Funcionários ainda sofrem com equipamentos lotéricos
Funcionários ainda sofrem com equipamentos lotéricos
Texto: Márcia Buzalaf
A modificação nos equipamentos utilizados pelas casas lotéricas de Bauru ainda não foi definido. Esta é a afirmação feita pelo presidente do Sindicato dos Empregados de Agentes Autônomos de Bauru e região (Seaac), Lázaro José Eugênio, 23 anos.
O questionamento em torno da troca de equipamentos, estabelecida pela Caixa Econômica Federal (CEF), foi levantado, primeiramente, pelo Seaac de Bauru e região. O motivo foi uma série de queixas feitas por funcionários de casas lotéricas ao Ministério do Trabalho depois que foi feita a mudança
- em âmbito federal - das máquinas lotéricas da CEF, que poderiam estar causando Lesão por Esforços Repetitivos (LER) nos funcionários.
Por ter sido uma padronização federal, a troca de equipamentos não é fácil de ser revista. Segundo Eugênio Pinto, o prejuízo para a CEF seria muito grande se fosse necessária a troca dos equipamentos.
Os equipamentos, segundo Eugênio Pinto, seguem o padrão norte-americano. A diferença, porém, é que, nos Estados Unidos, as máquinas não são operadas por funcionários, já que funcionam no esquema de auto-atendimento. Por isso, elas são instaladas em pontos de vendas e o próprio consumidor opera o equipamento.
Nacional
Depois de uma mesa-redonda realizada entre a CEF e o Seaac de Bauru, a própria Caixa Federal optou por levar o problema para a Secretaria de Segurança e Saúde do Trabalho
(SSST) de Brasília. A exigência da instituição era de um parecer do problema encaminhado pelo Seaac de Bauru.
A SSST tomou uma atitude diferente do que esperava-se. Segundo Eugênio Pinto, a determinação da secretaria foi de ampliar a abrangência do problema, que passou a ser uma questão nacional.
A partir deste momento, em setembro do ano passado, as mesas-redondas começaram a ser realizadas em São Paulo. "Lá em São Paulo, a gente pode ver que o problema é mais sério, já que eles (a CEF) não poderiam mudar uma padronização federal só em Bauru", completou Eugênio Pinto.
Todas as reclamações em relação ao novo equipamento lotérico levaram à formação de uma comissão encarregada de examinar a procedência do problema e de discutir as possíveis saídas para a questão. A comissão foi formada por membros das várias partes envolvidas: Seaac, Ministério do Trabalho, Sindicato dos Concessionários de São Paulo, da CEF e um médico do Ambulatório de Saúde do Trabalhador.
"São quatro frentes de trabalho para discutir a posição", argumenta Eugênio Pinto.
O sindicato patronal afirmou que não pode mudar as máquinas, porque a CEF, como sendo a gerenciadora das operações das lotéricas, fez a padronização na esfera federal. Eugênio Pinto diz que, se o proprietário alterar os equipamentos da lotérica, pode perder a concessão fornecida pela CEF de operar.
Saída
A CEF, em princípio, não aceita a troca dos equipamentos. O custo que a mudança pode ocasionar na instituição financeira é o motivo alegado para a manutenção das máquinas atuais.
Eugênio Pinto diz que, até agora, as medidas propostas pela CEF são paliativas, como a troca de cadeiras e do balcão. "O estudo que está sendo feito hoje
é no sentido de buscar uma alternativa", completa.
Uma das soluções apresentadas por Eugênio Pinto é a de diminuir a altura em que a máquina fica posicionada. Outra proposta é de colocar encosto em todas as cadeiras que os funcionários utilizam e instalar apoio para os pés.
A comissão formada pelos setores envolvidos está fazendo estudos na capital do Estado, no Rio de Janeiro e em Brasília. A análise válida para o interior, segundo Eugênio Pinto, foi a análise feita pelo Seeac de Bauru e região. Até abril do ano passado, 70% dos trabalhadores examinados apresentaram problemas oriundos do trabalho depois da mudança.
Em Bauru, ao todo, são 17 casas lotéricas.