Izzo diz que nunca extorquiu a ECCB
Izzo diz que nunca extorquiu a ECCB
Texto: Luciano Augusto e Fabio Turci
Em seu depoimento no inquérito que apura o flagrante de suposta tentativa de extorsão da Empresa Circular Cidade de Bauru (ECCB), na manhã de ontem, o prefeito Antonio Izzo Filho (PPB) negou que conhecesse o autônomo Mário Sérgio Chieco Barbosa, filmado em conversa com a sócia-proprietária da ECCB, Carmem Quaggio, na qual, supostamente, pedia o pagamento de duas parcelas de R$ 50 mil para a liberação de repasses da Prefeitura. Izzo também disse que não praticou nem foi mandante de qualquer tentativa de extorquir a empresa bauruense.
O prefeito chegou ao 3º Distrito Policial de Bauru pouco antes das 9 horas da manhã, acompanhado por dois seguranças. Sem dar declarações à imprensa, foi direto para a sala do delegado titular do distrito, Roberto Terraz. Por volta das 11h30, duas horas e meia depois, o prefeito terminou o seu depoimento. Questionado pelos jornalistas, Izzo preferiu não responder a perguntas, afirmando que todas as respostas seriam dadas através de sua assessoria de imprensa, à tarde.
Segundo informações de funcionários do 3º DP, o prefeito permaneceu calmo o tempo todo. Tomou apenas um café pouco antes de sair da delegacia.
Conforme a assessoria de imprensa da Prefeitura, Izzo apresentou, durante seu depoimento, arquivos da Empresa Municipal de Desenvolvimento Urbano e Rural de Bauru (Emdurb) desde janeiro de 1997, para a verificação dos cheques e registros dos repasses feitos à ECCB. "Embora a lei determine que os repasses sejam feitos quinzenalmente, em comum acordo com as duas outras concessionárias de ônibus, as liberações foram diárias e no período houve a exceção de apenas quatro ou cinco dias, quando problemas operacionais fizeram com que a entrega dos valores se desse no dia seguinte. A própria documentação disponível na Emdurb é a testemunha de que não houve irregularidade", afirmou o prefeito, conforme sua assessoria.
A assessoria de imprensa da Prefeitura ainda disse que as cobranças da ECCB que têm sido feitas pela Emdurb se referem a uma dívida de R$ 1,75 milhão com a Câmara de Compensação Tarifária. A ECCB também estaria em débito com a Emdurb no que se refere à taxa de gerenciamento.
Nerle Quaggio nega retratação em depoimento
Texto: Fabio Turci (*)
A sócia-proprietária afirmou que mantém todas as acusações contra a administração municipal, e diz que não houve coação pela retratação
A sócia-proprietária da Empresa Circular Cidade de Bauru (ECCB), Nerle Quaggio Bresolin, negou na manhã de ontem, em depoimento no 3º Distrito Policial de Bauru, que pretenda se retratar das denúncias de extorsão feitas contra a Prefeitura de Bauru.
A idéia de que a ECCB poderia se retratar foi apontada pelo presidente do Sindicato dos Trabalhadores em Transporte Rodoviário em Geral de Bauru e Região (Sindtran), Elias Pinheiro da Silva, que afirmou ter sido instruído pela diretoria da empresa circular, em 25 de dezembro último, a "não brigar com o Poder concedente" (o Executivo). A lógica da retratação envolveria a venda da ECCB.
Em seu depoimento ao delegado Roberto Terraz e ao promotor criminal Hércules Sormani Neto, no inquérito que apura o flagrante de possível tentativa de extorsão da empresa circular pelo autônomo Mário Sérgio Chieco Barbosa, Nerle afirmou que mantém todas as acusações que foram feitas contra a administração municipal e negou que tenha sido coagida a se retratar.
Além do flagrante envolvendo Barbosa, a ECCB também denunciou, apoiada em gravações em fitas cassete, que existiria um esquema de extorsão praticado pela administração municipal por meio da Empresa Municipal de Desenvolvimento Urbano e Rural de Bauru (Emdurb).
Após a conclusão do depoimento de Nerle, o advogado trabalhista da ECCB, Fábio José de Souza, relatou que "Nerle disse o que sabia. Com relação à presença de Mário Sérgio na empresa, em princípio, era para discutir o parcelamento de dívidas de ISS e de IPTU atrasados da ECCB, dos anos de 96 e 97. Porteriormente, surgiu a questão do flagrante e, sobre isso, ela não falou nada, porque não estava na empresa neste dia".
Na próxima segunda-feira, a partir das 9 horas, devem depor no 3º DP o ex-advogado da ECCB, Sérgio Mangialardo, e o ex-diretor financeiro, Edílson Prudêncio.
Venda
Souza também voltou a negar que a empresa circular tenha sido vendida, garantindo que o controle continua com a família Quaggio. O advogado também afirmou que, na condição de representante da ECCB, vai comparecer pessoalmente à mesa-redonda com o Sindtran na próxima segunda-feira, partir das 15 horas, na sede da Procuradoria Geral do Ministério do Trabalho, em Campinas. Na última segunda-feira, a mesa-redonda foi adiada porque apenas representantes do Sindtran compareceram. O advogado justificou que a empresa não foi notificada a tempo.
A mesa-redonda foi pedida pelo Sindtran para buscar esclarecimento da atual situação da ECCB e buscar garantias aos funcionários. Também foram convocadas a TUA, a Kuba e a Emdurb. De acordo com Pinheiro, o vice-presidente da Federação dos Rodoviários do Estado de São Paulo também vai estar presente.
(*) colaborou Luciano Augusto
Terraz confirma 2ª fita do caso ECCB
O delegado do 3º Distrito Policial de Bauru, Roberto Terraz, confirmou ontem a existência de uma segunda fita cassete com informações sobre o flagrante feito contra o autônomo Mário Sérgio Chieco Barbosa. Na gravação, ele aparece pedindo dinheiro para a ECCB.
O JC, que divulgou com exclusividade o conteúdo da gravação do flagrante na ECCB, também confirmou que esta segunda gravação refere-se a conversa mantida entre Chieco e os policias militares capitão Benedito Roberto Meira e Altair Pedro Júnior. Nesta segunda conversa, Chieco fala para os policiais que estaria tentando receber pelo serviço de parcelamento de dívida de impostos da ECCB, em relação à Prefeitura.
Nesta gravação, que será periciada, o autônomo ainda conta outras versões para sua presença na ECCB no dia do flagrante, quando conversou com a sócia-proprietária Carmem Quaggio. Ele diz aos policiais militares que teria contato com o ex-secretário dos Transportes Internos da gestão Izzo, Emídio Busmar. Este já foi ouvido no inquérito do 3º Distrito Policial. Segundo a versão de Chieco presente nesta gravação, Busmar estaria, junto com ele, intermediando negociação com empresário para a venda da ECCB.
A gravação foi feita pelo técnico de som Luiz Carlos Castro, em uma câmera portátil que foi apreendida pela Polícia Civil no dia do flagrante contra Mário Sérgio, no plantão policial. O técnico de som aparece na própria filmagem e acompanhou a conversa mantida entre Chieco e os policiais militares. Cópia desta segunda fita já tinha chegado às mãos do delegado assistente da Seccional, Edson Cardia. Agora, cópia do mesmo material é entregue ao 3º DP.