Busca da profissão deve passar pela satisfação
Recursos Humanos
Buscando a profissão perfeita
Texto: Andréia Alevato
Bom seria se todos ficassem satisfeitos com a profissão escolhida na hora de fazer vestibular. Mas, e se depois a pessoa percebe que aquela não era exatamente a carreira de seus sonhos?
O mercado de trabalho está cheio de pessoas que desistiram de uma carreira, depois de ter se preparado para ela, e escolheram uma nova profissão.
Mudar de profissão depois de já estar formado é uma decisão que envolve alguns fatores subjetivos, mas essenciais. O primeiro deles é o incômodo provocado pela carreira escolhida. A primeira providência, então,
é identificar a causa da insatisfação. Os outros fatores são aptidão e gosto pessoal.
Renata Nassralla Kassis, 30, fez magistério e Pedagogia por aptidão e gosto pessoal. Mas, também se formou em Direito. Terminou a faculdade, mas nunca trabalhou e nem pretende trabalhar nessa área.
"Sempre soube que trabalhar com Educação me satisfazia. Eu sabia que era isso que eu queria.
A escolha pela faculdade de Direito foi por acaso. Quando ela estava no 3.º ano de Pedagogia, resolveu prestar vestibular, para fazer companhia para a irmã, e a opção foi Direito. Passou no vestibular e fez o curso.
"Acho que os trabalhos com Educação e com Direito deveriam ser muito parecidos. Ambos deveriam buscar a justiça em última instância, seja ela social, direta, indireta, positiva ou não. Mas, percebi que na Educação dá para se conseguir muito mais justiça do que com o Direito. O Brasil é um país de contraste, onde a lei é muito distante da justiça", afirmou Renata.
Hoje, Renata é supervisora pedagógica do projeto de educação comunitária no Senac (Serviço Nacional de Aprendizagem Comercial).
"Eu sei que trabalhando com Direito, eu ganharia muito mais do que como pedagoga. Mas, minha paixão por educação fala mais alto", completou.
Para Renata, trabalhar com Educação é estar mais próxima de trabalhar com a cidadania das pessoas, com direitos, deveres e com pró-atividade.
Mas, a pedagoga já pensou em trabalhar com direito. Há um ano e meio atrás ela ficou desempregada e prestou um concurso no Ministério Público em Belo Horizonte.
"Não tinha motivação para estudar para o concurso", disse. Mas, foi na mesma época do concurso, que ela foi chamada para desenvolver um projeto de educação no Senac, seu atual trabalho.
"Não gosto de Direito, porque no Brasil a lei e a justiça são coisas diferentes. É raro quando a lei oportuniza a chegar perto da justiça. Por isso eu não quero trabalhar nunca com Direito. Com a Educação, eu consigo chegar mais perto da justiça do que com o Direito. Porque, quem faz as leis do nosso país, não se submete
à elas", afirmou.
Ela disse ainda que trabalhando com Educação, ela pode ajudar na mudança e na formação de consciências.
Ajudando na formação e na mudança de consciências, teremos uma sociedade mais justa. Porque é dessa justiça social que nós precisamos, e a Educação propicia isso", concluiu.
Descobrir sua verdadeira vocação e mudar de profissão não significa ter que prestar um novo vestibular, fazer uma nova faculdade.
Márcio Azambuja Negri, 33, é casado com Renata. Sua profissão, músico. Quando foi cursar o colegial resolveu fazer um curso técnico. A opção foi por prótese dentária. Na época, sua primeira opção era desenho arquitetônico, mas as vagas para este curso se esgotaram.
"Me interessei pelo curso de prótese, porque era bom. Os professores eram os mesmos da faculdade de Odontologia Unesp de Araçatuba. Na época, era um dos melhores cursos de prótese da América Latina", disse Negri.
Ele gostou, terminou o curso e até trabalhou na área. Mas a música já estava "na veia" de Negri. Ele afirmou que desde criança se interessava por música, mais do que a maioria dos garotos.
"Eu gostava de música como gostava de jogar futebol", completou.
Sua paixão pela música aflorou com as aulas de música que tinha na época ginásio (ensino fundamental - 5.ª a 8.ª séries). Quando começou o curso de prótese, Negri já estudava música. A oportunidade de trabalhar como músico surgiu logo depois que ele acabou o curso de prótese.
"Depois que acabei o curso de prótese, surgiu a oportunidade de trabalhar como músico em uma banda. Na época era um bom salário", comentou.
Negri foi trabalhar na banda, e nunca mais trabalhou como protético.
"Antes de surgir a oportunidade de tocar saxofone nesta banda, a música não tinha se manifestado em mim como profissão", disse.
Para Negri, o importante é a satisfação pessoal. E se perguntarem para ele se valeu à pena trocar de profissão, a resposta é direta: "Valeu".