Internet é aliada de deficientes físicos
Internet é aliada de deficientes físicos
Texto: Eva Rodrigues
Enquanto o mundo concreto ainda oferece inúmeras barreiras aos deficientes físicos, o ciberespaço, ao contrário, não precisa de rampas de acesso e pode ser penetrado com um clique do mouse e sem sair de casa. Seja para pesquisas, trabalho ou diversão, a Internet tem se revelado importante instrumento de comunicação para esse grupo.
Portadora de uma doença que provoca a degeneração dos músculos (Amiotrofia Espinhal Progressiva), ao invés de lamentar dificuldades, Fabiana Naomi Nishiyana, 23 anos, prefere apostar nas possibilidades. Assim como o curso de Serviço Social já concluído, ou o trabalho no escritório de contabilidade, a Internet também chegou com naturalidade na sua vida. "Na época da faculdade fazia muita pesquisa. Quando estava fazendo o projeto de final de curso, por exemplo, não conseguia encontrar a bibliografia por aqui e acabei conseguindo pela Internet", recorda.
Agora, com o final do curso de graduação, Fabiana já tem projetos de fazer um curso de especialização
à distância, através da Internet. Mas nem só estudos atraem a assistente social para a Rede: "Como sou dona de casa, costumo fazer compras pela Internet, é superprático. Também adoro navegar por sites sobre cinema".
Fabiana acredita que a rede mundial possa ser benéfica para aqueles deficientes que tenham muita dificuldade de aceitação do problema: "A Internet pode se tornar o mundo dele durante o período de não aceitação da doença. Aí, com o tempo ele vai se soltando e convivendo melhor com as pessoas". Válida, essa idéia pressupõe uma relação de equilíbrio com a Internet.
Diversão
Para o estudante Marcelo Canal Woelke, 26 anos (há 10 anos usando uma cadeira de rodas em virtude de um acidente), a Internet tem sido o canal de muita informação, diversão e bate-papo. "É mais um meio pra eu me divertir e também ficar por dentro de tudo que está acontecendo."
Apaixonado por carros, seus sites preferidos são os das revistas 4 Rodas, Som e Carro e Oficina Mecânica. Mas o estudante não dispensa uma passadinha pelos endereços das revistas Playboy e Sexy. As salas de bate-papo do UOL também estão entre os pontos de parada de Marcelo: "Gosto de entrar nos finais de semana para conversar". Apesar de não ser um hábito, o internauta também já experimentou comprar CD pela Rede.
Nem oito nem oitenta
A psicóloga Maria Lúcia Biem acredita que o uso equilibrado da Internet seja fundamental para todas as pessoas. Mas "no caso do deficiente físico, com suas limitações,
é claro que a Internet traz uma facilidade maior para que ele fique sabendo das coisas, busque informações".
O perigo do exagero no uso da rede mundial é ressaltado pela psicóloga: "A gente nunca deve ser nem oito nem oitenta. Como a pessoa, por exemplo, que acaba viciando na Internet e se acomoda entre quatro paredes (...) Porque a gente nunca vai substituir o contato físico realmente, que é muito importante e as pessoas não podem se esquecer disso. Mesmo com toda essa facilidade, essa comodidade de você estar dentro de sua casa sentado em frente a um computador, você também precisa sair, não pode se esquecer do mundo
(...) A Internet veio para facilitar nossa vida e não para camuflar nossos problemas ou até mesmo dificultar mais ainda os bloqueios que nós temos no contato com o outro".