Octaviani cobra rigor na apuração de "caixinha"
Octaviani cobra rigor na apuração de 'caixinha'
Carlos Octaviani afirma que há oito meses vem cobrando da Câmara Municipal de Agudos, investigações profundas sobre as várias denúncias
Agudos - O ex-vereador Carlos Octaviani (sem partido), de Agudos, está cobrando rigor absoluto na apuração das denúncias de compra de voto e também de favorecimento em prestação de serviços para Prefeitura Municipal. As denúncias começaram a vir a público no começo de janeiro deste ano quando o vereador José Aparecido de Oliveira, o Ico (PDT), divulgou uma fita onde o vereador Régis Pauletti
(PSD) aparece tentando comprar voto para eleição
à presidência da Câmara e o vereador João Carlos da Silva (PSDB), o "João Tatu" surge como o intermediador da compra. Na seqüência, outra fita foi divulgada, desta vez pelo vereador José Aparecido dos Santos, o Zé Mensageiro (PT) e era sobre denúncia envolvendo sete vereadores, inclusive João Tatu e a Prefeitura, num possível esquema de favorecimento na contratação de serviços. Dias depois, outra fita reforçando o suposto esquema de favorecimento de vereadores na contratação de serviços da Prefeitura foi divulgada, só que pelo vereador Evandro Rosso (PSB). A mais recente denúncia também envolvendo vereadores da Câmara Municipal de Agudos surgiu na semana passada quando Rosso denunciou, durante sessão, um suposto esquema de compra de votos do qual ele próprio faria parte, envolvendo nove vereadores para garantir a presidência da Câmara a quatro nomes previamente escolhidos.
Carlos Octaviani faz questão de frisar que já em maio ou junho do ano passado ele próprio havia ficado sabendo do possível esquema de favorecimento de vereadores na contratação de serviços da Prefeitura de Agudos. A fita com tal denúncia, segundo Octaviani, "veio à tona com oito meses de atraso".
"Eu entendo que a Câmara tem o dever de apurar com rigor todas as denúncias onde tem as fitas envolvendo vereadores, onde tem acusações seriíssimas.
É o mínimo que a Casa pode fazer até para prestar contas à sociedade, que está repugnando essas denúncias todas".
Carlos Octaviani afirma que desde meado de maio ou junho "quando eu recebi a primeira denúncia feita pelo vereador João Tatu, tive o zelo de levar ao conhecimento da Câmara e me coloquei à disposição para prestar depoimentos em qualquer comissão de inquérito que fosse instalada". Nessa época, o presidente da Câmara era Evandro Rosso. "Levei ao conhecimento do Evandro, do Régis Pauletti, de diversos vereadores. Cobrei em diversas oportunidades, inclusive o Zé Mensageiro é testemunha que por diversas oportunidades eu cobrei uma posição da Câmara com relação a essa comissão de inquérito e que se passaram meses e ela não se instalava.
Depois que a fita sobre o possível esquema de favorecimento na contratação de serviços da Prefeitura foi divulgada, o vereador João Tatu, numa das sessões da Câmara, pediu desculpa aos vereadores, por ter levantado a denúncia. "Lamento que o vereador João Tatu vem acusar companheiros, onde ele mostra que há deslealdades dos vereadores com os cofres públiccos e que depois vem pedir desculpas aos vereadores como se isso bastasse. Ele não tem que pedir desculpas, tem é que prestar contas à sociedade que o elegeu por duas vezes".
'Caixinha'
Sobre o suposto esquema de 'caixinha' denunciado na semana passada pelo vereador Evandro Rosso, Octaviani diz que desconhece qualquer acordo envolvendo dinheiro. "Fui convidado a participar dessa reunião na casa do Lauro Marciano com vereadores que haviam sido eleitos na nossa coligação. Eu realmente estava nessa reunião, mas desconheço qualquer propósito de compra de voto. Até porque nesse dia estava tendo um churrasco na casa e eu também deixei a reunião para estar fazendo parte do churrasco...Eu não presenciei qualquer acordo, de forma alguma. Se tivesse presenciado, seria o primeiro a contestar e a denunciar. Nós estávamos ali tentando resolver quem seriam os presidentes da Câmara para os quatro anos. Mas até esse momento onde a gente falava sobre a presidência para os quatro anos, não foi ventilado em hipótese alguma, conchavos sobre acerto financeiro de divisão de bolo de recurso".
Octaviani disse que ficou sabendo desse suposto acordo financeiro há cerca de dois meses através do próprio Rosso que comentou com ele, o esquema de 'caixinha' na Câmara.
"Ele disse que ia denunciar. Eu disse que ele faria muito bem".
O esquema
O esquema de 'caixinha' para compra de voto para a presidência da Câmara, denunciado pelo vereador Evandro Rosso na semana passada, teria vigorado durante todo o ano de 1997 e os primeiros cinco meses de 98. Segundo as afirmações de Rosso, um grupo de nove vereadores de Agudos participou de um acordo envolvendo a divisão da verba de representação recebida pelo presidente da Câmara para manter na presidência da Casa, os quatro candidatos previamente escolhidos. Ele reafirma a acusação, dizendo que ele próprio fazia parte do esquema. "Quando descobri que isso é ilegal, resolvi parar".
O acordo, segundo Rosso, teria sido firmado logo após as eleições realizadas em outubro de 1996, numa reunião na casa do vereador Lauro Antônio
(PSD), onde estavam presentes os vereadores José Aparecido Dantas (PTB), Lauro Antônio (PSD), José Otaviano Delazari (PMDB), o pastor Manoel Messias (PPB), José Aparecido de Oliveira, o Ico (PDT), Vilma de Albuquerque (PSDB), Tarciso Hellinger (PTB), Evandro Rosso (PSB), José Aparecido dos Santos, o Zé Mensageiro (PT) e Michel Ayub (já falecido). Todos os vereadores ouvidos pelo JC até agora afirmam desconhecer tal acordo. Dessa mesma reunião participaram ainda Carlos Octaviani (candidato a prefeito) e Nélson Ayub (candidato a vice) que haviam acabado de perder a eleição para Afonso Condi.
Na reunião, segundo Rosso, teria ficado definido então, que os vereadores que seriam os próximos presidentes do Legislativo seriam, pela ordem, José Otaviano Delazari, Evandro Rosso, Aparecido Dantas e Vilma de Albuquerque. Independente da denúncia de Rosso ser real ou não, a sucessão na presidência da Câmara, nos três primeiros anos, bateu com a suposta lista denunciada por Evandro, que afirma ainda que na mesma reunião, ficou definido que que a verba de representação do presidente da Câmara
, em torno de R$ 2,7 mil seria dividida entre os vereadores participantes do esquema.