Defesa entrega fita e fornecedor ratifica denúncia
Defesa entrega fita e fornecedor ratifica denúncia
Texto: Josefa Cunha
Ontem, no último dia de depoimento das testemunhas de acusação na Comissão Processante (CP) que apura novas denúncias contra a administração Izzo Filho, uma nova fita foi entregue pela defesa do prefeito afastado. Na fita, o gerente comercial Adolfo Miltelmão, da Bauruplac, confirma ter pago propina ao ex-secretário das Finanças, Luiz Carlos de Oliveira, e ter alertado Izzo Filho sobre a existência de um esquema da caixinha em sua gestão. As outras quatro testemunhas de acusação também ratificaram as denúncias feitas ao Ministério Público.
A fita enviada pela defesa não será submetida à perícia técnica, uma vez que o próprio Miltelmão, ouvido ontem pela CP, reconheceu sua voz e ratificou textualmente as informações nela contidas. A apresentação da fita chegou a ser considerada uma estratégia para adiar os trabalhos, mas o advogado de Izzo, Ailton Gimenez, garantiu não ver problemas na dispensa da perícia, embora tenha requerido a degravação e o laudo pericial da mesma na petição em que solicitou a juntada do material nos autos. "Se quisesse, poderia ter juntado essa fita depois do depoimento do Miltelmão e solicitado laudo técnico", argumentou.
Assim como fez no Ministério Público, Rodolfo Miltelmão contou, na Câmara, que tinha um crédito de R$ 34 mil por serviços prestados à Prefeitura ainda na gestão Tidei de Lima. Em 1997, já na administração Izzo Filho, tentou receber a maior parte do crédito, chegando a apelar diretamente ao prefeito. O comerciante teria alertado Izzo Filho a respeito dos comentários sobre a cobrança de propina, sem, contudo, obter promessa ou compromisso de qualquer providência. Posteriormente, ele foi procurado por Oliveira, que condicionou a liberação do crédito ao pagamento de uma "caixinha" no valor de R$ 2,8 mil.
"O teor da minha conversa com ele girou em torno dos boatos sobre propina", reforçou no depoimento à CP.
Apesar de não haver qualquer contradição no depoimento de Miltelmão, a defesa pretende utilizar a declaração gravada em cassete em favor do prefeito. O advogado Ailton Gimenez insiste no argumento de que o comerciante não citou ao prefeito os nomes dos eventuais cobradores de propina, o que o desvincularia do esquema. "Ele diz que foi procurado pelo Luiz Carlos depois de se encontrar com o Izzo, não voltando mais a falar com este. Podemos comprovar efetivamente que o prefeito não sabia do alegado esquema de propina", avalia.
Vale destacar que Antonio Izzo Filho não é acusado de propinador, mas de ter sido omisso em não ter tomado providências no sentido de apurar os comentários, os quais, aliás, estavam por todos os cantos da cidade. Para Gimenez, Izzo não foi omisso, uma vez que não teria como dar andamento a sindicâncias sem acusados concretos.
No entender do advogado, a Processante deveria, mas ainda não conseguiu provar a conduta omissa do prefeito afastado. Ele vai além e diz que a Processante apenas cumpre procedimentos legais, uma vez que desde o começo apresenta claramente o intuito de cassar Izzo Filho pela segunda vez. "A comissão quer e vai cassá-lo, porque está fazendo uma fantasia e não instruindo um processo. Desde o começo eles já sabem qual será a decisão. Trata-se de uma conduta pró-forma, porque o futuro já está pré-concebido", acusa.
CP ouve testemunhas de acusação
Além de Adolfo Miltelmão, a Comissão Processante ouviu, ontem, outros quatro comerciantes que alegam ter sido vítima de propina na gestão Antonio Izzo Filho. Todos já foram ouvidos pelo Ministério Público e confirmaram os fatos aos vereadores Rubens Spíndola (presidente), Edmundo Albuquerque (relator) e Paulo Madureira (membro), que compõem a CP. Terminada a oitiva das testemunhas de acusação, a Processante passará a colher o depoimento das testemunhas de defesa. Na próxima reunião, marcada para terça-feira que vem, são esperados para depor Sandra Mara Soriano Alves, José Carlos Moraes e Rosângela Sugako Tanaka. A seguir, confira as acusações das testemunhas ouvidas na tarde de ontem.
Eduardo Caffeo: prestou serviços de jardinagem e deixou de receber o crédito por não aceitar pagar a caixinha
Célia Regina Gibin Miranda, dona de supermercado: tinha crédito de aproximadamente R$ 40 mil referente a vales-compras. Em fevereiro do ano passado, pagou R$ 1,5 mil a Luiz Carlos de Oliveira
Nicolau Donizetti Bustamante, proprietário do Moldular Gesso: tinha cerca de R$ 18 mil a receber e só conseguiu a liberação do crédito depois de deixar R$ 4 mil nas mãos do ex-secretário de Finanças
José Dias Júnior, dono do supermercado Jomare: tinha R$ 9 mil a receber, mas acabou deixando R$ 2 mil como propina