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Redação
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Procon propõe boicote a produtos com preços em alta

Procon propõe boicote a produtos com preços em alta

O Procon, órgão de defesa do consumidor, ligado à Secretaria do Bem-Estar Social (Sebes), está aconselhando que as pessoas boicotem produtos que tenham altas injustificadas. Luiz Alan Barbosa Moreira, advogado do Procon, diz que não existe justificativa para as altas de preços, de até 35% a 40%, que já começam a ser registradas nos produtos da chamada "cesta básica", ou seja, os mais consumidos.

Ele enfatiza que a maioria das mercadorias da "cesta" são de produção nacional, sem qualquer matéria-prima importada, e portanto, não tiveram qualquer aumento de custos como consequência da crise cambial. "É pura especulação", acusa Moreira.

Várias queixas de reajuste de preços estão chegando diariamente ao Procon. Entre os produtos que apresentam alta, estão: café, arroz, feijão, derivados de leite, materiais de limpeza, carne e frango.

Por isso, ele procura dar várias orientações

à população, para reagir à alta de preços. A primeira delas é boicotar, isto é, deixar de consumir, os produtos que apresentarem aumentos abusivos, substituindo-os por mercadorias similares.

A segunda orientação é pesquisar preços, "mais do que nunca". Segundo Moreira, o consumidor precisa abandonar a atitude egoísta e cômoda de fazer compras apenas no supermercado mais próximo de sua casa ou a de não abrir mão dos mesmos produtos, na alimentação. "Com a ameaça que paira sobre a estabilidade da moeda, é imprescindível que todos pensem de forma mais genérica e sejam mais cuidadosos nas compras".

Uma outra atitude que pode ser adotada pelo consumidor, segundo o Procon, é a fiscalização do comportamento dos "vizinhos" de prateleira, ou seja, as outras pessoas que fazem compras no supermercado naquele momento em que ele está no estabelecimento. Se alguma dessas pessoas estiver adquirindo um dos produtos que estão com alta no preço, a orientação é abordá-la e tentar convencê-la a substituir a mercadoria por uma de marca de linha inferior ou uma similar. "É uma questão de garantia da estabilidade do real e, mais que isso, de cidadania", acentua o advogado.

Outros produtos

Outros produtos que, de acordo com Moreira, não têm justificativa alguma para sofrer reajustes, por serem fabricados no País e com matéria-prima nacional, são os materiais de construção, em sua maior parte, e o material escolar (que deve registrar procura considerável, neste mês e no início de março, com o reinício das aulas). O advogado cita, no primeiro setor, os casos da cal e do cimento, "ambos produzidos integralmente no Brasil". Quanto ao ferro para construção, tem a matéria-prima explorada no país e é fabricado no exterior, mas sua procura está pouco expressiva, por causa da alta.

Segundo ainda o advogado, o material escolar vem sendo reajustado sem motivo desde o ano passado, em plena estabilidade econômica: pesquisa realizada pela Comdecon demonstrou variação de 200 por cento nos preços das mercadorias, entre uma loja e outra.

Remédios

No que diz respeito aos remédios, o órgão municipal considera que é o único setor onde alguns dos produtos têm matérias-primas importadas e, portanto, sofreram aumentos de custos que justificam reajuste. "Mesmo assim, essa relação é limitada", diz Moreira. Ele orienta o consumidor para cobrar da farmácia a exposição da tabela única de preços distribuída pelos fabricantes.

Nela, ensina, poderá ser feita a consulta quanto aos preços, inclusive quanto aos remédios com a mesma fórmula, "que apresentam o mesmo efeito e têm preços variáveis, de acordo com a marca". Aplica-se na prática, então, a lei que determina, ao médico, receitar medicamentos com o nome genérico, e não com marcas. Se houver dúvidas para a substituição, instrui o advogado, pode-se consultar o farmacêutico ou o próprio médico.

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