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Carnaval em Jaú

Fábio Grellet
| Tempo de leitura: 11 min

Jaú se prepara para a folia de Momo

Jaú se prepara para a folia de Momo

Texto: Fábio Grellet

Jaú é uma das poucas cidades da região onde vai ocorrer desfile de rua. Conheça um pouco das escolas e seus enredos

Ainda que a situação econômica dos municípios esteja causando a redução das verbas destinadas aos eventos carnavalescos - razão porque, em muitas cidades

(inclusive Bauru, que dispõe de algumas das agremiações carnavalescas mais articuladas da região), os desfiles de rua não vão ocorrer -, o soar dos tamborins já podem ser ouvidos, anunciando a festa de Momo.

Em Jaú, por exemplo, as escolas de samba já estão

à pleno vapor, trabalhando para confeccionar fantasias e produzir os carros alegóricos que vão enfeitar a avenida Dr. Quinzinho, nos dias 13, 14 e 16 de fevereiro. Não vai haver competição, mas tanto as escolas participantes como a Prefeitura ressaltam que isso não deve reduzir a aplicação dos carnavalescos e a beleza das apresentações.

O desfile vai se estender por três dias: no sábado

(13), vai haver apresentação dos quatro blocos inscritos

- Sol Nascente, Imaginação, Airosa Galvão e Bloco das Mulheres - e, em seguida, o encerramento vai acontecer com o desfile da escola de samba Afro-Amukenguê; no domingo

(14), será a vez das cinco outras escolas fazerem a festa; e, finalmente, na terça-feira (16), um novo desfile vai reunir blocos e escolas desfilando juntos.

No sábado, o desfile tem início às 21 horas. Já no domingo e na terça, as apresentações devem começar às 20h30.

Há uma arquibancada, com capacidade para 1,5 mil pessoas, onde se cobra R$ 1 pelo ingresso - cobrança organizada pelas próprias agremiações participantes, conforme informou a Prefeitura. Mas, ao longo da passarela do samba jauense - que tem aproximadamente 300 metros-, o público também pode se acomodar sobre a grama, donde terá uma visão ampla do desfile sem precisar pagar nada.

Embora, hoje, a realização do desfile esteja garantida, durante a negociação da verba destinada pela Prefeitura

às escolas e blocos houve polêmica e as agremiações ameaçaram não desfilar. A insatisfação foi provocada pela redução no valor repassado pela Prefeitura às escolas, que no ano passado correspondia a R$ 52 por componente e neste ano reduziu-se para R$ 30, segundo representantes das escolas. Por isso, as escolas haviam decidido não desfilar. Uma consulta à comunidade componente da escola de samba Unidos de Vila XV, realizada por seus diretores, concluiu que era desejo daqueles carnavalescos realizar o desfile, mesmo com a redução no valor pago por componente. Assim, a Unidos de Vila XV optou por realizar seu desfile e apresentou essa decisão às demais escolas, que decidiram, então, voltar atrás e realizar o desfile. Outra imposição da Prefeitura foi quanto ao número de componentes: segundo a secretária de cultura do município, Regina Helena Rapizarda, a entidade solicitou às agremiações que não aumentassem o número de componentes em relação ao ano passado. Até 1998, segundo Rapizarda, cada escola informava à Prefeitura quantos integrantes teria e a Prefeitura pagava um valor previamente estipulado, para cada componente. Neste ano, as mesmas dificuldades financeiras que causaram a redução do valor individual fez a Prefeitura pagar às escolas e blocos considerando o mesmo número de integrantes apresentado no ano passado. Aquelas agremiações que quiserem aumentar o número de componentes - como é o caso da maioria - devem buscar verbas próprias para pagar as fantasias necessárias.

Arco-Íris expõe intenção comunitária

A atual campeã do carnaval de rua em Jaú é o Grêmio Recreativo e Cultural Escola de Samba Arco-Íris, que em 98 apresentou o enredo "Descobrindo um Reino Novo: o Amor de Deus, o Pecado e a Salvação". Para o desfile deste ano, a escola havia adotado um enredo sobre os Dez Mandamentos. Diante da redução no valor repassado pela Prefeitura, porém, os organizadores decidiram alterar o enredo, e a escola vai apresentar o tema "Hoje o Astro Sou Eu". Segundo o presidente da escola, Adílson José Carvalho, a agremiação vai expor o sonho de criar uma escola de samba com o intuito de entreter e prestar serviços

à comunidade e as dificuldades que obstam a conquista desse objetivo. O carnavalesco da escola é Paulo Burian.

A escola é integrada por 400 componentes, mas a Prefeitura repassou verba para a produção das fantasias de 315 integrantes. As demais devem ser financiadas por patrocinadores com quem a escola vem negociando. No total, a Arco-Íris deve gastar entre 13 e 14 mil reais com seu desfile, conforme avalia o presidente da agremiação. Em anos anteriores, a escola cobrava taxas simbólicas daqueles que desejassem desfilar mas, atualmente, quem quiser vestir a fantasia da Arco-Íris na avenida não precisa pagar nada.

