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Ambientalista

Renata Meffe
| Tempo de leitura: 5 min

Seja ambientalmente correto

Seja ambientalmente correto

Texto: Renata Meffe

A conscientização sobre os problemas ambientais provocados pelo homem e suas máquinas - nem sempre maravilhosas

- aumentou consideravelmente nas últimas duas décadas. A prática de atitudes coerentes com esse grau de conscientização porém, ainda está longe de ser ideal.

Ao contrário dos orientais, não nos vemos como parte do todo, de um organismo vivo chamado Terra. Nossa preocupação concentra-se nos problemas particulares e em como obter recursos para consumir, consumir e consumir, nem sempre o que realmente precisamos.

Há os que nadam contra a maré e não só desperttam para a necessidade de preservar o meio ambiente, como abraçam a causa ecológica. O agrônomo e consultor ambiental Jesus Manuel Delgado, 36 anos, 25 deles dedicados a estudos e trabalhos na área ambiental, explica que teremos que pagar caro pelo nosso estilo de vida "divorciado das leis naturais". "Estamos acostumados a pensar que o problema é externo, que as soluções têm que vir de fora. Não nos vemos como protagonistas da solução dos problemas", diz, enfatizando a necessidade primeira de mudarmos nossa consciência pessoal. "O primeiro passo

é percebermos que nós podemos modificar o nosso comportamento, ao invés de pensarmos que é um problema muito grande e esperarmos que algo aconteça", diz.

O desafio no terceiro milênio, segundo Delgado, está em preencher o vazio que o materialismo ao qual as pessoas vêm se agarrando, não preencheu. "Quando nós percebermos que estamos aqui, não para consumir, mas para evoluir como espécie, as coisas ficarão mais fáceis", afirma. Na opinião do consultor, ao abolirmos o consumo dos supérfluos, do que não precisamos, poderemos nos dedicar a viver intensamente nossas experiências. "Vamos poder nos dedicar à contemplação, às, artes, a viajar, conhecer pessoas. Todas essas coisas, enquanto as máquinas trabalham para nós", diz. Segundo ele, precisamos ser menos ostensivos e mais eficientes energeticamente, como a natureza. "Alguém que tem cinco carros na garagem,

é ineficiente energeticamente. Quem ganha mais do que pode gastar ou compra mais comida do que pode comer, também", exemplifica.

Educação ambiental

Rodrigo Agostinho Mendonça, 21 anos, criou, em 1994, com profissionais de Bauru que atuam em diversas áreas, o Instituto Vidágua, que tem a educação ambiental como uma de suas principais preocupações. "Mudar os hábitos dos adultos é mais difícil do que o das novas gerações. Quando vamos trabalhar com lixo, fica claro que as pessoas são cômodas, não querem mudar seus costumes", diz o secretário executivo do Instituto.

Ele conta que começar as atividades foi complicado. "Não sabíamos por onde começar. Decidimos ir para as escolas, mas percebemos que só queriam a gente ou no Dia da Árvore ou no Dia do Meio Ambiente", diz Mendonça.

Atualmente, o Instituto desenvolve trabalhos junto a professores, da rede pública e particular, de Bauru e região.

"Eles estão em contato com os alunos e podem estar passando os conceitos diariamente. Também estamos produzindo material didático e já fizemos um Cd-room, que inclusive foi premiado".

O Instituto conta ainda com o projeto "Eco Ônibus". Segundo Mendonça, trata-se de um turismo ao contrário, para conhecer os problemas da cidade. "Levamos as crianças para o lixão. Até então, elas não sabiam para onde ia o lixo delas. Também as levamos para o rio Batalha, para que vejam da onde vem a água, que muitas vezes elas disperdiçam. Isso desperta a atenção da garotada".

O final do passeio é em um local equilibrado, como o Jardim Botânico ou o Zoológico, para mostrar o outro lado da situação.

Na opinião de Mendonça, apesar da ecologia atualmente não ser mais vista como um modismo, as mudanças no dia-a-dia de cada um ainda são muito pequenas. "Em Bauru, por exemplo, não é mais de 1% da população que participa da coleta seletiva de lixo", lamenta, admitindo que seu trabalho é gratificante, mas na maior parte dos casos, envolve situações frustrantes. "Nas cidades, os recursos naturais ficam longe das pessoas, e elas acabam esquecendo que, mesmo longe, esses recursos têm relação direta com a vida delas".

20 dicas ecologicamente corretas

A mudança de hábitos simples do cotidiano contribuem diretamente para melhorar a relação de cada um com o planeta. "Na questão ambiental, as pessoas precisam se conscientizar de que precisam fazer parte das soluções e não dos problemas, para que as mudanças aconteçam", explica o consultor ambiental Jesus Delgado. Confira algumas maneiras simples de colaborar:

#Não deixe as luzes acesas quando sair de casa.

#Plante uma árvore .

#Quando comprar refrigerantes, prefira os que venham em embalagem retornável.

#Não fume, principalmente se tiver alguém perto de você.

#Jogue o lixo no lixo (e não na rua para entupir os bueiros).

#Se for possível, vá trabalhar de bicicleta.

#Procure os locais que fazem reiclagem, separe parte do seu lixo: papéis, vidros, plásticos e metais, e leve até lá.

#Coloque no seu prato apenas a quantidade de alimentos que você vai comer.

#Só compre coisas que realmete precise.

#Compre produtos de limpeza que sejam biodegradáveis.

#Não use sapatos, bolsas ou cintos feitos de couro de animais silvestres.

#Desligue a televisão antes de pegar no sono.

#Nos dias de faxina, aproveite para tirar o pó das lâmpadas de sua casa. Quando estão empoeiradas, gastam bem mais energia.

#Use calculadoras que se recarreguem com energia solar.

# Use coadores de café feitos de pano.

#Espere ter bastante roupa acumulada para ligar a máquina de lavar.

# Desligue a torneira quando estiver escovando os dentes.

# Regule o motor do seu automóvel.

#Ao invés de usar bolinhas de naftalina para espantar traças, prefira sachês com lavanda ou lascas de cedro.

# Procure se esforçar para que pelo menos parte dessa lista seja uma realidade no seu dia-a-dia e na rotina das pessoas com as quais você convive.

Serviço: O endereço eletrônico do instituto Vidágua é http://home.techno.com.br/vidagua. O telefone do Instituto é (014) 234-3179. O telefone do Horto Florestal

é (014) 230-1899. O telefone do Zoológico Municipal

é (014) 235-1185. O Ibama recebe denúncias e oferece informações sobre o meio ambiente, através do telefone (014) 230-0151.

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