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Paulo Toledo
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SPC vai negativar depois de 15 dias

SPC vai negativar depois de 15 dias

Texto: Paulo Toledo

A partir de 1.º de fevereiro o Serviço de Proteção ao Crédito (SPC) de Bauru vai negativar clientes inadimplentes após 15 dias de vencidas as prestações, se enviados pelas lojas. Uma mudança no regulamento nacional dos SPCs permitiu a redução do tempo de 30 para 15 dias. A medida visa uma uniformização de procedimentos do serviço, em todo o País.

Marco Antônio Grecca, 54 anos, secretário executivo do SPC, afirmou que, com a nova medida, as lojas já podem enviar para negativação, no 16.º dia, as prestações atrasadas. De acordo com ele, todos estão sendo avisados para evitar que as pessoas aleguem desconhecimento.

Para Grecca, a medida é uma ferramenta necessária, pois os lojistas vinham intensificando o envio de registros de inadimplentes. Porém, o prazo de espera era considerado longo, pois os juros pagos pelos clientes são menores do que o comerciante paga, quando é obrigado a recorrer a bancos para cobrir o dinheiro que não entrou em razão da prestação em atraso.

O secretário geral não acredita que haverá um crescimento nos índices de inadimplência em razão da mudança. Para ele, quem quer pagar faz isso na data do vencimento. "Se atrasar o pagamento da pessoa uma semana, terá mais uma semana para quitar a prestação", defende.

Reinaldo César Cafeo, 37 anos, economista e diretor da Associação Comercial e Industrial de Bauru (Acib), afirma que a nova sistemática vai mudar a estatística toda e, além disso, dificultar mais a vida das pessoas. Para ele, o momento escolhido para fazer o "aperto" nos inadimplentes foi errado, pois o clima é de grande insegurança. "Pode acabar tendo um resultado contra os próprios lojistas", afirmou.

Cafeo disse que quando há muito rigor no recebimento, existe uma tendência de inibir a entrada de novos crediários. Para ele, a mudança foi na contramão, pois o momento

é de se adotar uma postura mais tolerante. Para ele, o lojista tem que trabalhar forte na prevenção, ou seja, ter uma boa estrutura para conceder crédito para quem, efetivamente, tem condição de pagar. "Hoje, muitos empresários, no afã de vender de qualquer forma, o fazem para qualquer um e, na verdade, dá um tiro no próprio pé. É preciso fazer uma análise adequada de crédito", afirmou.

O diretor da Acib diz que, antes de trabalhar na inadimplência,

é necessário melhorar o trabalho na causa, que é a concessão de crédito. Ele lembra que fica inadimplente a pessoa, quando é uma boa pagadora, que começa buscar uma seletividade na hora em que se aperta. A negativação forçará a pontualidade. "Mas, por outro lado, vai começar a pensar duas vezes antes de comprar por impulso.

É um momento de muito mais tolerância do que, efetivamente, de aperto", afirmou.

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