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Banda cambial

Márcia Buzalaf
| Tempo de leitura: 5 min

Liberação de câmbio não deve alterar aplicações

Liberação de câmbio não deve alterar aplicações

Texto: Márcia Buzalaf

A mudança na política cambial do governo brasileiro não deve ter grande alteração nas aplicações financeiras. Esta é a análise feita por especialistas no assunto, economistas e bancários, que lidam diariamente com investimentos e aplicações.

De acordo com o gerente da agência central do Banco do Brasil

(BB), Norton de Souza, 44 anos, o maior risco está nas ações, inclusive de estatais, que estão ligadas

à bolsa. Apesar de afirmar que nenhuma aplicação

é isenta de risco, Souza afirma que as aplicações seguras, como a poupança, não devem sofrer alterações significativas.

As operações a curto prazo não são indicadas pelo banco. "Quem tem dinheiro em curto prazo teve desvalorização", completa Souza quando diz que este investimento paga cerca de 20% do DI (Depósito Interbancário), enquanto qualquer aplicação paga de 70% a 90% de DI.

Algumas aplicações podem ser mais lucrativas e apresentarem, também, características de curto prazo, com um período de carência. "Tem aplicação de 30 dias que, depois deste prazo, vira uma aplicação de curto prazo, com uma rentabilidade de quase três vezes mais do que paga o curto prazo hoje", completa Souza.

Na previsão para o rendimento da poupança nos próximos 30 dias do Banco do Brasil é de 1,14%. As operações em DI continuam sendo bem indicada pelo BB. Souza lembra aos investidores que, quanto maior o prazo da aplicação, melhor o rendimento.

O Banco do Brasil só está operando as linhas de crédito normal, exceto as operações internacionais

- de importação e exportação - que continuam suspensas. A compra de dólares também está paralisada, e apenas compradores com a passagem na mão podem comprar a moeda americana no limite máximo de R$ 3 mil.

Souza afirma que, quem está pensando em comprar dólares, deve pensar duas vezes. Primeiramente, porque o dólar está com a venda limitada. Em segundo lugar, porque o preço está elevado demais e, com a estabilização do câmbio da moeda, pode cair um pouco e a pessoa perder dinheiro. "Não deve comprar dólar agora - é sinal de perder dinheiro", completa.

De acordo com o gerente geral do Banespa, Marco Antônio Vilela Peixoto, 46 anos, a poupança, os RDBs, os CDBs e os fundos não deverão sofrer grandes alterações.

Mesmo com a visualização de que as taxas de juros devem cair, Peixoto afirma que a queda ainda não aconteceu.

"Por isso, o cenário e o rendimento das aplicações ainda não podem ser definidos", afirma Peixoto.

Ele conta que, para o pequeno investidor, nenhuma grande alteração deve abalar as aplicações financeiras. "Também vai depender da demanda de recursos que os bancos tiverem, de como o mercado deve se comportar", completa. A única certeza, segundo Peixoto, é que as "aplicações de público" - como os CDBs, RDBs e poupança

- não devem sofrer alterações.

Os fundos de ações são os que mais são instáveis. De qualquer forma, Peixoto afirma que este tipo de aplicação é para quem informações disponíveis e capital para colocar em risco. "Porque, quem aplica em ações, não pode querer ter rentabilidade mês a mês", completa Peixoto.

Economistas

O consultor e professor universitário, Carlos Roberto Sette, 49 anos, acredita que as medidas do Governo Federal foram mais positivas do que negativas. Segundo ele, o País resolveu um problema que há tempos incomodava a eocnomia brasileira: a política cambial. A elevação assistida no final da semana passada e no começo desta, segundo ele, são apenas momentâneas, já que a moeda americana deve se estabilizar entre R$ 1,40 e R$ 1,45.

Sette acredita que o câmbio tem como conseqüência positiva a possível redução do déficit, com o aumento das exportações e a expectativa de superávit no final deste ano.

A agricultura e o setor automobilístico devem ser os maiores beneficiados da alteração cambial. Os setores que usam o petróleo e o trigo devem ser os mais afetados pela mudança cambial. As conseqüências devem ser o aumento do combustível, do frete, do pãozinho e de todos os produtos finais que usam estes insumos.

O aumento da inflação - que é prevista para ficar na casa de 8% a 9% este ano - não deve representar grandes problemas para as aplicações.

Quanto ao consumo, Sette afirma que as pessoas não deve seguir o exemplo do governo, ou seja, gastar mais do que devem.

"O governo até pode emitir títulos, mas a pessoa fica inadimplente", diz.

Muitas lojas que têm os preços atrelados ao dólar, como os da informática, Sette afirma que serão repassados para o preço final.

Já o economista e professor universitário, Reinaldo César Cafeo, afirma que a poupança e o CDBs remuneram taxa de juros que ainda não declinaram. Por isso, ele acredita que é são aplicações seguras.

Quanto à lucratividade, Cafeo diz que os CDBs, com o vigor do Imposto sobre Movimentação Financeira (IOF), que entra em vigor dia 24 em substituição à Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira (CPMF), podem ser prejudicados. Isso porque eles terão a incidência do IOF de 0,38% toda vez que reaplicarem o capital.

Os CDBs de renda líquida, Cafeo afirma, tem rendimento similar ao oferecido pela poupança. Mesmo assim, o economista afirma que o melhor é manter as aplicações onde estão, pelo menos, por enquanto.

Os FIFs de 60 dias são uma boa opção na opinião de Cafeo. Ele lembra que os bancos têm taxas de administração diferentes e que, por isso, o consumidor deve ficar muito atento

à rentabilidade.

O conselho de quem entende

O que fazer com as aplicações financeiras?

"Cautela: não compre nem venda nada - só o estritamente necessário."

Norton de Souza, do Banco do Brasil

"O que vinha sendo feito anteriormente pelo aplicador, ele deve manter. Não adianta querer mudar alguma coisa agora: ainda é muito cedo."

Marco Antônio Vilela Peixoto, do Banespa

"O bom investidor não muda de investimento no dia seguinte. Ele deve acompanhar as mudanças com a aprovação do ajuste fiscal."

Carlos Roberto Sette, consultor empresarial

"Tem que analisar as taxas de administração cobradas pelos bancos. Elas podem variar bastante."

Reinaldo César Cafeo, economista

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