Quadra 23 da avenida Cruzeiro do Sul está interditada
Quadra 23 da avenida Cruzeiro do Sul está interditada
Texto: Ieda Rodrigues
O maior estrago que a chuva de domingo à noite causou em Bauru foi na quadra 23 da avenida Cruzeiro do Sul, que está totalmente interditada. A tubulação não suportou o volume de água do Córrego Água do Castelo, causando o rompimento do aterro. Em conseqüência, o asfalto cedeu e avenida foi totalmente interceptada, na madrugada de ontem.
Além da adutora do Departamento de Água e Esgoto
(DAE), que se rompeu, fios de telefone ficaram suspensos. Segundo o coordenador municipal da Defesa Civil, Álvaro de Brito, o motorista de uma perua percebeu o asfalto ceder ao passar pelo local, na madrugada de ontem.
Equipes do DAE, secretarias de Obras e Administrações Regionais trabalharam no local ontem. A Empresa Municipal de Desenvolvimento Urbano e Rural de Bauru (Emdurb) interditou a quadra 23 da Cruzeiro do Sul e aconselha que pedestres também evitem passar pelo local. A avenida é uma importante via de ligação do Centro à região do Jardim Redentor.
O secretário de Obras não foi localizado para falar sobre o custo e tempo necessário para recuperar a avenida. Na avaliação do coordenador municipal da Defesa Civil, Álvaro de Brito, o ideal é fazer uma ponte no local, pois é mais resistente que o aterro.
Ferradura Mirin
As chuvas dos últimos dias também abriram erosões no Ferradura Mirin. A maior delas, na rua Natal Fornazari, tem mais de duas quadras de extensão e já "engoliu" um poste da iluminação pública. A erosão rompeu a rede de esgoto e os moradores reclamaram que, além de não ter condições de transitar pela rua, têm que suportar o mau cheiro. Há muito lixo espalhado pela rua.
A rua Natal Fornazari é a via de acesso ao Jardim Tangarás. Por causa das erosões, não é possível transitar pela via e o ônibus circular teve seu itinerário mudado. Robson Pereira reclamou que a Prefeitura tapa os buracos da rua com entulho e lixo. Na rua 3 a chuva de sexta-feira também abriu uma erosão que está a poucos metros das casas.
DAE conserta as adutoras do Geisel e Cruzeiro do Sul
Texto: Ieda Rodrigues
A adutora do Núcleo Geisel, que se rompeu duas vezes no final do semana, foi consertada e voltou a bombear água ontem à tarde. O Departamento de Água e Esgoto (DAE) estimava que o conserto da adutora da avenida Cruzeiro do Sul, que se rompeu na madrugada de ontem, terminasse até o início da noite e que não chegue a faltar água na região.
Conforme informou a assessoria de imprensa do DAE, uma equipe da autarquia trabalhou o dia todo para recuperar a adutora. A produção de água do poço Cruzeiro do Sul teve que ser interrompida, pois com a adutora rompida, não havia como bombear água para o reservatório.
De acordo com o DAE, como havia água no reservatório, não houve desabastecimento. A assessoria de imprensa informou que, se foi feita economia ontem, a população não vai ficar sem água hoje porque o conserto da adutora terminaria ontem à noite.
A adutora do Geisel que se rompeu duas vezes nos últimos dias, foi consertada ontem. Pelos cálculos do DAE, pode ter ficado sem água apenas algumas casas da parte alta do bairro, onde o abastecimento demora mais para ser normalizado. A adutora da avenida Comendador José da Silva Martha, que se rompeu com a chuva de sexta-feira e foi consertada no sábado, resistiu bem às chuvas de domingo.
Prefeitura tapa buracos na Nações Unidas
As últimas chuvas também provocaram buracos na avenida Nações Unidas, a mais importante da cidade. Ontem, várias equipes da Prefeitura trabalharam na via tapando buracos e retirando a terra acumulada nas áreas mais baixas.
O trecho mais danificado foi o da altura da quadra 10 da pista sentido rodoviária/Geisel. Ontem à tarde, dois caminhões e uma máquina trabalharam no local. Na altura da quadra 23 a chuva arrancou a extensa faixa de asfalta na pista sentido Geisel/rodoviária, mas também foi recuperada ontem. No canteiro central da Nações, na altura da quadra 20, a chuva abriu um grande buraco.