Os componentes vão se dividir em nove alas e a escola vai apresentar três carros alegóricos. As fantasias já estão sendo produzidas, em um trabalho conjunto desenvolvido por aproximadamente 70 pessoas.

A porta-bandeira da Arco-Íris é Rosângela e o mestre-sala, Wanderlei. A rainha da escola deve ser escolhida na semana que vem, em concurso realizado durante os ensaios. Vágner, Carlão e Timbaia são os intérpretes do samba-enredo da escola, que tem o cisne e o próprio arco-íris como símbolos e adotou as cores amarela e preta.

História

A escola de samba Arco-Íris surgiu organizada pelos componentes de um time de futebol que adotava o mesmo nome. Desfilou pela primeira vez, ainda como bloco, em 1986, e no ano seguinte repetiu a dose. Apesar de não conquistar o título da competição entre blocos em nenhuma dessas oportunidades, cresceu e já em 1988 passou a desfilar como escola. Naquele ano, aliás, foi a única escola a desfilar, pois outras estavam desativadas ou haviam reduzido sua estrutura e se apresentavam como blocos. Por isso, não houve concurso. Em 1989, outras duas escolas já se apresentaram para desfilar, mas também não houve competição. Esta só retornaria em 1990, e a partir de então, até 1994, a Arco-Íris obteve uma sensacional sequência de títulos, conquistando o penta-campeonato do desfile carnavalesco em Jaú.

O ano de 1995 marcou a primeira derrota da Arco-Íris, que ficou com o vice-campeonato, sendo derrotada pela Unidos da Vila XV. Em protesto pelo suposto equívoco dos jurados, a Arco-Íris deixou de desfilar em 1996. Em 1997, a Arco-Íris retornou

à passarela, e conquistou o vice-campeonato; o título daquela disputa foi conquistado pela União Cruzeiro do Sul.

E, finalmente, o ano de 1998 marcou o reencontro da escola com os títulos: foi o sexto título em dez anos de disputa

(excluído o desfile de 1996, quando a Arco-Íris se ausentou).

Serviço

Os ensaios da Escola de Samba Arco-Íris acontecem em uma quadra da rua Quinze de Novembro, na altura do número 1902. Ocorrem às segundas, quartas e sextas-feiras, a partir das 20 horas. Quem quiser assistir e participar, basta comparecer.

Unidos da Vila XV usa o mar para fazer alerta ecológico

A escola de samba Unidos da Vila XV é a principal rival da Arco-Íris. Atual vice-campeão do desfile carnavalesco jauense, a escola vai apresentar, neste ano, o enredo "Na Magia do Mar, Um Alerta Fomos Buscar". A expectativa de Suzy Carvalho, diretora financeira e comercial da escola, é que ela seja composta por aproximadamente 650 pessoas. A Prefeitura repassou verbas referentes a 420 pessoas - o que corresponde a R$ 12,6 mil reais -, e o restante será obtido através de auxílios oferecidos pela comunidade, por empresários e por escolas de samba paulistanas e cariocas, com as quais a Vila XV mantém relações. O atual presidente da escola, Irineu Carvalho Filho, tem tios responsáveis pela produção do desfile da escola de samba Vai-Vai, de São Paulo. Conforme a diretora financeira da escola, o desfile da Vila XV neste ano está orçado em aproximadamente R$ 30 mil. As alegorias estão sendo produzidas há cerca de 20 dias, por aproximadamente 30 pessoas, e muitas peças já estão prontas.

A escola vai ter nove alas, quatro carros alegóricos e um tripé (estrutura menor que um carro alegórico tradicional, com espaço para apenas uma pessoa). Seu desfile vai ser aberto com a apresentação da comissão de frente, composta por cinco pessoas personalizadas como cavalos-marinhos. Em seguida, vem o primeiro carro alegórico, que simboliza o Reino das Profundezas e tem seis metros de altura.

Na sequência, desfilam as alas do Mar, da Lua e das Sereias. O mestre-sala, que é o próprio presidente da escola

(conhecido por Sabará), e a porta-bandeira, Fernanda, se apresentam em seguida, à frente da bateria, cujos compontentes

(aproximadamente 120) vão se vestir como cavalos marinhos. Logo atrás da bateria, está prevista uma ala com aproximadamente dez passistas e cabrochas - passistas que, vestidos apenas com biquínis ou bermudas, apresentam muito samba no pé... Atrás da ala de passistas e cabrochas, virá o carro das Sereias; em seguida, as alas dos Golfinhos e das Oferendas (esta, composta pelas tradicionais baianas). Destaques personalizadas como Iemanjá vêm em seguida e, atrás delas, as alas da Poluição (apresentando os monstros marinhos), das Baleias Azuis e dos Seres dos Mares (esta, composta por aproximadamente 30 crianças). Por fim, o carro da Ecologia. Haverá, ao todo, oito destaques sobre os carros alegóricos e outros vinte se apresentando no chão. As cores predominantes nas fantasias são azul e verde.

