e nervos, causando lesões simples ou incapacitantes.

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