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Preservação

Renata Meffe
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Consciência verde

Consciência verde

Texto: Renata Meffe

Quando José Carlos Nogueira, encarregado geral do Horto Florestal de Bauru, veio para a cidade em 1960, podia-se caçar cotias onde hoje é o Jardim Redentor. Jacarés tomavam sol na linha da Paulista. Dourados eram pescados no rio Bauru.

"O riozinho do redentor, que hoje é um esgoto aberto, também dava peixe", recorda Nogueira.

Na época de toda essa fartura, a mentalidade da maior parte da população não tinha nada de ecológica.

"Tinha tanto mato, que o povo queria mesmo era derrubar. Quem tinha mato e não derrubava, deixava os outros estupefatos", conta.

A persistência de Nogueira e a paixão pela natureza cultivada por ele, não conseguiram impedir a devastação, mas provocaram mudanças. "Quando eu cheguei, todo mundo no Horto queimava as folhas. Varria, fazia aquele montinho e botava fogo. Demorou, mas consegui convencer as pessoas. Hoje, você não vê mais isso. O pessoal junta as folhas e deixa embaixo da árvore para servir de esterco", comemora.

Ibama

Lélia Lourenço Pinto, 37 anos, chefe do Ibama - Regional Bauru, que compreende 73 cidades, explica que não só pessoas físicas e empresas, mas também as prefeituras, cometem irregularidades que prejudicam o meio ambiente. "São feitas obras de impacto ambiental. As prefeituras têm que, antes de executar uma obra, procurar os órgãos ambientais", ressalta a agrônoma, que desde os 9 anos de idade preocupa-se com o meio ambiente.

"Morava em São Paulo e não me sentia bem. No final de semana, eu ia para o mato. Me sinto muito feliz em trabalhar com o meio ambiente, tenho prazer nisso", diz, destacando que apenas quem conhece a natureza pode despertar para a necessidade de respeitá-la, adotando medidas ambientalmente corretas.

Zoo

Ambientalmente correto também é o programa desenvolvido para crianças que visitam o Zoológico de Bauru. Segundo Luís da Silva Pires, 37 anos, diretor do Zoológico Municipal, a educação ambiental é um dos pilares de funcionamento do Zoo. "Quando as excursões com crianças chegam, antes de conhecer a área, elas assistem uma palestra em que explicamos a razão desses animais viverem hoje aqui. Falamos sobre as queimadas, a caça, a pesca, a poluição dos recursos hídricos e outras formas de degradação que levam esses animais a necessitarem de uma proteção especial", explica Pires. Somente no ano passado, 61 mil crianças participaram das palestras.

Nas férias, de verão e inverno, há programas especiais para crianças de 5 a 7 anos, de 8 a 10 anos e de 11 anos em diante. Nesse ano, o programa de férias já começou e uma parceria entre o Zoo e a escola de computação Future Kids, resultou na instalação de oito computadores no Zoológico. "As crianças que não sabem mexer na Internet, aprendem, e fazem visitas e safáris virtuais a várias partes do mundo. Elas podem pesquisar como os animais que estão no Zoológico vivem no meio natural, etc."

As crianças ficam durante toda a semana no Zoo, aprendendo e brincando. "As que tem mais de oito anos, dormem aqui, de sexta para sábado", conta. Depois da experiência, elas passam a funcionar como agentes multiplicadores de conhecimento, levando os conceitos adquiridos para a família. "É difícil mudar os costumes adquiridos por toda a vida. Mas com a criança é diferente. Se na fase de formação do caráter ela for educada sabendo da necessidade da preservação, vai crescer praticando o respeito ao meio ambiente e influenciando os pais", analisa Pires.

Horto

A orientação ambiental é tema de férias também no Horto Florestal. De 16 de janeiro a 16 de março, várias atividades ligadas ao meio ambiente e voltadas para pessoas de todas as idades estarão sendo desenvolvidas.

"Quem vier nos visitar, vai poder conhecer o Horto, inclusive a área do viveiro de mudas", explica Suzete Cardoso, 40 anos, educadora ambiental.

José Carlos Nogueira, 64 anos, conhece bem as áreas a que Suzete se refere. Ele é o encarregado geral do Horto, onde vive e trabalha desde 1960. Nogueira vem catalogando todas as árvores que são plantadas no local, desde que chegou. "Marco a origem e quem foi o doador, para deixar documentado", explica.

Ele aprendeu desde pequeno, com a mãe austríaca que a natureza deve ser respeitada. "Eu morava em uma usina de açúcar. Ai de mim, se eu chupasse cana e jogasse o bagaço no chão. Meu pai fazia a gente catar", lembra, ressaltando a importância da educação e da fiscalização para a manutenção de costumes saudáveis para o ambiente.

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