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Fábio Grellet
| Tempo de leitura: 7 min

Pederneiras ganha mais uma escola

Pederneiras ganha mais uma escola

Texto: Fábio Grellet

Rubens Cury inaugura, no próximo sábado, escola de 1.ª a 4.ª séries no Núcleo Maria Elena

Pederneiras - Se o governo federal veicula anúncios institucionais em que incentiva as crianças a estudar (lembra-se de Pelé cantando "A, b, c, a, b, c, toda criança tem que ler e escrever..."?), de nada adiantaria o estímulo se não houver escolas que elas possam freqüentar - preferencialmente, próximas de suas casas. A Prefeitura de Pederneiras, ao menos, está fazendo sua parte: no próximo sábado, dia 27, vai inaugurar a escola Municipal de Ensino Fundamental "Prof.ª Nagiba Maria Rizek Maluf", no Núcleo Maria Elena Bertolini.

Construída numa parceria entre os governos municipal e estadual, inicialmente a escola conta com apenas 4 salas de aula, onde vão ser ministradas aulas a 270 crianças que cursam de 1.ª a 4.ª séries. Serão nove turmas, distribuídas entre os períodos da manhã e da tarde (num deles, uma quinta sala será utilizada para as aulas, e por isso será possível atender nove

- e não apenas oito - turmas em dois períodos, com quatro salas). Embora pequena, a escola será suficiente para atender à demanda de alunos do bairro, conforme garante o prefeito de Pederneiras, Rubens Cury.

O Núcleo é composto por 600 casas e há outras 200 em fase de planejamento. Portanto, segundo cálculos extra-oficiais, aproximadamente 2,4 mil pessoas moram lá. Mas até agora o Núcleo não possuía escolas e, como fica consideravelmente afastado da cidade, havia a necessidade de longos deslocamentos (habitualmente, bancados pela Prefeitura) para se chegar até uma escola dos bairros centrais de Pederneiras. Outras alternativas, também usuais, eram freqüentar as escolas do bairro da Figueira ou do Núcleo Cidade Nova. Mas tais alternativas não eram ideais, já que essas escolas não tinham condições de absorver todos os alunos do Núcleo Maria Elena. No Núcleo Cidade Nova, por exemplo, moram aproximadamente 5 mil pessoas, e os jovens em idade escolar já preenchem as vagas da escola existente lá, onde há turmas de 1.ª a 8.ª séries.

Por isso a importância da nova escola, conforme ressalta o prefeito Cury: "Todos os alunos de 1.ª a 4.ª séries moradores do Núcleo serão atendidos. Aos outros, ainda será necessário se deslocar até uma outra escola". Ainda que seja apenas um primeiro passo, a escola representa uma vitória em busca da cidadania, fundamental na construção de qualquer sociedade.

Projetos sociais integram crianças e atendem necessidades

Texto: Fábio Grellet

A escola não é o único projeto desenvolvido pelo prefeito de Pederneiras em atenção às crianças, especialmente aquelas de famílias carentes da cidade. Entre outros onze projetos implantados pelo Departamento Municipal de Promoção Social, quatro deles se destacam: três deles, reunidos, são componentes do Projeto Cidadão, que engloba oficinas de produção de bolas de futebol, de serigrafia e de corte e costura. Além deles, há o Laboratório de Informática, prestes a ser inaugurado.

Projeto Cidadão

O Projeto Cidadão teve início em março de 1997, pouco depois que Rubens Cury assumiu a Prefeitura de Pederneiras. Segundo o diretor do Departamento Municipal de Promoção Social, Paulo Eduardo Zanotto, 41 anos, o projeto nasceu com o objetivo de prestar assistência, especialmente psicológica e médica, às crianças e adolescentes cujas famílias não pudessem prover, tanto financeira como afetuosamente, o lar em que viviam. Outra preocupação era capacitar profissionalmente o jovem, permitindo-lhe contato com uma atividade que, embora simples, pudesse lhe render frutos posteriormente. Os freqüentadores das oficinas recebem, ainda, uma cesta básica mensal e reforço escolar. Semanalmente, há também um dia reservado para a prática de atividades esportivas.

Entre outros requisitos necessários para participar das oficinas, foram determinadas idades máxima e mínima dos alunos. Esta é de 12 anos, enquanto aquela, até o ano passado, era de 14 anos e foi alterada, a partir de 1999, para 16 anos, em razão de alterações ocorridas no Estatuto da Criança e do Adolescente. Até antes da mudança, aos 14 anos já era permitido o ingresso na Legião Mirim, cujos integrantes são cadastrados para trabalhar na área de comércio e serviços. Agora, é necessário ter 16 anos, e então também se alterou a idade máxima em que os jovens podem permanecer nas oficinas.

