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Aumento de preços

Márcia Buzalaf
| Tempo de leitura: 4 min

Falta de café aumenta preço no mercado

Falta do café aumenta seu preço no mercado

Texto: Márcia Buzalaf

O café teve valorização máxima de 20% no mercado internacional. Motivo da alta do preço

é a falta de produto no mercado

O café está em falta no mercado e, por isso, o aumento de preço do produto para o consumidor. Esta é a afirmação do vice-presidente da Federação da Agricultura do Estado de São Paulo e presidente do Sindicato Rural de Bauru, Maurício Lima Verde Guimarães, 60 anos.

O preço do café está sofrendo duas influências: a da desvalorização do real e da queda de preço em dólar na cotação internacional. Segundo Guimarães, o próprio mercado internacional regula o preço em dólar quando ocorre uma desvalorização da moeda, tendo, como base, o preço que o produtor recebia em reais. Desta forma, Guimarães afirma, o produtor está vendendo o café por menos de US$ 100 a saca. Antes da desvalorização, o preço da saca chegava a custas US$ 130.

Nos últimos 30 dias, o café teve uma desvalorização de 17% em dólar, mas foi valorizado cerca de 25% em reais.

"Houve, de fato, uma valorização, mas que é de, no máximo, 20%", garante Guimarães.

A valorização, entretanto, não está fazendo com que o produtor esconda os estoques, com o objetivo de comercializar o produto com preço mais alto.

Independentemente do problema cambial, existe pouca disponibilidade de café no mercado. A falta do café no mercado tem base em outros fatores que ainda foram pouco discutidos, segundo Guimarães.

Ele cita o bloqueio da venda do café para alguns cafeicultores por parte do governo federal. No ano passado, o governo adiou uma parte das dívidas dos cafeicultores para 30 de junho

- e a garantia da dívida é o próprio estoque do café. "Não pode vender o café porque ele é a garantia da dívida. O café destes produtores está proibido de ser vendido", afirma Guimarães.

O exemplo fornecido por Guimarães é de produtor que fez um empréstimo de R$ 100 mil. Neste caso, ele deve ter, em café, R$ 100 mil. Se ele tiver R$ 130, ele efetua o pagamento ao banco e pode comercializar os R$ 30 mil restantes. Guimarães diz que existem outros tipos de empréstimo que têm, como garantia, a própria produção, fazendo com que o produtor tenha que esperar até o vencimento da dívida para colocar o produto no mercado.

O outro aspecto que deixa o produto escasso no mercado - e, nas regras que conduzem o mercado, o que é raro, é caro

- é o fato de que os cafeicultores estão na entressafra. A próxima safra, segundo Guimarães, começa em maio.

A demanda brasileira de café é de 800 mil a um milhão de sacas por mês, e, para a exportação, a demanda mensal é de 1,2 milhão. Portanto, o Brasil tem a necessidade de produzir cerca de dois milhões de sacas de café por mês.

O produtor brasileiro, defende Guimarães, não se beneficiando da mudança cambial, assegura Guimarães. Segundo ele, apenas a exceção esconde as sacas de café para a supervalorização. Guimarães afirma que a produção cafeeira de 98 foi de 32 milhões de sacas. Deste total, cerca de 12 milhões de sacas já foram vendidos depois da colheita. Parte do restante da colheita está bloqueada como garantia de dívida.

Leilão

Agrava ainda mais a situação do café quando as estimativas para a produção do próximo apresentam números negativos, já que o café

é uma cultura bianual. A previsão é de uma queda de 50% na produção anual anterior. "A expectativa é de 20 milhões de saca", completa Guimarães. A própria expectativa em relação

à produção cafeeira do ano 2000 - como em todos produtos - já gera aumento nos preços.

Para evitar a alta de preços, a Associação Brasileira da Indústria de Café (Abic) pressionou o governo federal para que colocasse no mercado - em forma de leilão - os estoques de café que mantém, justamente, para esta finalidade: controle de preços.

Por este motivo, na última quarta-feira, 10 de fevereiro, o governo colocou em leilão 200 mil sacas de café. O preço que foi atingido foi o de R$ 165 a saca. "Significa, hoje, cerca de 85 dólares", completa Guimarães. Esta quantia, para o setor de torrefação, é equivalente ao consumo de 10 dias.

Existe previsão de que o governo abra leilão para comercializar mais sacas de café. "Mesmo com o leilão, o café continua com o mesmo preço", avalia Guimarães.

Com a forte atuação política dos cafeicultores, Guimarães diz que o próximo passo é tentar barrar o imposto sobre exportações, projeto do governo federal. O objetivo desta medida é conter a inflação. Guimarães explica que o produtor passa a receber mais dinheiro no Brasil e, para controle de inflação, o governo quer taxar este capital.

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