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Reajuste de preços

Márcia Buzalaf
| Tempo de leitura: 4 min

Importados já estão com preço mais alto

Importados já estão com preço mais alto

Texto: Márcia Buzalaf

Os preços de vários produtos importados já estão reajustados. A grande maioria das importadoras não está trabalhando desde sexta-feira, quando a banda cambial foi suspensa e o dólar não teve mais parâmetros fixos estabelecidos pelo governo para flutuar. A medida foi anunciada, ontem, através do Comunicado 6.565 do Banco Central, que prevê que, a partir de ontem, o Banco Central deixa o mercado interbancário (segmento livre o flutuante) definir as taxas de câmbio. Mesmo assim, a interferência do BC no mercado deve ser feita "ocasionalmente e de forma limitada, com o objetivo de conter movimentos desordenados das taxas de câmbio".

Entre os setores da economia que mais se preocupam com a desvalorização do real, o da informática é um dos que mais sofre. De acordo com o diretor comercial da Digitools, Edmilson Crudi, 32 anos, 80% dos fornecedores estão parados. "Os fornecedores praticamente pararam, porque não tem indexador", afirma Crudi.

Ele diz que a loja fechou na sexta-feira à tarde e só foi reabrir hoje, já com preços mais altos. "Na hora que eu vi que os distribuidores estavam fechados, e eu estava com um estoque baixo, eu fechei e reabri só hoje", completa Crudi.

A margem de aumento dos produtos de informática da loja já na manhã de ontem era de 20%. Segundo Crudi, os aumentos devem girar entre 13% e 20%, dependendo do produto, e devem ser repassados para o consumidor.

O grande problema enfrentando pelo setor que era um dos mais promissores da economia é o atrelamento aos importados. Segundo Crudi, 90% dos produtos usados na área de informática são importados.

Mesmo alguns fabricantes nacionais, como a LG, segundo Crudi, devem enfrentar aumento semelhante, já que os componentes interno do micro são indexados ao dólar.

A previsão de elevação de preço do setor depois que estabilizar uma taxa cambial, segundo Crudi,

é de 20%, se o dólar ficar na casa de R$ 1,50 ou 13% na previsão do dólar ficar em R$ 1,40.

O que prejudica ainda mais a área de informática são os baixos estoques, típicos das lojas do ramo. A depreciação dos preços dos produtos, segundo Crudi, é o motivo de não manter produtos na loja. Crudi afirma que, em dias, o produto de informática pode ter o preço depreciado em grande escala.

Repassar o aumento para o consumidor não é uma característica apenas na área de informática. Segundo o proprietário do Comprando, loja que vende 50% do estoque total de produtos importados, César Eduardo Prando, 33 anos, o aumento prejudica as vendas, sim. O consumidor tende a substituir os itens quando o preço aumenta.

Com um estoque um pouco mais significativo, a loja afirma que vai calcular o novo preço dos produtos somando o preço dos produtos que vão comprar com os que já pagou dividido por dois. "Os produtos novos já vão vir com os preços novos", afirmou Prando.

As mudanças ainda não devem paralisar as vendas no setor. Segundo Prando, o problema de quem importa pode ser bem significativo se a situação cambial piorar.

"Ai, fica inviável para o brasileiro consumir produtos importados", disse.

A suspensão temporária da banda cambial, que pode durar de três dias a uma semana - com direito a prorrogação, atrapalha os negócios do setor, como afirmou Prando. Os brasileiros, em um momento destes, tendem a preferir produtos mais baratos em uma época de crise.

Informais

A economia informal, em especial, os camelôs, é uma das que mais sente os efeitos da elevação do dólar nos preços. Segundo o presidente do Sindicato dos Trabalhadores da Economia Informal de Bauru (Sinteib), Mário Augusto dos Santos, 51 anos, no final de semana, não houve nenhuma compra por parte dos camelôs da cidade. Além disso, as lojas no Paraguai não estavam aceitando real nos últimos dias. "O dólar chegou a R$ 1,90 lá", afirmou Santos.

O aumento dos preços dos CDs foi um dos mais significativos. Segundo Santos afirma, de acordo com as pessoas que viajaram para o Paraguai este final de semana, o aumento dos CDs foi de 20%.

"O CD estava sendo vendido de R$ 6,00 a R$ 8,00, dependendo do lançamento do produto.

Os cigarros também sofreram reajustes. Santos afirma que os camelôs terão que reajustar o pacote de cigarros de R$ 10,00 para R$ 11,00. Os pacotes de cigarros mais populares, na opinião de Santos, vão passar de R$ 5,00 para R$ 6,00.

O aumento médio das mercadorias dos camelôs deve ficar em torno de 15% a 20%, dependendo da mercadoria. Santos afirma que o aumento não é abusivo, já que nenhum trabalhador quer ficar com a mercadoria parada.

Quanto à previsível preferência pelos produtos nacionais em detrimento aos importados, e as conseqüências positivas que o fato pode acarretar na economia, Santos afirma que o objetivo do sindicato é que o camelô passe a economia formal.

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