Clubes esperam milhares de foliões para o Carnaval
'Jogo da Saia' abre o Carnaval no BAC
Uma divertida partida de futebol realizada entre sócios do Bauru Atlético Clube, com uma das equipes vestida de mulher, abre o Carnaval do clube hoje, a partir das 16 horas. O jogo, que já virou tradição no BAC, é apenas uma prévia para as atrações preparadas para os foliões.
Quebrando o jejum de alguns anos, o BAC volta em 99 a promover bailes de Carnaval, esperando receber um público de duas a três mil pessoas. O tema escolhido foi "BAC / Axé
& Samba no Pé".
Segundo o diretor social do clube, Cláudio Barraviera, a idéia veio do fato dos ritmos baianos estarem muito em evidência hoje em dia. No entanto, a banda Modern Six Sound, que estará animando as quatro noites e duas matinês, devem mesclar a música da Bahia com samba, pagode e as tradicionais marchinhas de Carnaval.
Drags e banhos
Entre as outras atrações exclusivas do BAC, está um concurso de drag queens, que vai escolher no domingo, a melhor e pior da noite. A drag que se inscrever, já recebe um prêmio incentivo de R$ 20,00, para incrementar ainda mais a sua "montagem".
Um momento esperado pelo clube é o tradicional Banho à Fantasia, na terça-feira, último dia de Carnaval. O evento é aberto a sócios e não sócios, dividido em dois grupos: infantil e adulto. Para saber como participar, o interessado deve se dirigir à secretaria do clube, onde também serão feitas as inscrições.
Serviço
"BAC / Axé & Samba no Pé", de hoje a 16 de fevereiro, no Bauru Atlético Clube. Hoje, 16 horas, Jogo da Saia. Amanhã, durante o baile, concurso de drag queen. Na terça-feira, 16 horas, Banho à Fantasia. O clube fica na rua Macedo Guimarães, quadra 1, Altos da Cidade. Informações: (014) 224-2055.
Carnaval do BTC se inspira em imagens da Bahia
Com a proposta de realizar um Carnaval sofisticado, cultural e principalmente com a animação que caracteriza a Bahia, o Bauru Tênis Clube (BTC) investiu pesado este ano.
Anteontem, durante a apresentação do salão para convidados, todos ficaram surpresos com o alto nível da decoração do espaço e a organização do clube.
Com as principais funções terceirizadas para profissionalizar a festa, quem ganhou foram os foliões, que pela primeira vez vão ter um Carnaval com a animação da Bahia, mas com o clima mais ameno.
Um sistema importado, que esfria o ambiente em cerca de 6º centígrados já está funcionando dentro do salão.
A coordenação do Carnaval foi feito pelas empresas ProSigns e CAP Arquitetura e Construção. A organização ficou com a RC Marketing. A estrutura da decoração
é da Lumelight e o argumento carnavalesco foi idealizado pelos artistas Ivan Menezes e Sílvio Selva.
Camarote VIP
Outra surpresa deste Carnaval do BTC são os camarotes. Conforto é o que não vai faltar para quem participar da festa lá das galerias. Entre as mordomias: frigobar, garçom e seguranças exclusivos.
Com duas bandas e três ambientes pela primeira vez, o Carnaval do BTC promete ser um dos melhores que o clube já fez.
"Nossa expectativa é de realizar o maior Carnanal do BTC. Nós investimos para isso, nunca houve duas bandas e salão refrigerado antes", afirma o presidente do clube, José Haroldo Martins Segalla.
De acordo com ele, a festa foi estruturada da mesma maneira que o baile de maior sucesso do clube, o consagrado Baile do Havaí.
Na parte das piscinas, os foliões vão ter um Carnaval axé, com a banda Lilás Bahia Band, e no salão um baile tradicional, animado pela banda Newsound.
Para garantir que o Carnaval na Bahia não fique só no nome, a organização do evento fez contatos com a Secretaria de Turismo do Estado da Bahia e garantiu a vinda de barracas típicas, com fitinhas do Senhor do Bonfim,
Água de Coco e Acarajé.
Com uma expectativa de receber 5.000 pessoas por noite, Segalla acredita que o número possa até aumentar, devido ao cancelamento do Carnaval de rua este ano.
Carybé
Projetado pelo arquiteto Eduardo Kirita, um dos mais conceituados de Bauru, o projeto de estruturação do espaço do clube para os bailes, envolveu o trabalho de dezenas de profissionais.
Entre os destaques estão os camarotes VIPs e os adereços, realizados pelo artista plástico Sílvio Selva, inspirado na obra de Carybé.
"O tema da Bahia é o que está acontecendo atualmente e a homenagem ao Carybé é uma maneira de trazer a cultura para o carnaval", afirma Kirita.
Entre os trabalhos do artista plástico estão uma baiana de 4,5 metros, um farol de 5 metros e duas jangadas.
O paisagismo também recebeu atenção especial e foi realizado pela empresa Jardineiros da Terra.
Toda a decoração segue imagens e conceitos desenvolvidos por um artista conhecido mundialmente por ter retratado a Bahia a partir de seu fascínio pelos habitantes da região e pelo candomblé, a religião dos negros iorubás, e seus orixás: Hector Júlio Páride Bernabó, o "Carybé".