Barracos desabam com a chuva
Texto: Erika de Lima
Dois barracos da favela do Jardim Holanda (atrás do Jardim Europa) desabaram na última sexta-feira à noite e outros sete estão em estado de risco, podendo desabar caso volte a chover forte. Uma família está morando com parentes e, a outra, com uma vizinha. Eles não aceitaram ir para um alojamento e querem construir novos barracos numa área da Ferroban (antiga Fepasa).
A dona de casa Roseliane Gerson Ramos, 29 anos, moradora há cinco anos do local, está abrigada na casa de uma vizinha, juntamente com seus cinco filhos, dois gêmeos de dois anos, duas meninas, uma de seis outra de nove, um menino de 12 anos e o marido. Ela perdeu todos os móveis. "Quando começou a chover, o canal de esgoto encheu e inundou nosso barraco e a enxurrada levou a maioria dos nossos móveis", lamentou.
Os outros barracos que não foram levados pela tempestade ou pela erosão ficaram alagados. Moradores perderam móveis, como televisão e guarda-roupa. "Aqui um socorre o outro para que ninguém durma na rua", ressalta Roseliane.
As crianças dos dois barracos que desabaram foram levadas para o Centro de Valorização à Criança
(Cevac) na sexta-feira à noite, para pernoitar. A erosão levou o fundo das casas dos moradores e também suas roupas, comida e objetos. As famílias estão necessitando de alimentos, principalmente leite, para as crianças.
Na gestão do prefeito Tidei de Lima houve um projeto de mutirão, que cadastrou toda a favela, constituída, hoje, de 68 barracos. A proposta era construir casas para os favelados, o que não ocorreu. O coordenador da Comissão Municipal de Defesa Civil, Álvaro de Brito, afirma que as providências já estão sendo tomadas. Uma delas é verificar com a Ferroban a possibilidade de ceder a área à Prefeitura que, por sua vez, permitiria a construção dos barracos.
As famílias estão aguardando a resposta para mudarem-se, caso também o local tenha água e luz, conforme aponta o ex-presidente da associação de moradores do bairro, Antônio Carlos Egídio. Ele também afirma que o centro comunitário, que está sem atividades no momento, poderá servir de abrigo aos desalojados. Geisel
No Núcleo Presidente Geisel há também outros transtornos causados pela chuva. A rua das Videiras não tem boca-de-lobo há anos, segundo a moradora Maria Tereza Tavares. Quando chove, o núcleo torna-se um caos, pois não boca-de-lobo nas ruas suficientes para escoar a água.
A moradora disse que já foram feitas inúmeras reclamações junto à Prefeitura, mas nenhuma obteve retorno, e com isso sua casa fica inundada cada vez que a chuva cai, seja tempestuosa ou não. "Até as placas de sinais de trânsito vem parar no portão de casa", reclama Maria Tereza.
A falta d'água também é algo constante no núcleo, além dos buracos nas ruas, calçadas quebradas e a falta de asfalto em determinados locais, acarretando enxurradas que carrega galhos de árvores e placas de sinalização.
Chuvas deixam moradores desamparados pela cidade
Texto: Gustavo Cândido
As chuvas que caíram na cidade na noite de domingo e, principalmente, na noite da última sexta-feira, que chegou à marca de 48,5 milímetros, provocaram estragos enormes por todos os bairros da cidade. Além de causar erosões, derrubar
árvores e destruir tubulações da rede de esgoto, a água abundante invadiu as residências e os estabelecimentos comerciais de muitos bauruenses. Como sempre acontece, a primeira reação dos moradores nesses casos é tentar salvar seus bens. Depois do vendaval é a hora da limpeza e de contabilizar os prejuízos provocados pelas chuvas. É nesse momento que os moradores de regiões atingidas se vêem isolados e desamparados, sem ter para quem recorrer.
