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Ameaças

Josefa Cunha
| Tempo de leitura: 2 min

Vereadores pedem proteção policial

Vereadores pedem proteção policial

Texto: Josefa Cunha

Os 21 vereadores da Câmara de Bauru assinaram uma moção de apelo solicitando proteção policial em suas residências. O pedido, que estará na pauta da sessão desta segunda-feira, será endereçado ao governador Mário Covas, no intuito de que ele determine ao secretário de Segurança Pública o atendimento da solicitação. Os parlamentares pedem o destacamento de um policial para a vigilância de cada residência, no período entre as 19 horas e 7 horas.

A iniciativa revela claramente a preocupação dos vereadores com sua própria segurança e a de seus familiares, tendo em vista os vários atentados ocorridos nos últimos dois meses. Na moção, eles confessam estar vivendo sob tensão psicológica, seja pelos fatos concretos que aconteceram, seja pelas freqüentes ameaças anônimas, via bilhetes e telefonemas, que continuam recebendo.

O terrorismo começou depois que Antonio Izzo Filho foi cassado pela Câmara, fato que leva os vereadores a crerem no caráter político dos atentados e ações intimidadoras. A autoria dos crimes continua desconhecida, mas vários parlamentares suspeitam que apoiadores do prefeito afastado sejam os responsáveis. Coincidência ou não, o fato é que os atentados registrados até o momento atingiram apenas as residências de parlamentares que votaram pela cassação e atualmente fazem oposição a Izzo. Em dois dos casos, as vítimas foram vereadores que anteriormente lhe davam sustentação política na Câmara.

Erlon Junqueira, Luiz Carlos Valle, Luiz Roberto Relvas e Rubens Spíndola tiveram suas casas ou carros atingidos por coquetéis molotov jogados durante a madrugada. Junqueira, a primeira vítima, teve uma parte de sua residência incendiada pelas bombas; Relvas livrou-se por pouco de uma explosão em seu automóvel, o que poderia trazer conseqüências ainda mais graves; Spíndola teve seu veículo atingido e Valle safou-se de prejuízos graças às grades do portão de sua casa. O vereador Lucrécio Jacques também está na lista das vítimas. Sua casa já havia sofrido tentativa de invasão e, nesta semana, o atentado recaiu sobre sua assessora, que teve o carro atingido por tiros de revólver.

Os vereadores têm evitado comentar o assunto com receio de represálias, mas nos bastidores revelam preocupação, especialmente com os familiares. Segundo contam, as ameaças quase sempre são extensivas às esposas e filhos. A insegurança chegou a tal ponto que a maioria mudou seus hábitos pessoais, evitando, inclusive, dirigir à noite. Há até quem trocou o sono noturno para fazer vigilância durante a madrugada.

Todos os atentados estão sob investigação da DIG/Garra e vêm merecendo prioridade nos trabalhos do delegado J.J.Cardia. Anteontem, em entrevista ao Jornal da Cidade, Cardia disse que armou um esquema para atuar pessoal e exclusivamente nas diligências, de forma a dar uma satisfação o mais breve possível à sociedade. Segundo o delegado, o caso necessita apenas de provas, uma vez que "Bauru inteira sabe quem são os culpados". Ele, aliás, declarou que para se chegar aos autores dos atentados basta somente um pouco de exercício de inteligência.

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