Nascido em Buenos Aires em 1911, Carybé conheceu a Bahia em 1938. Encantado com os temas afro-brasileiros em exuberância na região, fixou residência em Salvador em 1950, fazendo desenhos, aquarelas e óleos que, com traços rápidos, simplificam formas e representam a alma do povo na rua, nos terreiros de candomblé e à beira da imensidão do oceano.
Carybé documenta a história baiana, criando uma vasta galeria de tipos de deuses do candomblé. Suas obras fazem parte do acervo de museus de arte moderna no Brasil e também nos Estados Unidos e na Europa. Seu trabalho ganhou projeção e ele passou a ilustrar livros de Jorge Amado. Também é autor de capas de livros de Gabriel Garcia Marquéz e ilustrador de "Macunaína", de Mário de Andrade. Amado destacou que Carybé e ninguém mais pode preservar os valores da religião da Bahia".
Compreendendo a fundo a natureza típica daquela terra, o pintor integrou-se suavemente ao candomblé, fazendo-se filho de Oxóssi e presidente do Conselho dos Obás no terreiro Ilê Axé Apô Afonjá, da Mãe Stella. Tinha o alto título de Obá de Xangô.
"Sou amoroso e devoto da religiosidade afro-brasileira, de seus deuses modestos e humanos, que hoje se defrontam com estes deuses contemporâneos, terríveis e vorazes, que são a tecnologia e a ciência", dizia.
Hector assumiu o apelido de Carybé pensando que se tratava de um pássaro da fauna brasileira. Depois descobriu que a palavra significava o mingau de milho servido às mulheres paridas. Mas não ligou - "Não tem problema, eu gosto muito de mingau".
Carybé correu em 1º de outubro de 1997, aos 86 anos, em Salvador. No enterro, foram usados rituais do sincretismo religioso para a despedida.
Efeitos de iluminação e mecânicos alegram o Carnaval da Luso
A Associação Luso-Brasileira mergulhou fundo no folclore amazonense para detonar o Carnaval 99 a partir de hoje. Com o tema "Carnaval em Parintins", o clube resgatou a festa que acontece há 85 anos na pequena cidade em meio
à floresta amazônica.
Quem assina o projeto é o carnavalesco e decorador Paulinho Burian, 29 anos, que há mais de uma década se dedica profissionalmente à difícil tarefa de transformar símbolos carnavalescos do imaginário brasileiro em adereços de clubes e escolas de samba.
Burian, que também é mestre-sala, este ano iria desfilar na estreante Azulão do Morro, do Parque Jaraguá. No entanto, o fato de Bauru não apresentar seu desfile no sambódromo este ano, levou-o a esbanjar sua criatividade na decoração da Luso.
Tudo foi pensado nos mínimos detalhes. Logo na entrada, os foliões terão uma surpresa com a alegoria mecânica formada por elementos representativos da festa em Parintins: lendas, alegorias alusivas ao folclore da região, como Yaras (sereias), botos, danças e rituais. Com muitas cores, o resultado obtido pelo carnavalesco reflete o espírito que deve permear o clube nas quatro noites de folia: alegria e beleza.
Subindo a rampa que dá acesso ao salão social, outra surpresa: uma enorme serpente que, com efeitos de luzes sequenciais, indicam o caminho da festa para os foliões.
Um outra serpente gigante iluminada vai incrementar o salão
"cuspindo" gelo seco nos foliões, resultando num belo jogo de efeito.
Alguns manequins de fibra, distribuídos nas laterais, reproduzem fantasias de grande representação na festa de Parintins, como Cunhã Poranga (moça bonita), Porta Estandarte, Rainha do Folclore e Pagé.
Enquete
Democraticamente, como faz todos os anos, a Luso fez uma enquete entre os associados, entre várias opções, para que eles mesmos decidissem qual seria o tema do Carnaval do clube.
Venceu Parintins, "uma festa bastante comentada, mas pouco conhecida", afirma o carnavalesco Burian.
Para desenvolver o tema, ele estudou registros em fotos e vídeo sobre a festa amazonense. "Com base nesta pesquisa, pegamos os elementos mais presentes em Parintins, como botos, tucanos, serpentes, Yaras, apenas adaptamos a uma roupagem mais nossa", explica.
A seu ver, a importância do trabalho do carnavalesco em bailes de salão está na capacidade de transformar materiais diversos em peças de efeito, além de adequar o aspecto visual às espectativas do clube. Tudo isso pensando num custo que esteja de acordo com a estrutura do local. "É uma tarefa de bastante responsabilidade. Eu sei o quanto custa fazer um bom carnaval", observa.
Animação Musical
Pela quarta vez consecutiva, os integrantes da Turma da Banda, comandados pelo maestro Adalberto, da Banda do Liceu Noroeste, sobem ao palco da Luso para animar as quatro noites e duas matinês carnavalescas.
A formação vem com dois trompetes, dois trombones, duas baterias, três vocais, um teclado e mais seis ritimistas.
Serviço
"Carnaval em Parintins", na Associação Luso-Brasileira, de hoje a 16 de fevereiro. Rua Luso-Brasileira, 5-60. Informações: (014) 223-5222.