Servidores da AHB saem do sindicato e contratam advogados
Servidores da AHB saem do sindicato e contratam advogados
Texto: Luciano Augusto
Cerca de 150 funcionários da Associação Hospitalar de Bauru (AHB), que controla o Hospital de Base, a Maternidade Santa Isabel e o Hospital Manuel de Abreu, assinaram, ontem, uma lista de adesão para se desvincularem do Sindicato dos Trabalhadores em Empresas de Saúde, que representa a categoria. A afirmação partiu de uma funcionária, que preferiu não se identificar temendo represálias.
Os funcionários reclamam o pagamento da 3.ª parcela do 13.º salário que ainda não foi paga. A diretoria da AHB disse, em matéria publicada ontem pelo JC, que houve problemas com o SUS, a Unimed e o Banco Bandeirantes, que explora um posto bancário no Hospital de Base.
Por estes problemas em relação ao repasse de verbas, a AHB deixou de faturar este mês, mais de R$ 500 mil. Isso, segundo o diretor da AHB, Reinaldo Rocha, impossibilitou o pagamento da 3.ª parcela do 13.º dos funcionários. Também os médicos foram prejudicados. Somente 40% dos pagamentos de honorários médicos foram efetuados.
Ontem, a funcionária da associação hospitalar entrou em contato com a reportagem para informar que os funcionários estarão saindo do sindicato. Segundo a funcionária,
"o sindicato foi procurado pelos servidores na sexta-feira. Disseram que nada poderia ser feito". Alguns funcionários realizaram, então, uma assembléia, ontem à noite, e decidiram passar uma lista de adesão, desvinculando-os do sindicato.
A taxa de R$ 6,00 que é descontada todo mês dos funcionários, deverá ser usada na contratação de dois advogados
(que pediram para não ter seus nomes divulgados) para defender os direitos dos empregados. Será formada uma associação
à parte do sindicato para "brigar pelo pagamento do 13.º".
De acordo com a servidora, "os advogados disseram que os funcionários têm muitas chances de saírem vitoriosos". A lista continuará a ser "passada" entre os funcionários nos próximos dias.
A possibilidade de greve também não foi descartada pelos funcionários. Como disse a funcionária, "a história da greve não foi uma história furada".
Ontem à noite, a reportagem do JC entrou em contato com o diretor da AHB, Reinaldo Rocha, para apurar o andamento das negociações com as partes devedoras (no caso o SUS, a Unimed e o Banco Bandeirantes). Rocha disse que as negociações estão sendo continuadas. Sobre a ação dos funcionários, ele disse que desconhecia o assunto e, "se alguns funcionários querem entrar com alguma ação, acredito que eles não precisam comunicar o hospital".
O sindicato que representa a categoria em Bauru também foi procurado diversas vezes pela reportagem, entre anteontem e ontem, mas não foi possível localizar nenhum dos diretores.