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Preço do pão

Márcia Buzalaf
| Tempo de leitura: 3 min

Consumidor já compra pão 20% mais caro em Bauru

Consumidor já compra pão 20% mais caro em Bauru

Texto: Márcia Buzalaf

Pão francês que custava R$ 0,10 passou para R$ 0,12; quem já cobrava R$ 0,12, passou o pãozinho para R$ 0,14. Aumento de preço atinge outros produtos de padaria e confeitaria

Várias padarias de Bauru começaram esta semana com o preço do pão francês mais caro em cerca de 20%. Quem vendia o produto por R$ 0,10 a unidade passou para R$ 0,12; e, quem já comercializava o pão francês a R$ 0,12, passou o preço para R$ 0,14.

De acordo com Alexandre Gonçalves Modolo, 26 anos, administrador de uma das padarias consultadas, o preço de R$ 0,12 estava sendo praticado pelo estabelecimento comercial desde junho de 97. Neste período, Modolo afirma, as matérias-primas utilizadas estavam sofrendo aumentos, mas que a diferença não estava sendo repassada para o consumidor. "A farinha foi a que mais aumentou", afirma Modolo. O fermento, a gordura vegetal e alguns produtos usados na confecção de doces foram os que mais aumentaram o preço desde a liberação do câmbio.

O aumento para o próprio proprietário de padaria não seguiu um padrão. Modolo, por exemplo, afirma que o preço do saco de 50 kg da farinha passou de R$ 19,50 para R$ 29,00 - 48,71% -, dependendo do fornecedor e da origem da matéria-prima.

Já a gerente de outra padaria consultada, Tatiana Broti Martha, 24 anos, disse que a farinha que ela compra passou de cerca de R$ 19,00 para a média de R$ 38,00 - um aumento de 100%.

O aumento foi quase que simultâneo em várias padarias da cidade. De acordo com informação passada pelo proprietário de uma panificadora, os donos de padarias se reuniram para chegar a um acordo de repasse do reajuste de preço ao consumidor. Muitos empresários do setor estavam com receio de aumentar o preço do pão francês e, o concorrente, não fazer o mesmo.

O presidente do Sindicato da Indústria de Panificação e Confeitaria de Bauru e Região, Evaristo Rodriguez Gonzalez, 57 anos, afirma que não sabe nada sobre a reunião, mas que concorda que os proprietários de padarias estavam em dúvida de como agir nesta situação.

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Vários outros produtos do setor de panificação e de confeitaria também sofreram reajuste de preço, que varia de padaria para padaria. Algumas, reajustaram os salgadinhos; outras, optaram por aumentar o preço dos doces. Modolo diz que o aumento médio destes produtos foi de 10% a 15%.

"Tem outros produtos que nós não subimos o preço", defende ele. Modolo ainda diz que preferia muito mais manter os preços antigos, mas que os consecutivos aumentos de matéria-prima já vinham acontecendo e que, por isso, seria necessário um "realinhamento de preços". "Eu acho um absurdo aumentar o preço de um produto, sendo que o consumidor continua ganhando o mesmo salário", afirma Modolo.

O aumento de preço pode passar pelo comprador sem ser sentido, já que muitas padarias que mantinham promoções de doces e salgados afirmam que não aumentaram os preços destes itens, mas, sim, apenas cancelaram a promoção. Os consumidores estão concordando com o aumento, afirmou Modolo. Segundo ele, ninguém reclamou do aumento ainda.

Os supermercados, aproveitando a situação, baixaram os preços do pão francês, que pode ser encontrado na cidade até por R$ 0,07.

Um estudo mais aprofundado sobre o aumento de preço no setor alimentício está sendo feito pelo Centro das Indústrias do Estado de São Paulo (Ciesp), decisão tomada em reunião do órgão na última sexta-feira. Segundo Gonzalez, do sindicato, os proprietários deverão entregar uma lista para o Ciesp contendo o preço de matéria-prima praticado antes do aumento, o aumento e a quantidade de sacos de farinha que cada estabelecimento gasta mensalmente. Segundo Gonzalez, estes dados podem fornecer um estudo mais aprofundado sobre o aumento de preços no setor de alimentação e o impacto no preço final para o consumidor.

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