Sindicato começa negociar com perspectiva de inflação
Sindicato começa negociar com perspectiva de inflação
Texto: Paulo Toledo
O Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias da Construção Civil e do Mobiliário de Bauru e Região começa as conversações com os patrões, com relação
à data-base da categoria, em 1.º de março, com um novo ambiente de perspectiva de inflação, em razão das alterações econômicas e cambiais ocorridas na última semana. Cláudio da Silva Gomes, 37 anos, presidente da entidade, afirma que, agora, as conversações mudarão de rumo.
O sindicalista lembrou que, sem a perspectiva de inflação, a visão que se levava para a mesa de negociações era de garantir os direitos sociais dos trabalhadores. Com a desvalorização cambial e o possível retorno da inflação, prevista entre 7% e 8%, a luta passa a ser para garantir o poder de compra dos trabalhadores. "Vamos ter quer fazer essa negociação prevendo esse ambiente inflacionário, para que os trabalhadores não tenham perdas", afirmou.
Gomes admite que o momento é "ingrato" para fazer uma negociação, pois o período é de grande incerteza, de todos os lados. Para ele, a única coisa possível de se prever é que haverá um aumento na inflação. O sindicalista diz que, uma das estratégias que podem ser adotadas pelos patrões,
é de postergar as negociações. "Mas, diante dessa guinada econômica, não vai ser possível sustentar aquela tese de que não existe inflação e, portanto, não há o que negociar. Vamos ter que negociar prevendo, inclusive, mecanismos que possam garantir ao trabalhador a reposição daquilo que vier a ser corroído pela inflação. Pode até não haver o reajuste no momento da negociação, em razão das incertezas. Mas, vamos ter que colocar no acordo ou convenção coletiva, mecanismos que, prevendo o retorno da inflação, faça com que os trabalhadores não tenham seu poder aquisitivo defasado", afirmou.