Enquanto estão inseridos na faixa etária necessária para freqüentar as oficinas, os jovens podem permanecer nelas por mais de um ano, desde que uma avaliação anual, realizada no início do ano, conclua que o aluno continua enfrentando problemas familiares sérios. Se a situação de sua família houver sido amenizada, ele é substituído por outra criança mais necessitada.

A primeira oficina criada foi de produção de bolas de futebol. Através de uma triagem realizada por assistentes sociais do município, foram selecionados 40 meninos, considerados em situação de carência mais acentuada. A quantia de alunos foi limitada, especialmente, pelo espaço físico existente no prédio onde a oficina funciona, a Creche Padre Montezuma. Todos têm entre 12 e 16 anos de idade e passaram a freqüentar diariamente a oficina, divididos em duas turmas com 20 pessoas cada. A primeira desenvolve suas atividades entre 8 horas e meio-dia, enquanto a segunda permanece na oficina entre 13 e 17 horas. Anualmente, são produzidas em média 450 bolas; parte delas é utilizada nas próprias escolinhas de futebol mantidas pela Prefeitura, e algumas chegam, mesmo, a ser comercializadas, em feiras onde são expostas.

A segunda oficina a ser criada foi de serigrafia, há aproximadamente um ano. Esta funciona no Centro Comunitário da Associação de Moradores do Núcleo Antônio De Conti e atende outras 40 crianças, entre meninos e meninas. Não há número de vagas determinado para cada sexo. Os freqüentadores confeccionam estamparias em tecidos, adesivos e sacolas plásticas. Esta é a oficina cuja produção

é mais comercializada. Atualmente, uma fábrica de calçados pederneirense utiliza os serviços da oficina para imprimir na parte interna dos sapatos, sobre o calcanhar, um adesivo com o nome da empresa. Por esse serviço, a empresa paga o suficiente para que a Prefeitura reponha o material usado e ofereça outros benefícios às crianças, restando, sob responsabilidade da instituição, apenas o pagamento do instrutor da oficina.

A terceira e mais recente oficina a ser criada foi de corte e costura, inaugurada logo após a de serigrafia. Funcionando no Centro Municipal de Atendimento (Cema), esta oficina é destinada somente às meninas e dispunha, até o final do ano passado, de 20 alunas. A partir deste ano, serão 30. Durante o ano passado, primeiro em que a oficina funcionou, as alunas aprenderam a costurar e produziram modelitos que exibiram, afinal, num desfile realizado em dezembro. Se não havia o glamour dos desfiles da alta roda, demonstrou a competência e habilidade das jovens, além de funcionar como uma confraternização entre elas.

Laboratório de informática

Além das oficinas do Projeto Cidadão, que já funcionam regularmente, a Prefeitura está prestes a inaugurar

(provavelmente, até o final de março) o Laboratório de Informática, que deve atender 352 pessoas ao longo do ano, às quais serão ministrados cursos sobre noções básicas de informática. As aulas vão acontecer numa sala, especialmente adaptada, no mesmo Centro Municipal de Atendimento, onde já foram instalados seis computadores. Outros quatro estão sendo esperados, mediante um convênio que está sendo negociado pela Prefeitura. Os instrutores, ainda não definidos, serão técnicos habilitados através de um curso ministrado no Senai, em Bauru. Isso vai permitir que os alunos do Laboratório pederneirense também recebam um certificado, emitido pelo próprio Senai.

O curso, com duração de seis meses, será destinado ao público realmente impossibilitado de pagar pela instrução em informática. Para freqüentar as aulas, a idade mínima é de 15 anos. Parte das vagas (30%) será destinada aos alunos entre 15 e 18 anos, enquanto 70% serão ocupadas por maiores de 18 anos, que já têm plenas condições de trabalhar mas encontrem dificuldade em se empregar justamente por não disporem de conhecimentos em informática - exigência absolutamente corriqueira, hoje em dia.

Centralização

Segundo Rubens Cury, tanto as oficinas do Projeto Cidadão como o Laboratório de Informática, até maio, devem passar a funcionar no mesmo prédio: o antigo almoxarifado da Prefeitura, submetido a uma reforma, vai acolher os alunos de todos os cursos, centralizando o treinamento de jovens e adultos que, cada vez mais, vão aprendendo a se tornar cidadãos.

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