Dólar alto não seduz mercado imobiliário
Dólar alto não seduz mercado imobiliário
Texto: Paulo Toledo
O mercado imobiliário não tem espaço para reajustes em preço de aluguéis ou para dolarização de preços de imóveis, por conta da crise cambial. Wânia Pôrto, 43 anos, presidente da Associação dos Administradores e Corretores de Imóveis de Bauru (Aciba), afirma que o proprietário que tentar aplicar as regras do mercado financeiro no mercado imobiliário poderá sofrer a conseqüência de ficar com a mercadoria parada, por muito tempo.
Wânia Pôrto destaca que o valor dos aluguéis, em Bauru, está num ponto de equilíbrio, dentro da capacidade de pagamento dos inquilinos. Com isso, não há espaços para que os proprietários busquem aumentos nos preços, como forma de se prevenir contra uma possível taxa de inflação. Segundo ela, além de não ter motivos para reajustes, as negociações entre donos de imóveis, por meio das imobiliárias, e os inquilinos continuam. "Nas principais imobiliárias da cidade, continuam sendo feitos os acordos e não estão sendo aplicados índices de reajuste", afirma.
A presidente da Aciba disse que o proprietário que quiser aumentar o valor do aluguel vai acabar ficando com o imóvel vazio, pois estará fora da realidade de mercado, que é de uma oferta maior do que a procura. Para ela, um reajuste pode causar, inclusive, que o inquilino deixe a casa ou apartamento e vá em busca de um outro com valor de aluguel mais acessível e compatível com sua renda. "Não adianta querer impor uma norma que está sendo usada no mercado financeiro para o mercado imobiliário. Fica difícil", destaca.
Wânia Pôrto afirma que os proprietários têm que ter em mente que é melhor negociar e manter o imóvel alugado do que querer um preço acima do mercado e ficar com a casa ou apartamento fechado. Ela lembra que, cada mês que o imóvel fica fechado corresponde a uma perda de 8,3% do total que seria recebido anualmente. "Se não negociar, prejuízo acaba sendo maior", afirma.
Aquecimento
A presidente da Aciba destacou que a alta do dólar frente ao real está provocando um aquecimento no mercado de compra e vendas. Para ela, investidores e outras pessoas estão retirando dinheiro de aplicações financeiras para aplicar na compra de imóveis, principalmente os de valores até R$ 80 mil. Para ela, acima disso, não há muita influência.
Apesar disso, destaca Wânia Pôrto, não está ocorrendo a dolarização dos preços dos imóveis. Para ela, o proprietário que se atrever a dolarizar o valor de uma casa ou apartamento está sujeito a enfrentar as mesmas dificuldades que os importadores, ou seja, ficar com a mercadoria parada por falta de compradores que concordem com o valor do dólar. "Já não é fácil fazer as negociações. Se dolarizar, vai piorar. A realidade, hoje, é que, além de colocar o preço em real, as pessoas estão parcelando o pagamento, mesmo agora, depois da crise cambial. É claro, atualmente, com alguma proteção", afirmou.
A presidente da Aciba apontando para um aumento no número de negócios imobiliários depois da crise cambial. Para ela, as pessoas ficaram receosas com as perdas nas Bolsas de Valores e com a queda de rendimento nas aplicações financeiras. Com isso, vários investidores começaram a retirar dinheiro do mercado financeiro, fazendo a migração para o mercado imobiliário, em busca de segurança.
"O imóvel sempre foi e sempre será um bom negócio. O proprietário sabe que pode contar com aquela reserva estratégica de dinheiro para o futuro", afirma.
Wânia Pôrto destaca que as pessoas que têm dinheiro disponível estão realizando bons negócios, pois o momento é bastante favorável. A presidente da Aciba disse que a tendência é de que o aquecimento verificado nos últimos dias aumente.