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Uso da tecnologia

Alessandra Morgado
| Tempo de leitura: 5 min

Tecnologia "fora de linha" ganha espaço no comércio de bairro

Tecnologia "fora de linha" ganha espaço no comércio de bairro

Texto: Alessandra Morgado

As novidades tecnológicas não chegam com tanta velocidade aos pequenos comércios de bairros, mesmo assim farmácias, locadoras e outras empresas têm vários de seus processos informatizados de forma racional e acessível. É que os equipamentos chamados de "velhos e ultrapassados" nem sempre devem ser encostados. É nos bairros que se aprende que na tecnologia "tudo se aproveita".

Um Pentium 100 facilita a vida dos balconistas e farmacêuticos da Drogalara, na quadra 11 da avenida Marcos de Paula Rafael no Mary Dota. Lá, o Windows ainda não chegou, mas nem por isso o cadastro dos 3.500 produtos, entre remédios e perfumaria, fica prejudicado.

"A gente faz tudo nele, desde cadastro de remédios, fechamento de convênio, notas fiscais e impressos. Quando dá pane é um 'Deus nos acuda', porque ele (o computador) facilita bastante", explicou Juliano César Cavalieri, 18 anos, balconista, que também é formado em Processamento de Dados.

Ele afirma que apesar da máquina não ser das mais atuais ela oferece todos os recursos necessários para o estabelecimento, o que para o técnico é algo ideal: informatizar sem muitos gastos. É claro que os "paus"

(problemas de máquina ou programas) também acontecem com certa frequência. Nessas horas é inevitável recorrer à assistência técnica.

Em evolução

Há pouco mais de um ano o Vídeo Bar, uma locadora de vídeos na quadra 6 da rua dos Bancários no Núcleo Gasparini, trocou seu lento computador por outro mais avançado, mas pelo estabelecimento já passaram máquinas como o PC-XT.

A proprietária, Andréa Cristina Ferreira Fucae, 27 anos, explicou que o outro equipamento possibilitava apenas o controle de locação e cadastro, mas já ajudava bastante.

"Resolvemos trocar por um Pentium mais novo, com monitor colorido, Windows 95 e internet. Agora, faço cadastro de clientes, controlo locação de fitas e consulto o Serviço de Proteção ao Crédito (SPC) pela internet. É tudo mais prático", conta Andréa.

Ela conta que trocou de computador quando o antigo teve um problema no winchester (disco rígido). Com o novo equipamento a empresa ganhou agilidade podendo consultar o cadastro dos inadimplentes com maior rapidez, entre outras coisas.

Andréa acredita que o equipamento substituiu um funcionário com facilidade, mas confessa que existe uma certa dependência porque em períodos de queda de energia chega a ser necessário parar o atendimento aos clientes. Além disso, para proteger o equipamento de possíveis estragos ele é desligado em períodos de chuvas com raios e trovões. O estoque das 2.300 fitas é totalmente controlado através da máquina.

"A tendência, nessas horas, é nem atender porque todos os controles estão na memória do micro. A gente perde a maior parte do serviço", conta ela. A proprietária explica que outras locadoras de bairros também têm cadastros informatizados, mas nem sempre o equipamento é tão atualizado quanto o da Vídeo Bar.

De quebra, o equipamento também ajuda os filhos dela, que podem aprender informática com o equipamento da locadora.

Outro pequeno empresário do Jardim Redentor que passou por uma evolução nos equipamentos foi o técnico em eletrônica Roberto Namen, 55 anos. Seu Pentium 233 deixaria envergonhado seu primeiro PC-XT 286.

Para Namen, "o computador é a alma do negócio" porque todo seu trabalho depende dele. Como representante de uma empresa de aparelhos de comunicação ele é obrigado a manter um verdadeiro arsenal em sua casa. São quatro computadores, sendo dois deles portáteis.

"Eu não consigo fazer nada sem computador. Na época do 286 eu não conseguia fazer tudo o que precisava, porque não existia no Brasil software que pudesse ser usado com eficiência", explica ele.

Atualização

Apesar de ter um equipamento muito bom, Namen acredita que em pouco tempo será necessário voltar a investir na atualização de seu arsenal, porém ele acredita que muito pode ser feito através de atualizações, ou seja, trocando-se placas e incrementando a velocidade e capacidade de memória da máquina.

Até mesmo a manutenção dos equipamento que vende são feitas através do micro, porque os atuais aparelhos de rádiocomunicação são dotados de memórias, cujo acesso é feito por programas específicos.

Reciclagem aumenta vida útil dos "ultrapassados"

O uso racional dos equipamentos é defendido por muitos especialistas, os quais garantem que mergulhar de cabeça nas novidades que chegam ao mercado, todos os dias, nem sempre

é econômico ou mesmo racional. Muitas vezes, a reciclagem

é o melhor caminho e são os "fuçadores" que ganham com isso. Um deles começou desmontando seu velho e ultrapassado MSX Hot Bit, um antigo computador com programas em fitas magnéticas.

Alexandre Sanches Bazan, 17 anos, tinha apenas dez anos quando ganhou essa máquina, que só rodava joguinhos e "era pior que nosso antigo videogame Atari".

"Depois, eu comprei um PC 386 fabricado em São Paulo, mas a firma faliu. Pagamos muito caro e tivemos muitos problemas. Daí, começamos a montar nossos próprios computadores", explica ele.

As diversas partes e peças do micro eram reaproveitadas nos outros com economia de dinheiro e até um pouco de dor de cabeça.

"Uma vez que você mexe no computador não quer mais pagar ninguém para fazer isso", salienta.

Falta de verba

Alexandre conta que foi um motivo simples que o tornou um "fuçador": a falta de verba para comprar máquinas novas.

"Estar sempre na frente, com máquinas novas, é impossível. Então, você troca uma placa-mãe e dá uma melhorada", explica ele. Atualmente, a família se vira com um 586, que na realidade é um PC 486 reformulado, no qual foi trocada a placa-mãe e aumentada a memória. Coisas de quem não joga fora nem mesmo seu velho computador de fita magnética. (AM)

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