Obras define prioridades
Obras define prioridades
Texto: Adriana Rota
A Secretaria de Obras de Bauru definiu os pontos críticos do município, atingidos pelas chuvas, que terão prioridade de atendimento. São eles, as avenidas Cruzeiro do Sul, Alfredo Maia, Elias Miguel Maluf e a rua Comendador José da Silva Martha. O secretário de Obras do município, Leandro Dias Joaquim, 39 anos, explicou que os problemas causados pelas chuvas são decorrência, principalmente, do desgaste das tubulações de captação de água das chuvas. O chamado "tubo ármico", feito de um material semelhante a ferro e muito utilizado por ser barato e de fácil instalação, não necessitando máquinas pesadas, tem apenas cerca de 15 anos de vida útil e, em muitos pontos da cidade, já atingiu a idade limite. O acúmulo de sujeira também contribui para causar acidentes.
Na avenida Cruzeiro do Sul, por exemplo, a tubulação, de 25 metros de comprimento, acabou não suportando a pressão da água. "O ideal é substituir esses tubos
ármicos por células de concreto, de maiores dimensões, no caso das passagens de córrego, ou tubulações de concreto, capazes de suportar por cerca de 30 anos o trabalho de contenção das águas pluviais", explicou.
Apesar de a maior parte das tubulações do município serem de concreto, ainda existem bairros inteiros, como o Parque Bauru, feitos com o material de vida curta, onde já começam a aparecer problemas, segundo o secretário.
Já o caso da avenida Nações Unidas é peculiar. "A tubulação é toda de concreto, mas houve um erro de dimensionamento futuro. O tamanho da tubulação
é insuficiente para comportar o volume de água", disse.
Para amenizar os problemas, foi aberta uma frente de combate à erosão que, de acordo com Joaquim, "não se elimina, se administra". O trabalho é feito no sentido de que a terra vá assoreando o próprio local no qual haja a erosão, "ao invés de descer toda de uma vez só". Uma operação tapa-buraco também foi implantada nas vias de maior fluxo. Mas faltam materiais básicos, como pá e enxada, que a Secretaria está tentando conseguir junto à Prefeitura.
O secretário explicou, ainda, que a insuficiência de galerias de água pluvial é uma questão séria a ser solucionada. Juntando-se a isso o solo arenoso da região, as águas não canalizadas acabam correndo com muita velocidade e arrastando o que estiver na frente.
"Foi o que aconteceu na Alfredo Maia. A gente não tem o que se chama de dissipador de energia: as águas chegam com muita força. Falta investimento em infraestrutura há muito tempo no município: as pessoas se preocuparam em conseguir asfalto de graça, sem pensar na estrutura".
Quanto a uma possível ponte a ser construída sobre a avenida Cruzeiro do Sul, Joaquim disse ser inviável, pois o custo atingiria de R$ 300 mil a R$ 400 mil e a demora, de aproximadamente seis meses. Nos serviços de reparo, serão gastos, no máximo, R$ 100 mil e 40 dias.
"O trabalho está incansável. Mas tudo o que for necessário para recuperar a cidade, faremos em definitivo, para agüentar 30, 40 anos", garantiu.