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Migrantes

Alessandra Morgado
| Tempo de leitura: 3 min

Famílias migram por amor, estudo ou trabalho

Famílias migram por amor, estudo ou trabalho

Texto: Alessandra Morgado

As mais diversas razões levam pessoas e famílias a mudar de cidade, mas o período de adaptação sempre é um pouco difícil

Juntar as tralhas sobre um caminhão e mudar de casa, de rua, de cidade e até de estado ou até de país não é coisa tão simples, que se limite à deslocação física. Para trás podem ficar uma série de costumes e amizades, além disso vem pela frente uma série de situações desconhecidas, que às vezes, assustam.

O casal Maria Bonacin Silva, 61 anos, e Heber Antônio da Silva, 63 anos, chegaram definitivamente à Bauru há um mês para ficar mais próximo do filho mais velho. Eles vêm da cidade de Foz do Iguaçu onde residiram perto de 21 anos, mas antes disso a família já tinha perigranado por outras cidade, como Andira, Curitiba (Paraná) e São Paulo.

A dificuldade para visitar os filhos era a distância de mais de mil quilômetros.

"A gente ficava meio isolado lá em Foz do Iguaçu, não temos nenhum parente na cidade. Então, viemos para cá para ficar mais perto dos filhos", afirma Maria.

O casal ainda não está bem entrosado com a cidade, mas já percebeu algumas diferenças: custo de vida mais alto. Eles contam que alguns produtos eram facilmente adquiridos no Paraguai, além disso o aluguel e outros itens também são mais caros.

Heber, um administrador de hotel aposentado, é o que se pode chamar de "eterno migrante"; nasceu em São Paulo e foi criado na região de Ituiutaba em Minas Gerais, depois foi para São Paulo. Porém, mesmo com alma de cigano ele conta que foi difícil deixar a antiga cidade, onde aos poucos a família foi se enraizando.

Direto do mangue

Recife já exportou para o País mais que o som de Mundo Livre S/A e Chico Science e Nação Zumbi. De lá vieram famílias inteiras trazendo na bagagem seus costumes, sua culinária e expectativas de vida. Assim foi com a família de Maria Gomes de Siqueira, 51 anos, que foi batizada como Maria de Lourdes, mas o pai um pouco atrapalhado esqueceu do segundo nome na hora do registro no cartório, o que não impediu que essa pernambucana ficasse conhecida como Dona Lourdes.

A história dessa família é no mínimo singular. Eles se mudaram para a cidade de Garça a convite de uma família que tornou-se amiga através das comunicações por radioamador (PX).

"Fizemos uma grande amizade com um colega de Garça, que convidou a gente para vir tentar a vida em São Paulo, caso estivesse difícil em Pernambuco. Primeiro veio o meu marido para trabalhar com funilaria e pintura. Chegamos aqui em 13 de junho de 82, no Dia de Santo Antonio", explicou Lourdes.

O restante da família continuou em Prazeres, uma cidade satélite de Recife, por mais algum tempo, antes de migrar para Garça, onde passaram alguns meses. As constantes geadas da época acabaram desistimulando a famílias, que decidiu voltar para Pernambuco. Os Siqueiras, porém, não contavam com a dificuldade em readaptação ao clima pernambucano e, novamente, voltaram para Garça.

A segunda tentativa de adaptação não foi menos difícil, mas aos poucos a família se estabeleceu. O marido de Lourdes abriu uma oficina de funilaria e também chegou a trabalhar em concessionárias.

Sem contato

Um dos problemas frequentes da migração de famílias e a perda do contato com os parentes que ficaram nas cidades de nascença. O mesmo separou por quase 20 anos Lourdes e sua família, mas através de um antigo cliente da oficina que o marido tinha em Recife ela conseguiu localizar os irmãos e o pai. Eufórica, ela preparava as malas na última semana para visitar os parentes.

"Eu não vejo minha família desde 82, porque perdi o contato com eles. Agora vou visitá-los, mas vou a Pernambuco somente a passeio. Só voltaria para lá se minha família inteira voltasse também", conclui Lourdes.

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