A dona de casa Maria Aparecida Romão, moradora da Quadra 8 da rua Moacir Teixeira, uma via sem asfalto, quase toda destruida, no bairro do Ipiranga, é uma dessas pessoas sem esperança. A chuva da sexta-feira invadiu a sua casa atingindo uma altura de 30 cm. Para escoar a água da humilde residência, ela teve, com a ajuda dos filhos, que fazer um buraco na parede do seu quarto. "Toda vez que chove é a mesma coisa, a gente nem pode dormir", diz Maria, que sofre de reumatismo e está, há alguns meses, desempregada. "Não tenho condições nem de comprar um pedaço de madeira para arrumar um barraco", lamenta.
No Jardim Paulista, o pedreiro Jaime Manoel do Nascimento está guardando os móveis e eletrodomésticos, preocupado com a sua casa. A enorme erosão da rua Francisco Lopes Filho, com mais de 30 metros de largura está a menos de 5 metros da sua garagem. "Mais uma chuva aqui e vai tudo para baixo", diz Nascimento, "já liguei para a prefeitura e ninguém aparece. Quando vieram aqui para consertar a tubulação fizeram o serviço errado, nós que moramos aqui sabemos a quantidade de água que passa por aqui, só esses caninhos não iam dar mesmo", explicam se referindo às obras que estavam sendo realizadas pelo DAE no local e que foram destruídas na sexta.
Reclamações como as do pedreiro Jaime Nascimento são as mais constantes entre os moradores dos bairros que sempre são atingidos pelas chuvas. Para a maioria deles as obras realizadas pela prefeitura, ou pelo DAE, são sempre feitas de maneira errada, para resolver um problema local e passageiro que depois ocasiona um dano maior. "Depois que o Izzo inventou aquela história de asfalto de graça, é que nos sofremos inundações" diz o comerciante Gabriel Theodoro de Souza, dono de uma loja de materiais para construção na avenida Castelo Branco, que foi invadida pela água e o barro na sexta-feira.
O Jardim Alvorada, na junção entre os bairros do Geisel e do Redentor também sofreu com a invasão de água na noite de domingo. Segundo os moradores da quadra 11 da rua Benedito Ribeiro dos Santos, a existência de um ferro-velho no local só piora as coisas. A dona de casa Fátima Lopes Tomé, teve toda a sua casa tomada pela
água, pelo barro e a sujeira da rua. Sua vizinha Rosimeire Picoli, também, perdendo a sua máquina de lavar.
"Já falamos com secretários, vereadores, ninguém atende nossos pedidos", reclama Rosimeire.
No Geisel, na avenida Laranjeiras, a enfermeira Maria Aparecida Vilela estava desesperada, ontem pela manhã, a terra do seu quintal se espalhou por todos os lados, com a chuva e a sua casa se transformou num lamaçal do lado de fora. Sua maior preocupação, porém, é o muro do seu vizinho do fundos, que está para desabar. A enfermeira não sabe para quem recorrer: "quem eu chamo, a Cohab, a prefeitura, o bombeiro?", perguntava, sem esperanças.
Técnico visita erosões
Segundo o geógrafo José Aparecido dos Santos, mestre em Geociências e Meio ambiente, que, ontem de manhã visitava as erosões da cidade em companhia da professora de Arquitetura da Unesp, Rosio Salcedo e da vereadora Maria José Majô Jandreice, representante da Comissão de Meio Ambiente, Higiene Saúde e Previdência da Câmara Municipal, as erosões da cidade estão cada vez maiores por falta de um cuidado especial das administrações, que ao invés de resolver o problema de uma vez tentam conter os estragos momentaneamente. "Alguns buracos aqui em Bauru não são mais erosões, são tão grandes que já são vossorocas", disse Santos, usando como exemplo o enorme buraco existente no Parque Viaduto, próximo à um novo conjunto habitacional da Sat Engenharia. De acordo com o geógrafo, o desmatamento irresponsável de áreas de mata nativa, para a construção de conjuntos habitacionais, como no Parque Viaduto, é outra causa do problema com as chuvas.
A vereadora Majô Jandreice disse que a cidade não agüenta mais sofrer todo início de ano com as chuvas. Segundo ela, as administrações precisam parar de tomar medidas paliativas e resolver o problema de uma vez. "Depois de março não tem mais chuva e todo mundo esquece o problema, até o ano que vem, isso precisa acabar", afirmou.