Antigo Manicômio está sendo transformado em hospital referência
Antigo Manicômio está sendo transformado em hospital referência
Transformar um antigo manicômio em um hospital referência foi o desafio de uma equipe de profissionais que atuam no hospital Psiquiátrico da Sociedade Beneficente Cristã, em 1997. Parte do projeto já saiu do papel e torna o hospital uma cidade simulada. Os muros estão sendo derrubados, as
áreas verdes estão sendo ampliadas e as cores estão sendo utilizadas para fazer com que o doente mental identifique cada uma das alas e salas. A idéia é resgatar a cidadania do doente mental.
O projeto, segundo o arquiteto José Xaides de Sampaio Alves teve início com um plano diretor. "Antes de começar qualquer mudança fizemos um plano diretor e procuramos ver o hospital como um todo. "Enfatizamos o lado funcional da circulação de pacientes e de visitas preservando os ambientes de permanência dos pacientes."
O aspecto conforto foi outro fator priorizado pelo projeto. "Melhoramos a iluminação, ventilação e calor. Já na parte estética cuidamos de cada detalhe para que o paciente tenha uma interação com o espaço de maneira que se ele tiver vontade de andar, sentar, deitar ou se exercitar fisicamente terá condições favoráveis para isso.
A humanização do hospital inclue também fazer com que o paciente passe a ter referência de lugares através das cores. "O paciente não precisa só de atendimento médico e assistência psicológica. Acreditamos que em sua permanência no hospital, ele consiga criar referências. Para isso estamos usamos as cores."Para a ala masculina será usada o azul. A feminina, lilás e rosa. As áreas de terapia serão pintadas de cores claras e as médicas de verde."
A comunicação visual do projeto, segundo Xaides vai dar uma qualidade significativa para o hospital e principalmente para os pacientes que têm deficiência nesse aspecto.
"Queremos acabar com a visão de hospital psiquiátrico fechado. Estamos diminuindo muros e criando possibilidades de interação."
Uma série de espaços relacionados com a rua estão sendo criados. "Vai ter um espaço reservado para as lojas, onde os pacientes vão comercializar a produção de seus trabalhos terapêuticos. Vamos ter uma área visualmente aberta para a cidade. As pessoas que passarem a pé ou de carro poderão ver dentro do hospital."
A modernização do hospital, de acordo com Xaides vai aproximar o paciente da realidade que ele vai encontrar depois de realibitado. "Estamos tratando os corredores como se fossem ruas. Haverá lanchonete e outras áreas semelhantes as encontradas em uma cidade. Desta maneira o paciente, quando sair do hospital , encontrará locais semelhantes e não terá tantas dificuldades."
Terminar a obra é um desafio para o corpo técnico e entidade. "Nós não recebemos verbas do governo. Já gastamos cerca de R$ 300 mil. O término da obra depende do fluxo financeiro. Estamos fazendo por etapas. O que nos interessa é fazer bem feito. "
Braço da família
Na opinião do psiquiatra e diretor clínico do hospital, Demétrio Romão Torres o objetivo das mudanças nos tratamentos psiquiátricos é transformar o paciente de fardo em braço. "O doente mental é visto como um fardo para a família. Temos que transformá-lo em um braço da família."
O psiquiatra acredita que as condições físicas do hospital podem ajudar no tratamento. "Tendo condições de tratar o paciente com menos medicamentos e mais terapia, com certeza vai diminuir o tempo de internação e evitar os vícios de uma internação prolongada."
O desejo de toda equipe técnica, segundo Torres é transformar o hospital em um centro de convivência, facilitando a ressocialização do paciente. "Eles precisam resgatar a convivência social e a cidadania perdida nas internações prolongadas."
De acordo com o psiquiatra no Estado de São Paulo há cerca de 20 a 30 mil doentes mentais, herança do Juqueri."Eles eram tratados nos famosos manicômios, onde se medicava o paciente para que ele ficasse quieto para retornar à família."