História

A Unidos da Vila XV é uma das escolas mais antigas de Jaú, dentre aquelas ainda em funcionamento. Maria Benedita Pires Carvalho, mãe do atual presidente da escola, foi uma das fundadoras da agremiação, meses antes do Carnaval de 1983. Ela conta que achava necessário criar uma opção de entretenimento para os jovens da bairro - que, segundo ela, dispunha de "má fama" na cidade. Então, com o auxílio de seu filho e de outras pessoas da comunidade, Maria Benedita fundou a escola. Após alguns anos, porém, a agremiação foi praticamente desativada, sendo novamente reorganizada em 1993. Desde então, voltou a participar dos desfiles carnavalescos e é a atual vice-campeã do carnaval de rua em Jaú. Suas cores são o azul, verde e branco e o símbolo da escola é o pavão, adotado porque o atual presidente da escola - Sabará, filho de Maria Benedita - foi jogador profissional de futebol e, à

época, era conhecido como "Pavão da Vila XV".

Serviço

Os ensaios da escola de samba Unidos da Vila XV acontecem às segundas, quartas e sextas-feiras, a partir das 20 horas, na quadra da escola, que fica próxima ao ginásio de esportes Dr. Neves.

Bairros Unidos conta história do Brasil

A escola de samba Bairros Unidos foi a terceira melhor escola no desfile jauense de 1998. Neste ano, vai expor o tema "Brasil, um Expoente do Mundo Com Forma de Coração". Segundo Adílson Oliveira, carnavalesco e coordenador geral da escola, o enredo vai contar a formação de um país, que surge em forma de coração e ocupa o centro do planeta. Seus 250 componentes vão se dividir entre a comissão de frente e outras oito alas. A escola deve dispor, ainda, de dois carros alegóricos. As fantasias começaram a ser confeccionadas há aproximadamente 10 dias. Este será o 11.º desfile da escola, que surgiu em 1988, então como Bloco do Sapo. A partir de 1994, o bloco passou a se apresentar como escola de samba. Desde sua criação, a agremiação nunca obteve um título.

Serviço

Os ensaios da Escola de Samba Bairros Unidos acontecem às segundas, quartas e sextas-feiras, a partir das 20 horas, na avenida Marginal do Córrego da Figueira, entre as ruas Marechal Deodoro e Prudente de Moraes. O local fica no bairro Santo Antônio.

Afro-Amukenguê desfila sem competir

A escola de samba Afro Amukenguê é uma exceção dentre as agremiações que participam do desfile em Jaú: desde 1994, quando ainda era um bloco, desfila sem participar da competição.

Criada, como bloco, meses antes do Carnaval de 1991, por integrantes de uma academia de capoeira da cidade, a Afro Amukenguê venceu os três primeiros desfiles nos quais competiu. Por isso, deixou de participar da disputa: continuou se apresentando, ainda como bloco, até 1997, mas desde 1994 é considerado

"hours-concours". Em 1998, estreou como escola de samba, mas também sem participar da competição e se apresentando na noite reservada aos blocos, encerrando-a. Esse diferencial será mantido em 1999, quando a escola vai apresentar o enredo "Vamos Dar Vida à Amukenguê".

Os 250 componentes da escola - 51 deles na bateria, vestidos como bravos guerreiros - vão se dividir nas seguintes alas, apresentadas na sequência: comissão de frente, ala das crianças, das baianas, carro alegórico do Leão, ala dos Filhos de Ilunga, bateria, ala da Dança Afro, da Capoeira e, por último, o carro alegórico da Zebra.

Adriano Eleutério é o mestre-sala e Joana D'Arc Maria Lopes, a porta-bandeira.

Segundo Margaret Aparecida Lopes, 41, diretora cultural da escola, a Afro Amukenguê tem por objetivo principal resgatar e difundir a cultura afro, mas isso não significa que só negros possam integrá-la. A escola está plenamente aberta

à participação de qualquer folião que queira integrá-la.

Serviço

Os ensaios da escola acontecem às terças e quintas-feiras, a partir das 20 horas, na quadra do Jardim Rosa Branca, que fica no bairro de mesmo nome, em Jaú.

Unidos do São José fala sobre negros

A escola de samba Unidos do São José vai apresentar, neste ano, o enredo "Os Negros no Brasil". A agremiação

é composta por 180 foliões, distribuídos em sete alas. Dois carros alegóricos serão apresentados, também, durante o desfile.

A agremiação foi criada em 1993, como bloco carnavalesco, e passou a desfilar como escola em 1995.

Serviço

Os ensaios da escola de samba Unidos do São José acontecem às segundas, quartas e sextas-feiras, a partir das 20 horas, no Centro Comunitário Olívio Storm, que fica no bairro São José.

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