Geral

Despejo

Paulo Toledo
| Tempo de leitura: 4 min

Untitled

Ações de despejo caem 10% em 98

Texto: Paulo Toledo

O número de açoes de despejo por falta de pagamento de aluguel teve uma redução de 10,11%, em 1998, em relação ao ano anterior, caindo de 900 para 809. No mês de dezembro, quando os pedidos foram de 52, houve uma redução de 14,75%, em relação aos 61 do mesmo mês de 97 (veja quadro), segundo levantamentos do diretor do Cartório de Ofício de Distribuição Judicial do Fórum de Bauru, Claudemir Jair da Silva, 42 anos.

Os 34 despejos por ação ordinária, aqueles que são feitos por interesse do proprietário em reaver o imóvel, representaram uma queda de 29,17%, em relação aos 48 do mesmo período de 97.

O tesoureiro da Associação dos Administradores e Corretores de Imóveis de Bauru (Aciba), José Martinho Teixeira da Silva, 45 anos, afirma que a queda no número de despejos por falta de pagamento se deve ao fato das pessoas estarem priorizando o pagamento dos aluguéis. Para ele, os inquilinos tentam evitar problemas com a moradia. Segundo Martino, o ponto mais importante é que a queda está num contexto no qual ocorreu um crescimento no número de imóveis alugados na cidade.

Além disso, o tesoureiro da Aciba diz estar havendo uma maior negociação entre proprietários e inquilinos, para evitar que seja necessário chegar ao ponto de ter que se entrar com uma ação judicial para retirada do inadimplente do imóvel. Martinho afirma que, atualmente, a maior inadimplência está nas locações comerciais.

O delegado regional do Conselho Regional dos Corretores de Imóveis

(Creci), Giasone Albuquerque Cândia, 56 anos, diz que estão ocorrendo muitos acordos para acertos das dívidas pendentes com os aluguéis. Para ele, o fato da Justiça ter um trâmite lento é um fator que favorece os acordo, que são mais rápidos para contornar os atrasos. Giasone diz os proprietários e as administradoras estão abertas à negociação, como forma de evitar as ações judiciais. "Há sempre uma tentativa de se negociar antes de entrar com a ação de despejo", afirma.

O economista e chefe do Departamento de Economia da Faculdade de Ciências Econômicas da Instituição Toledo de Ensino (ITE), Wagner Ismanhoto, 36 anos, acredita que a redução nos despejos também esteja ligada a uma retração no valor dos aluguéis em Bauru. Para ele, com valor mais baixo facilitam a vida dos inquilinos. Além disso, os proprietários de imóveis estão mais maleáveis nas negociações de valores e benefícios que proporcionaram em caso de fechamento ou renovação de contrato. "Estão muito mais abertos a negociações", afirmou.

Pedidos de falência caem 11,17% em 98

Texto: Paulo Toledo

Os pedidos de falência que deram entrada no Cartório de Ofício de Distribuição Judicial do Fórum de Bauru, em 1998, tiveram uma retração de 11,17%, caindo de 206, em 97, para 183. Em dezembro, quando foram 16 pedidos, houve uma alta de 33,33%, em relação ao mesmo mês de 97, quando o número foi de 12, segundo levantamentos do diretor do Cartório, Claudemir Jair da Silva, 42 anos

(veja quadro).

Para o economista e chefe do Departamento de Economia da Faculdade de Ciências Econômicas da Instituição Toledo de Ensino (ITE), Wagner Ismanhoto, 36 anos, essa retração se deve à seletividade que vem ocorrendo no mercado, na qual as empresas com menor poder de fogo já sucumbiram e, agora, há uma resistência maior das que continuam, que estão mais estáveis.

Ismanhoto diz que se confirmaram as previsões de que haveria uma retração no número de falências em 98. Porém, o economista acredita que a crise do Plano Real e as alterações cambiais devem provocar uma tendência no crescimento do número de falências.

Ele afirma que a questão cambial e a alta nas taxas de juros vão provocar problemas, principalmente, para as empresas que não estão capitalizadas e estão tomando empréstimos em bancos para colocar seus produtos no mercado. Ele lembra que o mercado está parado e são poucas as empresas que podem ficar nesse compasso de espera sem vender.

"Se a empresa está capitalizada, suporta. E as empresas que estão no banco? Para renovação das taxas e dos financiamentos, qual será o crescimento do endividamento? Pode aumentar a velocidade da mortalidade dessas empresas", afirmou.

Ismanhoto diz que a tendência do crescimento das falências segue a mesma do aumento do desemprego.

Comentários

Comentários