Boatos e IOF incentivam a poupança
Boatos e IOF incentivam a poupança
Texto: Paulo Toledo
Os boatos de decretação de um feriado bancário, com possível confisco do dinheiro dos aplicadores, que circulou na última sexta-feira, e a nova alíquota do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) fizeram crescer os depósitos em caderneta de poupança, nos
últimos dias. Os bancos não quantificam o aumento, mas dizem que a busca pelo investimento considerado mais seguro, como é vista a poupança, é uma tendência dos investidores, principalmente dos pequenos.
Norton de Souza, 44 anos, superintendente regional em exercício do Banco do Brasil, disse que o perfil do investidor da região
é mais conservador e, com isso, a migração de dinheiro para a caderneta de poupança foi menor do que em outras regiões do País, principalmente as grandes capitais.
Souza destaca que a maior parte das transferências para a poupança se deveu à incidência do novo IOF sobre alguns tipos de aplicações. De acordo com ele, muitas pessoas que fizeram resgate de fundos, nos últimos dias, acabaram deixando o dinheiro na conta-corrente, em razão das expectativas criadas pelos boatos de feriado bancário e confisco, que foram desmentidos pelo Governo. No mês de janeiro, revelou o superintendente, houve um crescimento de 6% no depósito à vista, ou seja, aquele dinheiro que fica disponível na conta do cliente. Esse aumento chegou até a 10%, ao longo do mês.
Souza disse que foi possível perceber uma migração do CDB, que paga IOF a cada reaplicação, para outras modalidades que não têm o mesmo inconveniente. De acordo com ele, a poupança e o "Aplique 30", uma espécie de curto prazo, com carência mínima de 30 dias, estão entre os principais alvos. Nessa última modalidade, o dinheiro fica disponível após a carência, com rendimento diário.
Paulo Lima, 37 anos, gerente de Mercado, do Escritório de Negócios da Caixa Econômica Federal (CEF), em Bauru, disse que, na sexta-feira, houve uma certa correria nas agências, em razão dos boatos que se instalaram, principalmente, em Brasília. Porém, uma verificação realizada, ontem, mostrou que o movimento já voltou ao normal e as pessoas que, eventualmente, haviam sacado dinheiro de aplicações ou depósito à vista já retornaram.
Lima diz que a poupança é o chamado "porto seguro" da maioria dos investidores. Mas, atualmente, as pessoas buscam o atrativo da rentabilidade. Os fundos indexados ao Depósito Interbancário (DI) são considerados os mais rentáveis e, com isso, a maior captação líquida fica entre os CDBs e os fundos. "A poupança, nesses momentos de crise é procurada. Mas, existe uma orientação para que não se mexa nas aplicações, pois vai pagar o IOF de 0,38%, o que pode não ser vantajoso", afirmou.
Paulo Lima disse que muitas pessoas estão dividindo o dinheiro em vários tipos de aplicações. Os que buscam a poupança são mais tradicionais, que trabalham com a garantia que o produto oferece. Nas agências da Caixa, o orientação dos gerentes é aconselhar os investidores de acordo com o perfil de cada um. "É preciso esclarecer tudo ao cliente. Mostrar, por exemplo, que, num CDB o menor valor tem um rendimento menor, uma taxa diferente da oferecida a um grande investidor, além da incidência de IOF. Um fundo, quanto renova automaticamente não paga o IOF, enquanto o CDB tem que passar pela conta e pagar. Para o pequeno, a melhor opção ainda é a poupança", afirmou.
Maria Cristina Rozela Romano, 41 anos, gerente adjunta do Banespa, afirmou que, na sexta-feira, quando houveram boatos de que seria decretado um feriado bancário, com possível retenção de dinheiro, alguns correntistas buscaram transferir valores de fundos para poupança, enquanto outros quiseram sacar o dinheiro.
Porém, desde segunda feira, os valores retornaram. De acordo com ela, a migração de outras aplicações para a poupança não foi em volume considerado significativo.
"Mesmo porque, quando o boato se intensificou, já era tarde e não deu tempo das pessoas correrem ao banco", afirmou.